14 jul 2017 | Artigos
Por que os escritórios estão desistindo de trabalhar seus novos artistas?

Muitos de vocês devem estar esperando eu postar aqui no Blognejo a nossa tradicional e famigerada lista de apostas semestrais. Sim, estou meio atrasado, mas isso se deve a uma série de eventualidades que vem acontecendo nos últimos 8 meses na minha vida pessoal. Agora, entretanto, pretendo retomar o trabalho com a mesma dedicação de outrora. E um dos primeiros passos é trazer a nossa lista para este semestre. Mas antes de trazer a lista, eu preciso escrever a respeito de um assunto que vem me incomodando (e provavelmente a muitos de vocês) e influenciando diretamente o trabalho dos artistas que a gente costuma trazer como apostas.

Diversas vezes, tratei por aqui do assunto “geladeira”. Escritórios mantinham artistas encostados por sei lá quanto tempo até achar que a hora de trabalhá-los havia chegado, o que frustrava artistas, fãs e o mercado. Ninguém nunca entendeu bem os motivos que levavam um escritório a manter um artista em seu casting se a intenção não era trabalhá-lo logo de uma vez. De uns dois anos pra cá, no entanto, a “geladeira” evoluiu e acabou se transformando num processo ainda mais frustrante: artistas que não apresentam resultado imediato são simplesmente dispensados, seja em comum acordo, seja por iniciativa própria ou por uma decisão do próprio escritório.

Só no último ano, escritórios como Workshow, Audiomix e FS, os três maiores do Brasil, encerraram contratos com alguns de seus artistas porque os mesmos não apresentaram o resultado esperado. Tudo bem que estamos falando de decisões administrativas que devem ser tomadas até mesmo para evitar maiores prejuízos, mas não seriam essas decisões muito precipitadas? Alguns artistas sequer tiveram seus trabalhos lançados de forma devida e foram dispensados ou pediram para sair sem terem passado pelo teste das ruas, sem terem feito um showzinho sequer. Consequentemente, artistas até então tidos como grandes apostas simplesmente ficaram a ver navios.

Alguns motivos para esse estranho “fenômeno” devem ser considerados, até mesmo para entendermos porque algumas apostas acabam se mostrando infrutíferas.


* Necessidade de Aceitação Imediata

A velocidade das redes sociais, da Internet em geral e da reação popular tem sido determinantes no que diz respeito a esse tipo de decisão. Antigamente, um artista lançava um disco por ano, trabalhava uma música nova a cada 3 meses e esperava a data certa para a virada da faixa. Hoje em dia, a coisa mudou completamente. Uma música que não alcança o resultado esperado logo de cara é substituída em tempo recorde. Um projeto inteiro, então, é simplesmente descartado se a reação imediata do público não for positiva. Mais do que positiva, aliás. Cada vez mais os escritórios exigem dos próprios artistas que eles sejam um “pipoco” imediato. Nada de lançamento meia-bomba. O cara tem que ser uma explosão instantânea, senão entra na lista negra da dispensa.

O problema aqui é que os escritórios estão deixando até de testar seus produtos antes de decidir pela dispensa. Cada vez mais, leva-se em conta apenas o burburinho dos primeiros meses. Não se coloca a música nas rádios, divulgador nas estradas, não se realiza sequer um show com o artista para testá-lo junto ao público. Se a galera não comenta, não se trabalha. Simples assim. Mas isso acaba sendo um paradoxo total, afinal como é possível saber se um artista vai dar resultado se a música dele não está nem no rádio? Usar apenas o engajamento das redes sociais e do Youtube como parâmetro acaba sendo algo muito restrito. O artista precisa estar em contato direto com o público, até mesmo para saber se o público vai de fato aceitá-lo bem, seja através de shows de rádio, de visitas a emissoras, entre outros artifícios.


* Ausência de Investidor

Já é de conhecimento geral que sem dinheiro não dá pra se trabalhar um artista. O problema é que, cada vez mais, os escritórios se eximem da responsabilidade de investir em um artista e incluem parceiros para suprir essa lacuna, tomando para si apenas a responsabilidade pela realização do trabalho. Acontece que, em tempos de crise, investimentos como esse, na área de música, apresentam bem mais riscos que investimentos em outras áreas, o que afasta potenciais investidores. E sem um investidor, o escritório simplesmente não trabalha o artista.

