27 dez 2013 | Reviews
REVIEW – Jorge & Mateus – At The Royal Albert Hall – Live in London

Já faz muito tempo que a dupla Jorge & Mateus merece um DVD de grande porte, para um grande público. Os que eles lançaram para um público maior (o “Elétrico” e o “Ao Vivo sem Cortes”) sempre foram paralelos aos de carreira ou, como no caso dos DVDs Villa Mix, divididos com outros artistas. É estranho pensar que a dupla número 1 do Brasil ainda não tinha um trabalho assim. Este novo DVD preenche esta lacuna, mesmo sendo um DVD de coletânea, como a própria dupla faz questão de ressaltar. Mesmo assim, tem muito mais a cara de um DVD de carreira, já que, ao contrário dos outros DVDs de coletânea que a dupla lançou no decorrer da carreira, este não foi apenas o registro de um show, mas um projeto todo pensado e preparado justamente para mostrar aonde Jorge & Mateus conseguiram chegar.

Tudo começa pela escolha do local da gravação. É a primeira dupla sertaneja com um trabalho consolidado no Brasil a gravar um DVD no exterior. E em Londres, ainda por cima, talvez a cidade de maior importância para a história da música, dada a quantidade de mega talentos que ela viu nascer e que exportou para o resto do mundo. E como se não bastasse ser em Londres, ainda gravaram em um dos mais conhecidos e respeitados recintos de shows do mundo: o Royal Albert Hall, aquele mesmo do DVD da Adele e tal, entre alguns outros.

A outra cartada utilizada com esse mesmo intuito foi a inserção, na harmonia, de cordas em boa parte das músicas do disco. É uma regra básica: tudo com cordas fica mais bonito, mais grandioso e mais requintado. Nunca vi essa fórmula dar errado. Sempre funciona. Mas é claro que em algumas músicas a presença de cordas é ainda mais marcante que em outras. Em “Um dia te levo comigo”, “Pra ter o seu amor”, “Onde haja sol” e “Amo Noite e Dia”, por exemplo, a presença das cordas na sonoridade fez toda a diferença.

A ideia era contar a história da dupla Jorge & Mateus através do repertório, que incluiu desde “Querendo te amar”, a primeirinha, até “Flor”, o último hit, levando em conta a data da gravação. Tanto que não foram inseridas canções inéditas, exceto “Amor pra recomeçar”, do Frejat, que nem é tão inédita assim. E para uma carreira tão bem sucedida num curto espaço de tempo quanto a deles, não dava pra evitar que alguns hits ficassem de fora, como “Pirraça”, “Se eu pedir cê volta”, “Pra quê entender” e “Tem nada a ver”, que mesmo sendo uma regravação da dupla Bruno & Marrone, ficou muito mais marcada com Jorge & Mateus.

Mesmo sem essas no repertório, o disco se desdobra muito bem entre as canções de cada projeto que a dupla lançou na carreira, mas foca mais em músicas dos dois últimos trabalhos antes da gravação: o disco “Aí já era”, cujas canções ainda não tinham ganhado um registro bacana em vídeo (só mesmo como faixas bônus do DVD seguinte), e do “Ao Vivo em Jurerê”, que havia sido lançado pouco tempo antes da gravação deste projeto.

O único problema com relação ao repertório deste disco talvez nem seja culpa do projeto em si. É que o disco demorou muito para ser lançado – estratégia comercial, já que o “Ao Vivo em Jurerê” continua vendendo bem até hoje – e as músicas inéditas recentes da dupla, lançadas durante a campanha publicitária com a Bavária, ficaram meio perdidas agora, sem um disco físico que as apóie. Na verdade, o mercado já espera um disco inédito da dupla. Um disco cheio de regravações, entretanto, é quase um balde de água fria. E como este DVD é um lançamento bem recente, é provável que não vejamos o lançamento de um disco de inéditas tão cedo quanto esperamos.

Sobre a única música do DVD que não fazia parte do repertório da dupla, “Amor pra recomeçar”, algumas pessoas observaram, corretamente, que o arranjo ficou muito parecido com o da música “Pra que entender”, que a dupla lançou há uns dois anos. Fora isso, o Jorge cantou de uma forma muito próxima à do Frejat, que compôs e gravou a versão original.

