21 dez 2011 | Notícias,Reviews
REVIEW – Gusttavo Lima – “Gusttavo Lima e Você”

Gusttavo Lima é a 3ª ponta de um triângulo que resume em essência a música sertaneja no ano de 2011. Depois do caminho aberto por Eduardo Costa há alguns anos e o seu total escancaramento pelo Luan Santana em 2009 e 2010, 2011 ficará conhecido na história da música sertaneja como o ano em que o sertanejo solo superou o sertanejo de duplas em importância, em fatia de mercado e em facilidade de condições de trabalho. Há dois anos ninguém ousaria dizer que chegaria o dia em que cantar sozinho seria mais fácil que cantar em dupla. No triângulo da música sertaneja em 2011, Paula Fernandes aparece como a queridinha da mídia e das novelas e detentora do disco mais vendido desde a virada sertaneja do ano de 2001, Michel Teló como o cara que emplacou o maior sucesso da música sertaneja em anos até em território internacional e o Gusttavo Lima representando o sertanejo “de povão”.

É bem essa a linha deste disco, o sertanejo de povão. Gravado numa das maiores feiras agropecuárias do Brasil, a FENAMILHO, em Patos de Minas, cidade vizinha à terra natal do cantor (Presidente Olegário), o DVD é o mais grandioso de 2011 no que diz respeito a público, o que a edição do DVD tenta mostrar exaustivamente com grandes quantidades de imagens aéreas captadas no dia da gravação. Das pontas do triângulo, Gusttavo Lima é o que canta de forma mais popularesca e que costuma mais agradar ao povão, ao público mais simplório, com os tradicionais vocais mais, na falta de outra palavra melhor, “exagerados”, popularizados pelo Eduardo Costa e intensamente utilizados por uma grande parcela de artistas.

O disco foi gravado sem intervalos entre shows, o que dificultou uma dedicação mais intensa ao projeto. 40 dias entre decidir sobre a gravação e gravar, sem o tradicional stop para ensaios e tudo mais. 60% do disco, no entanto, serve apenas para carimbar as principais canções do trabalho anterior e para insistir um pouco nas que não foram trabalhadas mas que tinham potencial para tanto. As inéditas compõem apenas 40% do disco. Aliás, a fórmula do disco anterior foi praticamente repetida neste disco: muitas canções, mas um espaço para um pout pourri romântico de sucessos antigos e um para as modas de viola, com o Gusttavo tocando viola caipira.

Apesar da intenção apenas de carimbar o sucesso das músicas do CD anterior, como “Inventor dos Amores”, “Refém”, “Arrasta”, “caso Consumado”, etc, resolveram dar uma acelerada na pegada de “Rosas, versos e vinhos”, o que a meu ver descaracterizou um pouco a canção. Outra particularidade do repertório é a grande quantidade de fenômenos naturais, hehe. 3 músicas, uma com o nome de “Furacão”, outra “Tornado” e outra “Tsunami”.

Entre as inéditas, basicamente a mesma pegada de refrões fáceis com frases repetindo o título da canção, já comum nas canções do disco anterior. O diferencial nessa parte do disco (as inéditas) fica por conta das românticas gravadas com o piano e na sacada ou de gênio ou de sorte do Marquinhos, empresário do Gusttavo. que insistiu para que a música “Balada” entrasse no disco. A música vai totalmente no caminho contrário da maioria das canções do disco. O próprio Gusttavo Lima reconheceu que não tinha intenção nenhuma de gravá-la, que achava a música horrível, que não tinha nada a ver com ele. A música não é “horrível”, só não é um bom exemplo de qualidade de letra. Segue a linha do sertanejo de balada. Foi, aliás, uma das músicas responsáveis por esse movimento que chegou em substituição ao sertanejo universitário. Inaugurou também uma nova mania na música sertaneja: a de criar apelidos para o sexo. Depois do “tche tche re re tche tche”, já tivemos o “le le le”, o “zum zum zum”, e várias outras.

Ao invés da preferência para as próprias composições como no outro disco, a maioria das músicas inéditas deste disco é de autoria de outros compositores. O Gusttavo Lima mesmo praticamente só assina as canções que já faziam parte do disco anterior. Dentre os compositores presentes no repertório, a dupla Matheus & Kauann, o Raynner Sousa, o Latino (da “Romance”, não o Latino do Rio de Janeiro) e os parceiros Nando Marx, Douglas Mello e Flavinho Tinto. Participaram do DVD também as duplas Humberto & Ronaldo e William & Marcelo, irmãos do Gusttavo Lima.