Agora, custa a entrar na minha cabeça uma coisa: se o escritório tira a sua receita de um trabalho na área de música, o que o impede de usar o lucro obtido com seus artistas mais bem sucedidos para fazer com que os novos do seu casting cresçam? Os próprios escritórios declinam de investir em seus próprios artistas e esperam até que apareça alguém disposto a pagar essa conta. Mas como convencer alguém a investir em um produto no qual você, mesmo tento dinheiro em caixa, não pretende investir? Mais uma vez, um paradoxo completo.


* Crise

O país está quebrado. Isso é um fato incontestável. O poder de compra da população está baixíssimo. Os shows estão gerando receitas cada vez menores. Logo, produtos novos que não apresentam condições de gerarem receitas consistentes em um curto espaço de tempo são dispensados. Simples assim. Se antes era possível para um escritório deixar um artista na geladeira e manter uma engrenagem toda funcionando apenas para mantê-lo, hoje em dia não funciona mais dessa forma.

A mentalidade atual dos escritórios é a de que não vale a pena manter uma estrutura funcionando para um artista que não vai dar resultado imediato. É um gasto desnecessário. Em resumo, a crise afetou até a existência da “geladeira”. Ou dá resultado logo ou tchau e bença. Quase ninguém mais quer manter artistas apenas por manter.


* Ansiedade dos Artistas

Às vezes, o próprio artista acaba sendo responsável pela própria dispensa ou decide seguir seu próprio caminho ao ver que o escritório perdeu o “tesão” pelo seu trabalho. Mais uma vez, fruto do imediatismo perigoso do mercado sertanejo. Se antes o cara sabia esperar a hora certa de ver o seu trabalho acontecer, cada vez mais ele anseia pelo sucesso instantâneo. Se o escritório não trabalha o artista no momento, o artista se frustra e tende a buscar uma outra parceria ou a própria independência. Ou a cobrar do escritório um trabalho que não pode ser realizado no momento. Às vezes porque o escritório não está em boas condições financeiras naquele momento, ou porque o momento do mercado não é favorável para um artista naquela determinada linha, ou porque a prioridade do escritório naquele momento é consolidar primeiro o trabalho de um outro artista.

Talvez não haja melhor exemplo para provar ao artista que é possível ter, sim, paciência do que Matheus & Kauan. Por anos, a dupla ficou na “geladeira” da Audiomix esperando chegar a sua hora de ser devidamente trabalhada. Alguns grandes projetos, inclusive, foram lançados sem que se obtivesse o resultado esperado logo de cara. Hoje, entretanto, a dupla se tornou uma das principais do mercado sertanejo. É claro, entretanto, que eles são um raro exemplo de que quando vale a pena ter paciência. E ninguém tem bola de cristal para saber se basta só esperar para ver o trabalho acontecer.


Está cada vez mais complicado “apostar” em novos artistas porque, cada vez mais, os escritórios mudam de posição quanto ao trabalho dos mesmos de uma hora para a outra. Um artista que hoje é considerado o próximo Luan Santana, daqui a alguns meses já não vê seu nome circular mais por nenhuma roda de conversa. E muitas vezes o leitor acaba cobrando do blog o resultado de uma aposta que dependia apenas do trabalho do escritório, que não foi devidamente realizado por conta desses fatores que eu enumerei.

É um pouco triste ver que o mercado sertanejo cada vez mais funciona baseado em decisões meramente administrativas. Tiram o artista do anonimato, gravam um grande projeto, enchem o coração da pessoa de sonhos e, poucos meses depois, o dispensam. Os escritórios não se importam mais com o lado humano. E na verdade nem deveriam mesmo. Mas que essa frieza é bem frustrante, ah isso é. Só espero que na nossa próxima lista de apostas o leitor possa levar tudo isso que eu disse em conta antes de comentar.

40 comentários
  • Reinaldo: (responder)
    14 de julho de 2017 às 14:25

    Aceitação imediata? Mas o povo tem que ter tempo para absorver algumas novidades! Ridículo isso!