Apesar dessas observações, em termos de repertório e produção musical (assinada mais uma vez pelo Dudu Borges) não há o que dizer de negativo do disco. Não se trata meramente de uma coletânea de sucessos da dupla Jorge & Mateus. É praticamente um passeio pela história recente da música sertaneja, já que quase todas as músicas são, de fato, hits de nossa época. Não quero aqui causar a ira dos fãs de outros artistas sertanejos que alcançaram o sucesso de 10 anos pra cá, mas não dá pra negar que a quantidade de hits que Jorge & Mateus emplacaram nesse período é, sem dúvida, enorme. Talvez a maior entre os artistas dessa mesma geração. Isso sem serem os reis do rádio e do ECAD, mas apenas através da sempre sólida agenda de shows. Eles alcançaram, com um método diferente de trabalho junto às rádios e sem uma exposição exagerada na mídia, o status de artistas número 1 do Brasil, o que é impressionante. E talvez tenha sido esse o grande aspecto que faltou neste projeto, pelo menos na parte visual: reconhecer de fato a grandiosidade da dupla.

Deixa eu explicar meu ponto de vista. Este DVD foi dirigido por uma equipe gringa, com o Hamish Hamilton na direção geral e o Al Gurdon na direção de fotografia. Esses caras já trabalharam com gente do naipe da Beyoncé e Madonna, só pra vocês terem uma ideia. Basta uma pesquisa no Google pra constatar isso. Mas acho que ninguém conseguiu explicar muito bem pra eles o tamanho desse projeto e da dupla Jorge & Mateus. É que apesar da cenografia caprichada nos painéis de LED em conjunto com a arquitetura do local da gravação e de alguns belos takes do Royal Albert Hall, faltou dar à dupla um tratamento mais grandioso, conforme o próprio projeto pedia.

A iluminação do público, por exemplo, oscila de forma meio simplória entre o azul e o vermelho, e quase não foram incluídas tomadas que valorizam a interação do Jorge com o público, algo que é uma das suas principais qualidades, ou da emoção do próprio público, formado basicamente por brasileiros absurdamente felizes por poderem acompanhar a gravação do DVD de seus ídolos no país no qual foram tentar a vida. Eu estava lá na gravação e testemunhei essa emoção do público. Cantaram tudo. Mas o DVD registrou, no vídeo, muito pouco dessa energia.

Os caras preferiram, entretanto, se preocupar mais com a inclusão da logomarca da dupla nos painéis de LED em quase todos os intervalos entre uma música e outra, como se estivessem achando que o público presente não sabia de quem se tratava, já que eles próprios, aparentemente, não sabiam ou ainda não tinham entendido muito bem. Talvez se os diretores tivessem passado uma temporada acompanhando a dupla aqui no Brasil, eles entendessem melhor o tamanho e a importância dos artistas que eles estariam filmando no dia 20/09/2012. No fim das contas, a direção visual, que tinha tudo para ser acachapante, é apenas correta.

Não entendi muito bem, também, a necessidade de se incluir a expressão “At The Royal Albert Hall” no título do disco, já que, convenhamos, só uma pequena parcela do público da dupla entende o simbolismo e sabe a importância dessa casa para a música internacional. Como atestado de importância do projeto, apenas a expressão “Live in London” já causaria o efeito desejado, imagino.

Mesmo assim, no conjunto geral, o DVD consegue atingir o objetivo, que é consolidar a dupla Jorge & Mateus no seu devido lugar: o topo. Não que eles precisassem de um projeto para atestar o óbvio. Mas nem que seja apenas uma mera formalidade, é sempre bom ter algo em que se apoiar quando alguém questionar o porque da dupla ser considerada a maior do Brasil na atualidade.

Nota: 9,5

Em tempo, segunda-feira coloco no ar uma entrevista realizada com a dupla no último sábado para comemorar o fim do ano. Fiquem atentos.

30 comentários
  • maykao: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 18:55

    e a dupla numero um do brasil, tudo que fazem sao bons indiscutivel a qualidade deste trabalho e bem acima… na minha opiniao so falto incluir mais musicas ja que se tratava de uma coletanea mas muito bom mesmo…a melhor dupla do pais. pelo amor de deus jorge e mateus.

  • Reinaldo: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 19:07

    Foi mesmo um balde de água fria esse DVD, essas músicas ficaram muito melhores nos discos anteriores, não gostei da forma como o Jorge interpretou essas músicas. Se quero ouvir essas músicas prefiro ouvi-las nos seus Cds anteriores. Não gostei mesmo desse disco nem entraria nas 10 melhores do ano para mim. Apesar de reconhecer o talento desses caras.

