17 ago 2011 | Artigos,Notícias
Produtor Musical, a culpa é toda sua!!!

Esse assunto é batido, eu sei. Já falei sobre ele, eu sei. E na verdade eu até optei por simplemente me abster de fazer comentários sobre qualquer produtor musical depois que passei a ser encarado como um puxassaco de um deles apenas por ser grande admirador do trabalho. Acontece que achei necessário retomar esse tema. Mas ao invés de adotar a mesma abordagem de um texto que postei aqui sobre esse assunto há tempos atrás (se o produtor é o real responsável pelo sucesso ou fracasso de um artista), vou tentar definir as funções de cada um dos profissionais envolvidos no trabalho, para explicitar de fato qual a função do produtor musical.

“Por que isso é necessário, Marcão?”. Ora, com a crise de “falso moralismo” ou de “moralismo hipócrita” que tem assolado a música sertaneja nos últimos tempos, os produtores musicais passaram a ser alvos da raiva dos defensores da bandeira da tradição. Coitado do produtor que ousou produzir canções como “Sou Foda”, “Minha Mulher não deixa não” e outras do gênero para qualquer artista que, aliás, pagou para que ele fizesse aquilo. Incrível. O produtor agora tem que simplesmente recusar o dinheiro de um artista que queira se deixar levar por essa mania de baixar o nível das canções, adaptando funks ou canções nordestinas de linguagem vulgar. Se aceitar o dinheiro e produzir a canção que o artista, o dono do trabalho, o que vai de fato cantar a música, oferecer, o produtor estará se tornando o único culpado pela teórica deterioração daquele trabalho.

Para uma canção ser gravada, em primeiro lugar faz-se necessário criá-la. Quem afinal de contas é o detentor dessa função? Ora, caros amigos, o compositor. É esse cara que fica sentado na frente de um computador ou de um caderninho de anotações, geralmente com um violão ou um teclado na mão, criando canções para o sustento de sua família. Nesse momento, a figura do produtor quase nunca está presente. A não ser que ele seja também o compositor da referida canção, o que em 99% das vezes não é o caso.

Depois que a canção é criada e gravada numa demo simples, é enviada para um ou alguns artistas. Nesse momento, ela passa a ser considerada para possível inclusão num disco daquele referido artista. Ela pode ser uma das 14 ou 15 contempladas (dependendo do tamanho do disco), mas para isso terá que passar pela aprovação ou apenas do artista em questão ou do seu (ou seus) empresário ou até dos dois. Às vezes um artista quer, mas o empresáiro não quer e vice-versa.

Em alguns casos, ainda, há a figura de um outro profissional, contratado exclusivamente para auxiliar na escolha do repertório. Hoje em dia, aliás, isso é bem comum. Geralmente é um compositor consagrado que usa sua experiência para auxiliar os artistas a escolherem ou comporem as canções que melhor se enquadram no referido projeto.

Depois de escolhida, ela chega às mãos ou aos ouvidos do produtor musical envolvido no projeto. Vejam bem. O produtor musical e o arranjador (quando não são a mesma pessoa) podem ser contratados apenas para produzir e arranjar o referido disco. Nem sempre ele tem liberdade de vetar uma ou outra música escolhida pelo artista para inclusão no repertório. Além disso, o próprio artista pode simplesmente determinar que o produtor faça o trabalho para o qual foi pago, mesmo que ele deteste a tal canção ou a considere um equívoco. Trabalho é trabalho, minha gente. Imagine o seu chefe, o cara que paga seu salário, dizendo que você deve desenvolver uma atividade que você detesta e você nega. Ora, não vivemos em um mundinho mágico de utopia. Se uma pessoa é paga para fazer um trabalho ela deve fazê-lo, ainda que aquilo a desagrade.

“Ah, Marcão, mas onde fica a dignidade do produtor musical, onde fica a credibilidade que ele conquistou?”. Ora, minha gente, não é um absurdo tão grande assim o cara simplesmente produzir uma música com linguagem vulgar. Não é como se uma atriz decadente aceitasse fazer um filme pornô para sair do ostracismo em que se encontra. O exagero empregado pelos defensores da bandeira da tradição sertaneja beiram o radicalismo islâmico. Daqui a pouco, se continuar assim, a gente vai ver uma galera de bota, chapéu, fivela e calça apertada vestindo um colete bomba e indo a um show de um artista que ele detesta ou de alguém que gravou uma música com uma linguagem que ele acha absurda para os moldes da música sertaneja só para fazer provar o seu ponto de vista e explodindo todos os infiéis. Atenção, não estou dando nenhuma idéia, hein.

Mesmo uma canção precisando sair da cabeça de um compositor e passar pela aprovação de um artista e/ou de seu empresário e às vezes até de um terceiro envolvido no projeto para só então ser produzida pelo cara que está sendo pago para fazê-la, ainda insistem em atacar o produtor depois que a canção é lançada como se ele fosse o único responsável, o único “culpado” por cometer tamanha atrocidade com a música sertaneja.

O que acontece é que a figura do produtor acabou ficando deveras exposta de um tempo pra cá. Eu, aliás, me incluo como um dos culpados por essa superexposição. O Blognejo sempre foi elogiado por grandes profissionais da música sertaneja por mostrar que não é só o artista que faz a música sertaneja, mas também o compositor, o músico, o produtor e outros profissionais. O problema, no entanto, foi que nessa exposição de todos os envolvidos, acabei levantando a bandeira de alguns deles, o que promoveu a ira de quem geralmente vai contra a opinião contida nos meus textos.

Ao apontar grandes profissionais, eu acabei sendo acusado de menosprezar outros ou até de não gostar deles. E isso desencadeou uma guerrinha de “talifãs” de produtores. Hoje em dia, tudo o que um produtor que não é aquele “preferido” por uma determinada parcela dos admiradores de música sertaneja faz é encarado como uma abominação. Os fãs de um não gostam de outro e vice-versa. O problema é que nesse “não gostar” a função do produtor acabou sendo deturpada. O cara acaba sendo considerado culpado até se o artista que ele produziu está com algum problema de saúde ou se o mesmo não sabe se comportar no palco ou num programa de TV. Como o próprio nome diz, a função do “produtor” é “produzir”. E acho que a função de babá não se enquadra aqui, né?

26 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.