  • Rafaela: (responder)
    14 de julho de 2017 às 15:35

    Exatamente. Um eterno paradoxo. Pra mim nada justifica brincar com os sonhos das pessoas, como você mesmo disse Marcão, às vezes nem chegam a lançar o artista, apenas os deixam na geladeira cheios de promessas pra dps de um tempão dispensar. O que a WorkShow fez por exemplo com o Junior Angelim e Hugo foi muita sacanagem. Que eles obtenham sucesso fora de lá! O mundo não gira, ele capota!

  • Gaspar (Gaspardramus): (responder)
    14 de julho de 2017 às 16:28

    Parece que o Apocalipse chegou. Não sei se por causa da crise econômica ou se por causa dos motivos que realmente elenquei alguns anos atrás. Errei a data por alguns anos, mas o Nostradamus também assim fazia…
    Força, se pesquisarem nesse blog eu já disse como ressurgirá, mas de uma outra forma…

  • wallace vieira: (responder)
    14 de julho de 2017 às 16:53

    Sou um apaixonado pela musica sertaneja, mais o mercado está me deixando com medo. Vamos com calma galera!…

  • CARLOS ALBERTO: (responder)
    14 de julho de 2017 às 17:17

    Se formos analisar, desde a Nayara Azevedo, não apareceu mais nada novo.
    Isso iria acontecer no sertanejo, uma hora vai acabar essa farra de tudo é sertanejo.
    a nossa sorte que gostamos de sertanejo é que os outros ritmos também não apresentaram nada novo. por isso que ainda estamos em evidência.
    as coiosas novas do sertanejo são a junções de duplas. no mais. não tem mais nada de novo.
    Mas acho bom dar uma caida mesmo pra quem sabe voltem a fazaer coisas boa.
    pq é cada coisa que aparece que é dificil de escutar um cd inteiro.

    • victor: (responder)
      17 de julho de 2017 às 19:58

      melhor comentário. O mercado ta mto ruim, os escritórios esqueceram oq é qualidade musical e o próprio público só quer saber de beber, rebolar a bunda e musica boa q é bom… nada!!!! tudo é mto descartável! esse é o problema. bem por ae.

  • Reinaldo: (responder)
    14 de julho de 2017 às 18:30

    Era um ano cheio de expectativas para novas e velhas apostas, mas nenhum artista estourou até agora.

  • Reinaldo: (responder)
    14 de julho de 2017 às 18:34

    Matheus e Kauan se deram bem mesmo, incrível a paciência que eles tiveram e ainda bem que a Audiomix trabalharam bem eles finalmente. Espero que o mesmo aconteça com Israel & Rodolffo.

  • Reinaldo: (responder)
    14 de julho de 2017 às 18:57

    Não estou conseguindo lembrar de nenhum artista atual ou antigo que tenha estourado com só uma tentativa! Isso que está acontecendo é uma piada! Chitãozinho & Xororó hoje não estourariam então!

    • tairo: (responder)
      17 de julho de 2017 às 19:54

      O melhor comentário Chitãozinho e Xororó começou em 1970 , e so estouraram em 1982 , resultado dessa espera sao 47 anos de uma carreira inquestionável . o que adiada uma adio mix coloca quela baixo da gente um issarel novas se daqui 10 anos ele não e lembrado nem pela família direito kkkk

    • Rodolpho Mendes: (responder)
      17 de julho de 2017 às 21:27

      Zezé di Camargo e Luciano estouraram no primeiro disco com “É o amor”. Talvez seja a única que conseguiu esse feito de cara.

      • Weder Ribeiro: (responder)
        19 de julho de 2017 às 10:02

        Zezé e Luciano estouraram no primeiro disco.mas Zezé di Camargo,tentou por uns 16 anos,aproximadamente passando por varias duplas e até solo…quando tava quase desistindo surgiu o Luciano é o resto todos ja sabe.

