04 nov 2011 | Notícias,Reviews
REVIEW – Grupo Tradição – Tô de Férias

Eu já disse há algumas semanas, mas faço questão de frisar: o Grupo Tradição é altamente dependente da imagem. O vídeo, a performance, a magia de assistir ao grupo em ação no palco é um elemento indispensável, como se fosse praticamente um membro extra no grupo. A falta dessa imagem, ouso dizer, era mais prejudicial ao Tradição do que a de qualquer outro membro do grupo. O último DVD tinha sido o “Micareta Sertaneja vol. 2”. Depois dele foram só CD’s, e a cada disco lançado a saída de um ou mais membros do grupo e a entrada de novos era anunciada. Ou seja, faltava ao Tradição também encontrar novamente a estabilidade de outros tempos.

E com somente um membro remanescente da formação que consagrou o grupo, o Pekóis, o Tradição sempre pôde contar com o apoio ainda que silencioso de muitos admiradores que não se abateram ou não se deixaram levar pela saída deste ou daquele membro. Havia de fato uma torcida para que o grupo continuasse cada vez mais forte e não perdesse o rumo. Essas pessoas, é óbvio, sentiram a saída de tantos membros, um atrás do outro, mas a marca, o nome, isso não acabaria. Por isso algumas pessoas nunca arredaram o pé. Parece que esperavam o dia em que poderiam respirar com certo alívio e dizer: “valeu a pena esperar”.

Gravado em Balneário Camboriú, na beira da praia, o DVD “Tô de Férias” finalmente resgata o elemento visual do grupo Tradição. A coisa do visual era tão séria que após a saída do Michel Teló e do Gérson Douglas o grupo trabalhou com a mesma imagem de divulgação durante 2 ou 3 anos, só substituindo as fotos dos membros que saíam pelas fotos dos que entravam. Este DVD é um sopro de alívio, um sonoro “Até que enfim”. Por mais complicado que seja gravar um DVD e tudo mais, no caso específico do Tradição é muito complicado trabalhar sem ele.

Ora, o grupo foi alçado ao sucesso depois de um DVD. Ou seja, indiretamente o elemento visual do Tradição foi também responsável pela mudança na sonoridade da música sertaneja. Se o Tradição não tivesse se mostrado de fato para o Brasil e feito sucesso, não teria atraído a atenção dos profissionais da música sertaneja para a sua sonoridade tão diferenciada e provavelmente nós não teríamos testemunhado essa mudança tão drástica do som sertanejo que vimos após a chegada do grupo Tradição, fato este que já expliquei aqui no blog umas trocentas vezes.

Com sangue novo, este disco realmente traz aquela pegada diferenciada e contagiante de volta. São 29 músicas no show do DVD e mais 6 no Luau que vai ser incluído nos extras do disco para o lançamento oficial. Uma avalanche de músicas, claro. Mas o show, assim como sempre foi em todos os DVDs do grupo, não perde o pique em nenhum momento. É contagiante do começo da primeira música ao fim da última. O disco traz participações da Amannda numa das melhores canções do disco, “Eu tenho você”, além do Felipe Moro, Jairinho Delgado e do DJ Dan Rocha com a sua micareta sertaneja.

O “porém” fica por conta talvez do local da gravação. Apesar da sacada bacana de se gravar um DVD na praia, o fato de ter sido à noite desvalorizou o cenário. A chuva, que caiu como uma luva para a composição do cenário da música “Beijo na Chuva”, atrapalhou um pouco no que diz respeito à permanência do público no local do show e à participação ativa da galera durante as canções.

Aliás, creio ser bacana ressaltar aqui a qualidade e criatividade do material gráfico. O DVD promocional que recebi em casa é bastante diferente, tanto no formato quanto na imagem da capa. Ao invés da tradicional foto dos membros, a imagem da capa traz uma motocicleta toda estilizada com dois acordeons, uma prancha de surfe e asas (!?!?). Ao mesmo tempo nonsense e extremamente criativo.

O que mais satisfaz quem assiste o DVD é notar, como eu notei, que o Tradição parece enfim ter achado de novo a sua constância. Os membros do grupo estão de fato em sintonia. Aquela estabilidade que eu mencionei no primeiro parágrafo parece ter sido enfim reencontrada. Não vou dizer que o Tradição de hoje é igual ou melhor ao Tradição de antes. Trata-se de um grupo diferente, novo. Eu sei que é uma tarefa complicada, mas o mais aconselhável é ouvir o novo grupo sem ficar tentando toda hora buscar referências do antigo.

Afinal de contas, o Tradição acaba de provar com esse disco que tem total condições de seguir seu caminho sem precisar toda hora que alguém aponte o dedo e diga “o Tradição de antes era melhor”. O Tradição de antes era o Tradição de antes, por mais idiota que essa frase pareça. Já é passado, né? E se algumas pessoas costumam dizer que quem vive de passado é museu, nada melhor que abrir um livro novinho e lê-lo inteiro. E ser lido por inteiro é o mínimo que o novo Tradição merece.

Nota: 8,5

32 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.