  • Lucio: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 19:19

    Pra mim, a nota real seria um 7,0 isso com muita força de vontade de ver e escutar o DVD.

  • Reinaldo: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 19:46

    Para mim a nota seria 4,0.

  • LUCIANO SILVA: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 20:40

    Gostei do trabalho, para mim bastante verdadeiro, assim como teria que ser todo AO VIVO. Podemos notar erros no sincronismo das vozes, 2ª voz menos formalizada que nos CDs, pouco tratamento do áudio para correções de oscilações no volume, o timbre dos violões não foi maquiado e é o som original dos instrumentos, até a bateria que costuma ser muito pasteurizada soou bem.
    Como a dupla têm um bom repertório com certeza ficariam boas músicas de fora e ficaram: Amor não é jogo de azar, Mistérios, Diga sim, Espelho, uma mais sertaneja como Meu Desespero e outras. No entanto, não comprometeram o resultado final. Minha nota é 10 por dois motivos:
    1) é uma dupla que tem aproveitado o sucesso e o dinheiro ganho para investir na qualidade dos trabalhos. Quando pegamos a discografia fica claro a evolução da dupla e da qualidade do repertório sempre em ascensão.
    2) gosto de ao vivo, AO VIVO.

  • Raphael: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 21:28

    Temos que tirar o chapéu o boné p J&M a dupla numero 1 do Brasil no quesito MÚSICA mas a falta de sintonia entre eles é grande e alguns shows q assisti parece que não se falam e são distantes isso hoje ta ruim de se ver fora os boatos que não ficam no msm andar de hotel,nao voam juntos e tal.Lembrem são BOATOS mas a imagem que passa é essa e se for verdade será uma decepção para todos nós artistas e fãs do mundo todo. Acredito e espero que seja boato.

  • Jonas: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 22:04

    Por mais que eu goste de J&M, o dvd ficou devendo. Uma nota real sendo exigente seria 4,5 e relevando alguns pequenos erros seria 6.

  • ueslei: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 23:22

    Coletania muito boa, gosto quando eles dão uma atualizada nas versões, é como disse o colega um ao vivo ao vivo hehe.
    Só ficou complicado lançar esse DVD tão tarde, os fãs já esperavam o Cd novo com inéditas jogada ruim de mercado essa em.