  • Bruna Campos: (responder)
    14 de julho de 2017 às 21:28

    Marcão, sensacional. Não tenho nem o que acrescentar. Talvez apenas o “crack da bolsa” do sertanejo que espero há um tempo, com esses cachês impagáveis e bilheterias mirradas… não sei, vamos acompanhando. 😉

  • Dandara Neves: (responder)
    14 de julho de 2017 às 22:17

    Saudades dos tempos onde a ansiedade era do público… Passavam-se meses até o lançamento de uma música nova! Dava tempo da gente curtir aquela música,aquele artista, aquele cd… Todos que sonham merecem chegar lá,mas cabe aos escritórios selecionarem os artistas encaixados em cada fase do sertanejo. Esse mercado louco acabou com a qualidade da música,e acaba com o sonho de muitos “novatos” na área!

    • Gustavo: (responder)
      19 de julho de 2017 às 01:15

      Verdade .

  • Dinei Ribeiro: (responder)
    14 de julho de 2017 às 23:18

    Quando se fala no artista é muito importante exaltar aqueles que compõe bem no caso do mateus e kauã, zé neto &cr, marilia etc. creio que seja a tendencia dos escritórios nesses artistas mais completos.para os que não compõe tem que saber escolher o tiro ,(musica) pois o povo escolhe primeiro a musica e depois o artista.

  • Zé Maria: (responder)
    14 de julho de 2017 às 23:36

    Excelente análise Marcão
    Depois que o Hugo saiu da Workshow as coisas começaram acontecer, aaui na minha cidade toca muito
    Pensei que esse projeto fosse dar em nada por causa do escritório, mas ainda bem que ele saiu de lá e temos a chance dele se destacar no mercado como de fato merece
    Esses escritórios estão ridiculos, puta falta de respeito com os artistas e principalmente com os fãs que os acompanham
    Creio que isso vai mudar

  • lucas: (responder)
    15 de julho de 2017 às 00:16

    O monopólio sertanejo e a mafia conseguiram não só iludir os novos artistas, mas também com vários que já tinham uma história e que morreram no ninho.
    Estou falando de Loubet que estava indo bem e foi pra FS. Ate o Fernando e Sorocaba se perderam no caminho, se esqueceram das músicas como bala de prata.
    As radios sempre as mesmas músicas
    Exposições sempre os mesmos shows
    Ficou cansativo…
    Saudade daquele inicio do sertanejo

    • Eduardo henrique: (responder)
      17 de julho de 2017 às 17:09

      Verdade, como que o Fernando e Sorocaba cai desse jeito, sempre que iria lançar alguma coisas esperávamos ansiosamente, por que sabia que seria sucesso, parece que se perderam neste caminho que tanto dominou,

  • Lucas: (responder)
    15 de julho de 2017 às 01:56

    Parabéns pela redação falou tudo!!! 👏👏👏

  • Juliana Nogueira - PR: (responder)
    15 de julho de 2017 às 10:13

    Hugo Dell Vechio tem tudo pra estourar, timbre difetente, uma musica mais foda que a outra, participações de peso, gravado num lugar da lindoo…..
    Eu nao entendo como esse povo consegue ser tão cego, se fosse no mercado gringo já seria sucesso a muito tempo
    Desejo todo sucesso pra vc Hugo

  • Jesus Romagnoli: (responder)
    15 de julho de 2017 às 12:04

    E os compositores e letristas, também são ignorados pelos grandes, tem músicas com mais de cinco compositores, aberração isso. O poeta não tem mais vês sozinho, ou divide a obra ou não vende.

  • Barbara: (responder)
    15 de julho de 2017 às 13:54

    Achei uma pena o Hugo e a Paula terem saído da work pois assim poderiam tocar em shows promovidos pelo escritório, que são muitos por todo o país….. Espero realmente sucesso pra ambos !

  • Reinaldo: (responder)
    15 de julho de 2017 às 19:04

    É, agora temos é que apoiar muito esses novos talentos que gostamos e que ainda não tem espaço.

  • Eduardo: (responder)
    16 de julho de 2017 às 18:53

    Cara, que matéria precisa! Concordo que os escritórios tem usado dessa conduta, mas infelizmente em sua maioria eles estão no negócio só pelo dinheiro. A paixão e a emoção que giram entorno da música se dá apenas nos artistas e nos fãs! Daí a necessidade de ser mais responsável no que se vai gravar, até para que a novidade venha com um gosto de “novo” e não de comercial”. Bela matéria Marcão! Abraços!

