11 out 2013 | Reviews
REVIEW – Eduardo Costa – Acústico

A minha maior crítica aos discos do Eduardo Costa sempre foi relacionada à quantidade de regravações, principalmente nos projetos normais de carreira, ou seja, sem qualquer natureza de projeto especial. Sempre achei que não convinha tanto assim regravar canções antigas e eliminar no disco um espaço que poderia ser ocupado por canções inéditas. As canções inéditas do Eduardo Costa, aliás, sempre foram marcantes, mas foram aos poucos perdendo espaço em seus discos para canções que ele julgava merecerem um espaço maior do que tiveram quando gravadas pelos artistas originais.

O novo DVD, entretanto, faz enfim jus a essa preferência do Eduardo Costa pela releitura de músicas menos conhecidas mas que mereciam de fato um espaço maior. É um projeto voltado justamente para as regravações. Desta vez, portanto, o argumento de que ele regrava demais cai por terra, afinal foi pra isso que ele gravou esse DVD: para resgatar canções.

Ao contrário do que se pensou num primeiro momento, o disco não lembra em quase nada os dois discos “No buteco” que ele lançou anos atrás. Mesmo similares na quantidade de regravações, aqueles eram muito mais rústicos, com poucos instrumentos. O novo DVD, entretanto, é um projeto acústico mais completo, com tudo o que se tem direito na harmonia, pelo menos no que diz respeito a um projeto dessa natureza.

Do começo ao fim, o DVD é composto em grande parte por releituras de grandes músicas, não só sertanejas, como “Minha Metade”, do Só Pra Contrariar. Do repertório já gravado do Eduardo Costa, apenas algumas canções foram regravadas. O Fato é que as inéditas são minoria.

A proposta do disco parece ser remeter a uma atmosfera mais simples, com o cenário quase lembrando um cabaré. Ainda não é aquela ideia do DVD “na zona” que o Eduardo Costa projeta há anos junto com o Leonardo, mas o aspecto mais simples bem que poderia ser facilmente incorporado neste futuro projeto.

O palco pequeno, com uma decoração mais simples, ajudam a compor a ideia de um projeto menos grandioso do que o DVD que ele gravou há alguns anos no Credicard Hall. Este foi gravado na Brook’s, em São Paulo, creio eu que também com o intuito de entregar um projeto mais intimista, já que desta vez o espaço é bem mais reduzido.

Mas mesmo o disco sendo mais intimista, uma grande parte harmônica dele é composta de arranjos cheios de detalhes e de uma quantidade maior de instrumentos. A música que fecha o disco (“Fogão de lenha”), por exemplo, traz cordas na harmonia, incluídas na pré-produção. E muitas músicas trazem um complemento de segunda voz, gravada aparentemente pelo próprio Eduardo Costa também durante a pré-produção, principalmente nos rasqueados gravados no disco e nas canções mais tradicionais.

Aliás, a grande quantidade de rasqueados gravados é mais um dos pontos positivos do disco. Fora a regravação de “Ela fez a minha cabeça”, do Chitãozinho & Xororó, o disco ainda traz dois inéditos, de composição do próprio Eduardo Costa: “Vou pro buteco beber” e “O predador e a presa”, que ele próprio já disser ser a música preferida dele neste projeto.

Entre as participações, apenas colegas de escritório. Di Paullo & Paulino cantaram “Tô indo embora”, sucesso da dupla. E o Cristiano Araújo cantou uma versão mais moderninha da música “Sem céu e sem chão”.

Apesar dessa minha opinião sobre a quantidade de regravações que o Eduardo Costa traz em seus discos de carreira, é necessário reconhecer que ele sabe mesmo escolher as músicas que costuma regravar. Ele não regrava os chavões, os clichês. Ao contrário, ele quase sempre traz canções que realmente mereciam mais atenção do mercado sertanejo ou que mesmo tendo sido sucesso foram regravadas por pouquíssimos artistas.

Neste DVD, os destaques entre as regravações ficam por conta de “Fogão de Lenha”, “Ela fez a minha cabeça” (ambas do repertório da dupla Chitãozinho & Xororó), “Onde anda você” (Di Paullo & Paulino), “Minha Metade” (Só pra Contrariar) e “Não dá pra fazer amor sem ter você”, uma composição do Zezé que o Eduardo cavucou no repertório do Marcelo Aguiar, vejam só.

Este DVD não é uma super produção, mas é tremendamente honesto em sua simplicidade e identidade. Tem de fato tudo a ver com o Eduardo Costa e com o que ele representa para o mercado. Simples como o público que ele costuma atingir, mas com arranjos de ótimo gosto, como já é de praxe em seus discos. É acústico, mas não se limita apenas aos arranjos de violão e sanfona. A guitarra, incluindo o pedal steel, são parte bem evidente deste disco, também. E mesmo cantando sempre em tons altos, o Eduardo foi um pouco mais contido em suas interpretações do que de costume, o que também acho bastante positivo. Vale a audição, principalmente durante um churrasco, ou uma cervejada ou cachaçada com os amigos.