  • Larissa Macedo: (responder)
    27 de dezembro de 2013 às 23:44

    Adorei seu review e apesar de não entender sobre muitas coisas no aspecto profissional, e mesmo sendo fã e inegavelmente qualquer coisa que eles façam, já é 10 pra mim, concordo com sua nota, e até abaixaria pra 9. Mas esse 1 pontinho, é completamente responsabilidade da equipe PRODUTORA desse DVD. A parte VOCAL dos meninos, todo repertório, a voz do Mateus e do Jorge PRINCIPALMENTE, pra mim são impecáveis sem tirar nem por, perfeitamente do jeito que está. Esse 1 pontinho vai exclusivamente “culpa” de quem dirigiu isso. Eu quero dizer cenograficamente, ou efeitos especiais. Não que eles precisam, MIL VEZES um dvd e um show de uma dupla como eles, que as pessoas saem encantadas, e sem fundos tão trabalhados, do que um show completamente artificial, e o repertório é uma bosta. Digo, que no natal ganhei o dvd do Luan gravado na arena maeda, em Itu, e dos meninos (Já tava agoniada com esse papai noel atrasado!!! Rs) E sinceramente, apesar de também gostar do Luan, achei injusto a MINHA comparação e o olhar que tive comparativo dos dois. Luan tem muito a crescer ainda, e teve um dvd diga-se de passagem IMPECÁVEL em quesito efeitos especiais. Ele disse no começo que seria um mundo onde as pessoas realizariam seus sonhos. E realmente, só de VER o dvd eu já fiquei paralisada. Cada detalhe feito que meche com o emocional de quem foi, e quem assiste. Mas o negócio é que esse lema, essa frase, e esse MUNDO DE SONHOS, DEVERIA ESTAR NO DVD DE JORGE E MATEUS! POIS NÃO há uma pessoa em sã consciência, que não saia do show deles sem dizer apenas elogios. A gente se realiza, no show deles. E isso se aplicaria a gravação de dvd DELES!!! Não digo pra criar uma have no show deles, pois não cabe ao perfil do trabalho. Mas acho sim que deveriam ter aflorado essa parte cenográfica, E com efeitos especiais do dvd deles (repetindo que não precisam, mas se trata de um DVD), mas tenho absoluta certeza que isso não refletiu e muito menos atrapalhou o resultado final do mesmo, nem a carreira consolidada, honesta e brilhante deles!!! Sou fã, completamente apaixonada pela parte artística da dupla, e pessoal.
    E só respondendo a um comentário de alguém que está indo por comentários alheios que a dupla iria se separar… Fui no ultimo show do ano (Citibank hall, domingo dia 22 de dezembro de 2013) agora, e vivi o show mais emocionante deles que já fui. E quem estava lá, sabe. E caso duvide das minhas palavras, me responda aqui que eu posto o link do vídeo que comprova o que eu digo. Jorge emocionadíssimo disse que desde que eles formaram a dupla, as pessoas SEMPRE quiseram separar ele e Mateus. Mas eles fazem o que AMAM, SE GOSTAM, e que nós fãs não devemos dar ouvidos a quem gosta de plantar a discórdia. Ou seja, A DUPLA NÃO VAI SE SEPARAR! E sim, há boatos e eu não duvido que eles algumas vezes ficam em hotéis diferentes. Não andam nos mesmos carros. Acredite, NÃO MORAM JUNTOS, NÃO DORMEM JUNTOS! ESPANTO??? Não! Jorge e Mateus são DUAS pessoas muito diferentes, cada qual com seu jeito carinhoso de tratar seus fãs. Eles tem uma vida PESSOAL. Jorge é casado. Mateus namora! Eles são NORMAIS! Até com a pessoa que você mais ama no mundo, você não suporta viver 24 horas grudado. Não espere que eles dois, por maior carinho que tenham um ao outro, e que eu não duvido do amor de IRMÃO que é recíproco de ambas partes, eles não são obrigados e nem querem viver colados. Entendam que uma dupla não são uma pessoa só. E sim duas, com vontades, necessidades, gostos e jeitos DIFERENTES, E nós, fãs e admiradores (e até quem não curte), temos a OBRIGAÇÃO de entender e respeitar!!!
    Faz tempo que eu não falo nada aqui Marcão, mas falou deles, já corri pra ler!! PS: sua filha é linda demaiiiiiis, que Deus a abençoe! Boas festas!!! :*
    Larissa Macedo

  • Paula Castro: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 00:12

    Bom depois desse comentário da minha amiga Lari fica meio dificil dizer mais alguma coisa kkkkkkkkkkkkkkkk Bom eu sou fã e suspeita pra falar , porem concordo Marcus com a sua analise em relaçao a produçao.. o publico aparece pouco e quem conheçe a dupla sabe de como eles se entregam aos fãs .. Essa parte ficou devendo .. Mas isso n muda nada em relação a qualidade musical do dvd .. Não é por acaso que os meninos se tornaram os numero 1 do Brasil.. existe muita mais.muita mesmo compentência , talento , e amor aos fãns e ao trabalho .. qualidades que fazem de fato um artista , n adianta só compor uma musica chiclete e depois sumir .. É preciso ser bem mais.. pra emplacar os maiores sucessos há 8 anos ! Bom é isso Marcus , adoro o blog , parabéns pelo trabalho e ótimo fim de ano !

  • Fernando Bedana: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 01:21

    O trabalho da dupla Jorge & Mateus anda decepcionante ultimamente. O show deles mostra uma desunião enorme entre eles (tanto no contato como na sincronização das vozes). Além disso, a dupla demora barbaridade para lançar um single novo e a antipatia de Mateus com o público está acabando com a reputação da dupla. Confesso que não me interessei em ouvir o novo CD/DVD deles que, pelo que eu li, só tem regravações dos sucessos da dupla. Espero um trabalho deles no nível de “Aí já era” e uma sintonia melhor entre eles.

  • Luiz Fernando: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 11:09

    Cara, eu não gosto do Jorge cantando ao vivo.

    • Juca: (responder)
      28 de dezembro de 2013 às 14:39

      Ufa!!! Achei que era só eu que não gostasse. Deram uma nota altíssima para este DVD, para mim no máximo chorando 5,0.