  • Eduardo henrique: (responder)
    17 de julho de 2017 às 17:05

    Sobre o Hugo del Vechio puta sacanagem que fizeram com ele, preferiram apostar naquele tal de Felipe Labre, que não é bom, compositor fez umas 3 musicas no maximo, e só. Desejo todo sucesso do mundo a ele

  • Denis Vasconcelos: (responder)
    17 de julho de 2017 às 18:17

    Na verdade não há compromisso dos grandes escritórios com a ARTE e sim com os Lucros, o mercado não é de música e sim de entretenimento, o negócio é criar um produto consumível e não um ARTISTA reconhecido pelo seu talento que faça o público ser Fã ao invés de espectadores, TALENTO que aliás nem se põe a mesa nesse mercado atual.

  • kako: (responder)
    17 de julho de 2017 às 18:47

    ola boa tarde,
    entao e a hora dos compositores entrarem em cena,
    to com muitas musicas , muito delas sendo ineditas,
    mas como investir , sem alguem la de cima que eu conheça,
    tenho letras , bem trabalhadas, pro ze neto e cristiano, jorge e matheus, gusttavo lima, henrique e juliano ,… sao sim para vozes deles, espero ter minha oportunidade.

  • Alline: (responder)
    17 de julho de 2017 às 21:01

    Maior referência de geladeira Jefferson Moraes na Audiomix, nem ganhando programa na Globo conseguiram emplacar nada.
    Se tem talento, não está sendo bem apresentado uma vez que por Goiânia o tal berço do sertanejo e aonde a empresa tem ótimo publico, a população não faz ideia de quem é, e essa questão vai por todos o lados.
    Nenhum escritório está livre, LS do Luan com CeA também não foi para frente, e por aí vai, uns ofuscam os artistas, outros congelam por mil motivos e outros simplesmente não dão certo. Israel e Rodolffo na minha opinião fizeram má escolha, eles tinham o caminho próprio fora da visão de ADM de carreira que não tenho, más como fã aonde fossemos por Goiás as pessoas curtem demais, e vi repercussões por outros estados além do centro oeste e depois que foram para Audiomix, viraram apenas mais um. Foi-se a época que o DVD deles eram evento de parar a cidade. Bons tempos, espero que tenham retorno apesar da minha opinião. Triste ter talentos e não serem bem aproveitados, até por muitas vezes, falta de conteúdo.

  • Flavio: (responder)
    17 de julho de 2017 às 22:50

    A verdade é que os escritórios inflaram de artistas, o mercado ficou saturado, já inovaram pra tudo que é lado e não tem mais nada a fazer. Tanto que todo ano o sertanejo incorporava algum ritmo e esse ano nao conseguiu. Esperava-se pra esse ano o reggaeton, mas o funk incorporou primeiros e deu certo, talvez até mesmo por esse esgotamento de tentar adaptar tudo que é tendência ao sertanejo. Apesar de o sertanejo ser a verdadeira musica popular e termos quebrado vários preconceitos, acho que tá na hora de dar uma abaixada mesmo, as feiras/shows de pelo menos 6 anos atrás eram bem mals legais. Assim como incorporamos ritmos, veio o público que não soma muito. Fala a verdade ninguém merece aquela quantidade de adolescente andando de um lado pro outro sem saber se quer quem está no palco. Voltando ao assunto dos escritórios não teve nenhum pequeno sensacional que foi dispensado. No caso da work mesmo, desde o início mais pareceu uma fidelização de compositores. E pra eles foi ótimo, gravaram um projeto e tiveram uma visibilidade boa com o pouco que lançaram. Agora ou continuam tentando se destacar no microfone neste mercado tão difícil oi se concentram no que os levou até ali, a composição. Porque parece que todo mundinho achou que ia ser uma Marila e Maiara e Maraisa da vida. Mas não funciona assim. De fato dentro desse cenário não dispensam tudo. O melhor exemplo é a dupla Luiza e Maurilio que vem fazendo um trabalho correto é e bem diferente por conta da Luiza. Estão sucesso de pouco em pouco fazendo um trabalho pela work. São intérpretes. E acho que figuram quase que sozinhos como única aposta do ano.