Nota: 9,0

10 comentários
  • Renan - SP: (responder)
    12 de outubro de 2013 às 01:03

    Cantor de barzinho, só faz um pseudo sucesso cantando regravações, aliás já tem um tempo que cantores sertanejos não tem mais tanta qualidade, fazem um barulinho num barzinho para um público alienado, que vira fã só por ganhar um oi nesses bares, o Eduardo canta gritando, pega o repertório do Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo, Adalberto e Adriano, e estraga nos gritos,lembrou Cesar Menotti e Fabiano?
    Ah, esses butecos, maldita inclusão digital, que só tem “mostrado” o que há de pior no sertanejo.

    • LUCIANO SILVA: (responder)
      23 de outubro de 2013 às 23:37

      Até achei legal o discurso do Eduardo Costa. Ele disse que regrava aquelas músicas que não tiveram tanto destaque, as famosas músicas do lado B. A atitude dele deveria até ser seguida por outros cantores, pois temos muitas músicas que não tiveram o devido valor. Não sei se é só eu, mas não aguento mais escutar: Amargurado e Telefone Mudo em todos os shows sertanejos. Entretanto, apesar de achar válidas as regravações, penso que falta um pouco de senso crítico por parte dos artistas ou dos empresários para saber quais músicas caem bem para as características de quem vai cantá-las. Características essas que não se resumem apenas a parte vocal. Exemplos: Almir Sater cantando “Camaro Amarelo” – Munhoz e Mariano ou Lucas Lucco cantando “Vide Vida Marvada”- Rolando Boldrin. Não é que não vão conseguir cantar, mas não tem nada a ver. Para fechar o assunto sou obrigado a concordar com o Renan. Acho o Eduardo Costa “Gueludo de mais” o cara grita demais. Ele estragou uma das músicas com o dueto mais perfeito “Ela fez minha cabeça” estragou tanto a primeira quanto a segunda voz. O CH&X deveriam processar. rsrsrsr.

  • Fábio Roque: (responder)
    12 de outubro de 2013 às 06:54

    Tudo certo no review! Eu só não concordo com a nomenclatura acústico, quando se tem guitarra que é um instrumento elétrico na harmonia e nos arranjos.

  • Alan: (responder)
    12 de outubro de 2013 às 09:44

    Bom, Também achei estranho a guitarra, mas, condeno um pouco esse metodologia dele de regravaçoes (apesar de serem excelentes) eu sou a favor que um artista tenha que inovar, apesar do Eduardo Costa cantar “pro povo” e seu estilo bem anos 90, eu acho que ele tenha que arriscar um pouco em alguma inédita, que apesar de ser bom, não é aquele cd que a gente ouve sempre, porque me soou um pouco cansativo (eu só comprei o cd original, o dvd não vi).

  • Teco: (responder)
    12 de outubro de 2013 às 11:46

    Eduardo costa já é mito ! Muito bom mesmo; potência vocal, voz rasgada mesmo sem ficar se polpando para a próxima. Muito bom mesmo, meu preferido nessa linha moderna.

    • goiano: (responder)
      13 de outubro de 2013 às 07:22

      Concordo!e os universitários deveriam aprender com esse cara que tenta preservar a boa musica sertaneja ainda. Tem musica ai nesse DVD que muito universitário nao consegue cantar viu! KKKKKKKKKKKK.

  • emerson: (responder)
    12 de outubro de 2013 às 20:51

    Dos que fazem sucesso hoje e um dos que se salva, nao vejo problema em aproveitar musicas que nao fizeram sucesso,pois um cantor lanca 20 musicas e trabalha apenas 3 musica, esse ultimo cd do gusttavo lima e uma prova disso, nao terminou de trabalhar o cd e ja lancou outra duas atropelando o projeto, ou seja, deixou varias musicas boas para atras. Achei esse cd um dos melhores do ano, e aquele cd pra tomar uma e beber com amigos.

  • Alexandre Wallisson: (responder)
    26 de dezembro de 2013 às 03:28

    Esse cara é mito, uma afinação invejável, esse projeto que ele vem trabalhando já ta tendo sinais muitos positivos, prova disso a música ENAMORADO já é uma das músicas mais tocadas em todo Brasil, eu não vejo problema nenhum em regravações, o importante é sempre ta tocando música boa e é isso que ele faz e outra tem música nesse disco que muito cantor não consegue cantar mesmo, o Eduardo Costa é fera ! Outro artista que trabalha “na mesma linha” que o Eduardo Costa que é muito bom, tem talento deveria ter um reconhecimento aqui no BLOG é o Léo Magalhães um cara que sabe cantar música do povão, ele já é sucesso e vai estourar mais ainda com um novo projeto tbm !

  • Fabricio Bustamante: (responder)
    11 de setembro de 2014 às 15:24

    Produção Musical dê ?! Ficou faltando , há um destaque quanto à arranjos , harmonia , fiquei curioso para saber o responsável deste projeto , Abraços.

  • Paula Nutheul: (responder)
    8 de fevereiro de 2016 às 14:11

    para mim horrivel , pega carona no sucesso dos outos e canta faeito uma mulherzinha

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.