  • @ariomester: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 11:24

    Qual o espanto com a direção gringa do DVD? No exterior, em particular na Europa, é assim que é feito. Ao Vivo é Ao Vivo, com alguns overdubs, muito diferente do que fazem por aqui – gravam e editam absolutamente todo o áudio em estúdio com semanas de antecedência e vão ao vivo gravar as pessoas chorando e gritando, essencialmente.
    O mesmo para a direção visual. O registro do show registra o show, diferente do que fazem aqui, onde o registro do show é um cartão de visita para contratantes verem as pessoas que estão no show.

    Por mais que Jorge e Mateus, Gustavo Lima, Luan Santana ou qualquer outro artista do gênero sejam grandes nomes no Brasil, fora daqui eles não são grandes nomes, então é natural que para uma produção estrangeira seja mais um entre um monte de artistas desconhecidos que vão lá gravar no Albert Hall ou Abbey Road.
    É uma coisa que rola toda hora por lá – gente do mundo todo vai gravar nesses locais pra fazer o que JM fizeram “gravamos em Londres”, mas para o público, crítica e produção londrinos, é mais um artista desconhecido, mas que faz sucesso em seu país que foi lá gravar seu DVD ao vivo e já voltou pra casa.

    Eu adoraria que os artistas brasileiros tivessem carreiras internacionais, sem ter que cantar em inglês ou espanhol, com agenda sólida e reconhecimento pela crítica, mas acho muito difícil.

    Os escritórios em geral não querem artistas de carreira, querem dinheiro rápido e fácil. Os produtores e arranjadores não querem elevar o nível dos arranjos para o patamar das grandes produções, não querem ousar e criar novas formas musicais, nem mesmo dar uma identidade musical aos artistas. E hoje em dia dá-se muito espaço a composições simplistas demais, que só fazem sentido para um público “baladeiro” brasileiro e muito pouco a canções mais universais, ou globais.

    Se a ideia era só gravar num local diferente de Goiânia ou São Paulo, ok.

    Eu gosto do JM e acho um dos artistas com melhores chances de carreira internacional. Basta dizer que dos artistas produzidos pelo Dudu Borges é o que manteve mais a sua identidade musical e o que mais inovou em arranjos e composições – mérito da dupla. Outro mérito é o repertório, que foge da proposta seguida por 90% dos artistas – funknejo, arrochanejo, música pornográfica etc e mantém uma forte vertente pop rock latina, algo que venderia bem em outros países também. Torço para que sigam pra esse lado, mas acho muito difícil nas mãos da produção atual.

  • Alan: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 11:59

    As produtoras custam a lançar alguém aqui, imagine lá fora. Mas temos um problema:o mercado inglês e americano são muito preconceituosos com os que “não falam inglês” e etc. Pra estourar lá fora tem que cantar em inglês, e ainda investir em superproduçao, porque eles são acostumados com projetos megalomaníacos. Eles tem medo de investir alto em algo que não pode estourar lá fora.

    • LUCIANO SILVA: (responder)
      28 de dezembro de 2013 às 14:15

      Cantar em inglês principalmente nos EUA é correr risco desnecessário, se acertar a mão e gravar um grande sucesso vão criar uma maneira de falar que é plágio. Basta ver “Feelings” do brasileiro Albert Morris, após quase oito anos de julgamento declaram que a música era um plágio de Pour toi de Loulou Gastè. O início da música lembra mesmo, mas o restante da canção não tem nada a ver. E a pergunta que ficou no ar é: como alguém poderia plagiar e fazer melhor? Se fosse assim teríamos muitas outras Feelings e seria a fórmula do sucesso. Cantando em português também não se está livre das jogadas americanas, Jorge Ben que o diga, vítima por duas vezes não levou a melhor em nenhuma delas e o pior ainda estaria por vir. Numa luta judicial contra Rod Stewart ganhou, mas não levou. Desfecho, o criminoso virou Robin Hood, pois os direitos autorais foram doados ao Unicef para auxiliar crianças carentes, ou seja, se o Jorge Ben lutasse para recuperar esse dinheiro seria o “malvado” que não ajuda os necessitados.
      Fontes:
      Matéria sobre plágios
      http://veja.abril.com.br/140499/p_126.html
      Música Pour toi – original
      http://www.youtube.com/watch?v=xiMJD9m0jaI
      Música Pour toi – plágio de feelings que seria suposto plágio de Pour toi – original.
      http://www.youtube.com/watch?v=jOYg5USO5R0

      • Alan: (responder)
        28 de dezembro de 2013 às 16:18

        Por isso acho que contratar um compositor nativo dos Eua para criar uma música pop que se adequar as rádios americans e sem perder a cara da dupla. Sem contar no investimento no marketing e na divulgação, e claro, numa turnê com médios e grandes shows.