A grande profusão de cores do cenário, muito bem concebido pela equipe do Anselmo Troncoso, contrasta muito bem com o vestuário muitíssimo bem escolhido. O Gusttavo Lima trocou de roupa trocentas vezes no disco, e todas muito bem selecionadas, garantindo inclusive um material gráfico mais bonito. No cenário, entretanto, colocaram uma extensão do palco no centro que caiu bem nas canções românticas e nas menos agitadas. Mas nas canções que exigiam muita movimentação no palco, como a própria “Balada”, o palco foi mal aproveitado. O Gusttavo, aliás, não é de se movimentar tanto, mesmo porque em boa parte das músicas ele prefere tocar um instrumento. Pelo menos a preocupação com o fone de ouvido, que no último disco estava bem exagerada, parece ter diminuído consideravelmente. Coisas que só a experiência no palco proporciona.

Sobre o making off, volto a insistir na necessidade de se atentar mais a essa parte. A fórmula é a mesma em todos os DVDs de todos os diretores de vídeo do Brasil. Tá na hora de alguém começar a perceber que os making offs podem, sim, ser elaborados com mais criatividade, o que aliás estimularia a venda, que já está começando a enfrentar a concorrência da Internet, que antes praticamente só tinha CDs, mas que agora traz DVDs completos, com making off e tudo, até no Youtube, ou às vezes até em formato DVD-R.

Uma coisa que muita gente não gosta de falar quando o nome do Gusttavo Lima vem à tona é a forma como ele, involuntariamente, acabou acentuando e escancarando a briga entre os produtores. Meses atrás, escrevi aqui no Blognejo um texto sobre o episódio da briga pública entre o Maestro Pinnochio e o Dudu Borges, que ocorreu porque o segundo produziu uma nova versão da música “Cor de Ouro”, que aliás é a versão presente neste DVD e que o Gusttavo Lima toca na abertura de seus shows. Pois depois de ter sido, sem querer, o motivo da briga entre o Pinnochio e o Dudu Borges, o Gusttavo Lima acabou indiretamente causando o rompimento definitivo da parceria entre o Pinocchio e o Ivan Miyazato.

Dia desses no Twitter, o Pinocchio disse a um usuário que “neste DVD, não foi aproveitado nada que o Ivan Miyazato ou o Eduardo Pepato fizeram”, depois que o tal usuário fez um questionamento a respeito do arranjo da música “Balada”. No making off do disco, aliás, os nomes do Ivan Miyazato e do Eduardo Pepato sequer são mencionados. Mas nos créditos finais do DVD e na ficha técnica do disco, presente na versão impressa, o nome do Ivan Miyazato aparece como diretor de áudio, como responsável pela mixagem e pela masterização, como violonista (gravou as bases em estúdio) e como co-produtor, ao lado do Maestro Pinnochio e do próprio Gusttavo Lima. O nome do Eduardo Pepato também aparece como tecladista (em estúdio), auxiliar de direção de áudio e de mixagem e como arranjador responsável pelos arranjos de 7 músicas do disco, incluindo “Balada”.

Na verdade é um tanto exagerado esse apego do maestro ao Gusttavo Lima. Ele defende o trabalho que realizou com o garoto de uma forma muito mais feroz do que já defendeu qualquer outro trabalho que ele tenha produzido. Pelo menos não tenho lembrança de outras ocasiões onde ele se manifestou publicamente de forma tão raivosa para defender algum trabalho seu. O fato é que, no caso desse disco, as informações trazidas nos créditos não são necessariamente as mesmas que ele faz questão de alardear, o que, no entanto, não tira a sua importância e nem a sua competência histórica. Ele ainda é o que atinge mais diretamente o público-alvo. Seus arranjos são os mais simples, o que torna as canções mais diretas e facilmente assimiláveis, como é o caso desse disco, que traz também um Gusttavo Lima evidentemente mais maduro, mais profissional e mais consciente de sua importância no atual cenário sertanejo. Não à tôa, o disco já é sucesso de vendas e os shows do “inventor dos amores” estão sempre lotados. O grande nome de 2012? Pelo jeito sim.

Nota: 9,0

26 comentários
  • Anônimo: (responder)
    3 de fevereiro de 2012 às 22:49

    Amei

  • Anônimo: (responder)
    3 de fevereiro de 2012 às 22:51

    Na música 60 segundos , tu tá um baita de um gostoso !

  • Milford Anton: (responder)
    14 de julho de 2013 às 20:10

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.