  • Edson: (responder)
    18 de julho de 2017 às 02:39

    Só seu que o empresário do Bruno e Barreto é muito bom… Única explicação. Vai ser ruim assim no inferno.

    • everton: (responder)
      18 de julho de 2017 às 15:01

      Empresário do Bruno e Barreto vende até guarda chuva no sertão…onde não chove faz 50 anos…vai ser bom assim lá na china

  • Daniel Gonçalves - Produtor Artístico: (responder)
    18 de julho de 2017 às 11:16

    Parabéns pela matéria. Dois pesos e duas medidas. Existe artistas e existe cantores . O mercado está saturado se tratando dessa duas comparações. Mas uma coisa é certa se não há investimento seja por parte do artista ou escritório, e ainda quem saiba de um investidor, é quase impossível se lançar um “produto”. Penso que antes de “gravar cd”, “gravar dvd” e querer “shows” os ARTISTAS devem primeiro saber o que acontece no backstage, saber de todos os tramites de se conduzir a carreira, de ter um gerenciamento, uma produção. Vários artista não sabem da parte burocrática da “coisa”. E nessa mescla toda, acontece justamente o que a matéria identifica.
    É claro que a tecnologia hoje é o cartão de visita dos artistas, pois o público consumidor é cômodo e quer facilidades, hoje não se compra mais cds, se baixa nas diversas plataformas digitais, o que facilita com que se atinga um público alvo significante. Chegar hoje nos 4 cantos do Brasil em poucos minutos é fato através das redes sociais, o que não aconteceria na forma humana.
    Então eu penso que está faltando critério para filtrar bons artistas e ainda mais faltando sensibilidade própria de separar cantor de artista. E finalizando consequentemente analisar que “empresário” qualquer um pode ser, o que realmente precisa é investimento, e se manter escravos de grandes escritórios talvez não seja solução se tratando de uma proporção totalmente fora do normal.

  • everton: (responder)
    18 de julho de 2017 às 14:53

    Tem casos que nem a paciência resolvem. Depois de tantos anos na geladeira, Humberto e Ronaldo vazaram da Audiomix. Creio que o mesmo vai acontecer com Israel e Rodolfo, uma pena.
    Talvez os artistas precisam mudar o significado da palavra sucesso. Me lembro de uma entrevista do George Henrique e Rodrigo dizendo que, entre outras coisas, não precisava fazer 30 shows no mês pra ser sucesso. 10 shows no mês com um bom cachê e sempre com casa cheia não seriam sucesso? um bom trabalho reconhecido pelo povo e pelo meio, bem executado, bem elogiado, não seria também um sucesso?

  • everton: (responder)
    18 de julho de 2017 às 14:57

    As vezes é melhor ter uma agenda sólida e enxuta, com um bom cachê, do que querer essa loucura de 30 shows no mês. Brenno Reis e Marco Viola são uma dupla no MS que o Brasil inteiro não conhece, mas MS, interior de SP, MT e PR lotam o show dos caras. Agenda super concorrida, 8 a 10 shows no mês, tem escritório próprio, marca de roupas entre outros investimentos, tudo conseguido pela música. Além de uma carreira consolidada. Vão me dizer que esses caras não são um sucesso?

  • Gustavo Henrique: (responder)
    19 de julho de 2017 às 01:55

    A Guerra entre os escritórios em contratar e contratar novos cantores causou probelma para mercado tinha certeza que iria resultar nisso, chega um tempo que o público enjoa dos artistas, os artistas atualmente estão muito parecidos uns com outros mesmo timbre, querem usar sempre as roupas de algum outro artista de fora, gravam com os mesmo produtores e são dão oportunidade para os mesmos grupos de compositores e assim o mercado está saturado de cópias mal feitas . Hoje o Sertanejo atingiu um público fora do gênero que acaba de certa forma dando atenção a artistas que só estão preocupados em gravar besteirol e viver de mídia , certa hora esse público que não é fiel ao Sertanejo vão embora e o artista ruim acaba perdendo a graça e isso é bom para o gênero sertanejo , pois acaba ficando o público fiel e assíduo ao sertanejo que filtra melhores artistas para Sertanejo .

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.