      • Luciana: (responder)
        29 de dezembro de 2013 às 14:24

        Luciano, há um caminho mais fácil que compôr em inglês e correr o risco de que a canção seja apontada como plágio, que é pegar canções que fazem sucesso aqui e criar as versões em inglês. Versões e paródias são consideradas novas obras, bastando pra isso citar o compositor original e obter a autorização do mesmo antes de fazer o registro (e creio que se tivessem feito isso no caso de “Feelings”, não haveria nenhum problema). Roberto e Erasmo foram mestres nisso, e acho que o Sullivan também tem algumas boas versões. Veja o caso da música “Boteco de esquina”, onde Victor e Leo fazem um sample de “Fio de Cabelo”: nenhum processo de plágio rolou, porque eles citaram no registro que existe o “sample”. Enfim: eu creio que em se tratando de arte, tudo é permitido desde que se haja com boa-fé. E no caso de grandes artistas e gravadoras, essa “autorização” é obtida num estalar de dedos, porque todos os lados saem ganhando. Sinceramente, ainda não entendo como ninguém ainda observou isso, rs.

        • Luciana: (responder)
          29 de dezembro de 2013 às 14:28

          Em tempo: “aja”, sem “h”…

  • Juca: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 14:38

    Ufa!!! Achei que era só eu que não gostasse. Deram uma nota altíssima para este DVD, para mim no máximo chorando 5.

  • Junior: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 20:17

    Eu acho engraçado a inclusão de cordas nos arranjos! Como é que um “arranjador” que não sabe sequer ler partitura pode ter a habilidade de escrever para cordas? Alguém me explica?

    • Marcus Vinícius: (responder)
      29 de dezembro de 2013 às 01:44

      já ouviu falar de solfejo? Basta solfejar para alguém que saiba escrever partituras.

      • @ariomester: (responder)
        29 de dezembro de 2013 às 13:49

        Djavan faz muito arranjo assim, ele mesmo diz que não entende bem a escrita musical formal.

      • Junior: (responder)
        30 de dezembro de 2013 às 14:20

        Ahhhhh bom!! Entao aí sim!!!

      • Junior: (responder)
        30 de dezembro de 2013 às 14:35

        Me desculpem, mas isso não é justificativa.
        Solfejar uma melodia de canto popular, ou uma linha melódica de instrumento de corda uníssono ou sopro, já é uma habilidade que, segundo o que conheço, é pra poucos.
        Se formos falar em solfejo de linha melódica de violinos, que representam a melodia principal do grupo de cordas, temos uma gama de articulações e técnicas de escrita extremamente complexos. Somente quem toca o instrumento ou no caso um arranjador de verdade sabe como escrever.
        Isso sem falar em encadeamento de vozes do naipe.
        Não é assim tão simples.
        Mas… o resultado está aí! Linhas melódicas cruzando com as linhas vocais, frases de cordas que não terminam, tudo no lugar errado…
        E todo mundo achando que ficou lindo!!
        Peguem um grande produtor e arranjador americano e veja a diferença. David Foster, por exemplo.
        “Ah, é só solfejar”… Isso não é desculpa, minha gente!!
        Estou simplesmente defendendo quem é capaz de realizar um trabalho dessa magnitude com propriedade.
        Luis Gustavo tinha que ter escrito essas cordas, aí sim a diferença ia ser brutal!!

  • @ariomester: (responder)
    29 de dezembro de 2013 às 13:56

    Sobre carreira internacional acho que temos algumas coisas a considerar. Primeiro que não adianta um cantor indiano mega sucesso na India tentar enfiar seu sucesso goela abaixo do mundo todo imaginando que vai ser mega sucesso mundial por causa disso. O que o artista tem que fazer é começar do zero de novo em escala internacional, garimpar público, fazer shows pequenos, tentar parcerias de divulgação e tentar achar um público que compre a sua música. Esse é o caminho.
    Tem um artista latino – Luis Miguel – que tinha nos anos 2000 um dos shows mais caros do mercado, da ordem de milhões de dólares, sem nem pisar nos EUA – só pra gravar, em espanhol – indo de vez em quando na Europa, mas focando na América Latina. É uma carreira internacional, são shows hiper lotados, super produzidos, mas de um artista que começou a garimpar público lá nos anos 1980, fazendo a via crucis dos artistas – fazer uma musica bacana e ver onde ela floresce. O caminho é esse.

    Acho que tem muito público pra música do Jorge e Mateus, Luan Santana e outros sertanejos mundo afora, mas pode ser que não seja o mesmo público da Beyoncè ou Rihanna. Os artistas vão ter que baixar a bola, começar do começo em outros lugares e irem conquistando seu espaço com o tempo. Aqui no brasil foi a mesma coisa – com o tempo chegaram onde estão agora. Minha opinião.

    • Luciana: (responder)
      29 de dezembro de 2013 às 14:39

      Excelente a sua colocação, @ariomester!

    • LUCIANO SILVA: (responder)
      29 de dezembro de 2013 às 21:19

      Bom comentário @ariomester.
      No entanto, nos States eles tem uma certa preferência pelo idioma espanhol, por isso Júlio Iglesias, Ricky Martin e o Luis Miguel se deram bem. O caminho apontado no seu comentário pode se complementar com as ideias do Alan (contratar compositores nativos)e da Luciana (Versões de sucessos). Acho que a soma dessas três observações pode dar certo.

      • @ariomester: (responder)
        29 de dezembro de 2013 às 22:14

        Nos EUA há uma comunidade hispânica muito grande, o que talvez facilite cantores hispânicos ou que cantem em espanhol, eu acho. Assim como os que cantam em inglês com sotaque hispânico como Gloria Estefan, Ricky Martin, Marc Anthony e outros.
        Eu não gosto de “Ai Se eu Te Pego”, mas ela mostrou que o Brasil tem ritmos e melodias populares que podem ir bem além das nossas fronteiras. Ai Se Eu Te Pego é uma vaneira simplezinha, mas que mesmo assim já encantou muita gente principalmente na Europa. Arrocha é um ritmo romântico em sua origem, basta ouvir os principais expoentes do gênero- Tayrone Cigano, Pablo, Silvanno Salles e é uma coisa pouco explorada, mas muito interessante. Existem algumas levadas do norte como carimbó e um songo modificado que a Banda Calypso explora o tempo todo (tipo Xonou, Xonou, esse tipo de pegada) que exploradas da forma certa também podem despertar a atenção das pessoas em outros países tanto como uma coisa “exótica” quanto uma coisa legal que ainda não tinham escutado. Em relação à América Latina devemos lembrar que a polca, vaneira, chamamé e um monte de levadas sertanejas são fronteiriças do Brasil com o Uruguai, Paraguai e vizinhos; então já é um elemento de intercâmbio cultural muito interessante que os artistas sertanejos fazem muita vista grossa. Acho que é mais uma questão de achar o público e a música certas que vai funcionar. Isso toma tempo, é desgastante mas pode ser bastante recompensador. E claro, precisa de uma imagem internacional, não pode ser um rapaz caipira com blusa xadrez porque isso só faria sentido pra gente. Por isso gente como Jorge e Mateus, João Bosco e Vinicius, Luan Santana, Gustavo Lima e outros com uma imagem mais pop internacional teriam melhores chances no exterior que o Trio Parada Dura, por exemplo. É a minha opinião.

      • Luciana: (responder)
        29 de dezembro de 2013 às 23:50

        Existe uma outra coisa a qual estamos nos esquecendo de citar também. O norte americano é culturalmente instruído desde a infância a gostar do “fruto da terra”, ao contrário do que acontece conosco e com as demais culturas latinas, que somos mais abertos ao que é diferente. Neste ponto, eles são muito mais conservadores que nós. Um bom caminho neste caso são as parcerias com cantores de lá. Neste caso específico, eu acredito que a Paula Fernandes está fazendo um excelente trabalho: gravou com a Taylor, com o Juannes, com Michael Bolton (uma versão linda no ritmo de bossa de Somewhere over the rainbow, pra quem tiver interesse de assistir, o link é este: https://www.youtube.com/watch?v=T0UOUF1c4C0) e já anunciou uma parceria com a Shanya, ou seja, aos poucos já vai galgando seu espaço, fora que ela sempre aproveita pra colocar alguma canção em inglês nos DVD’s. Como o amigo disse acima: o caminho é longo, tem que descer alguns degraus para subir outros tantos depois. Resumindo: os caminhos existem. Basta que se saiba aproveitá-los.

Redes sociais
Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.