23 dez 2011 | Notícias,Reviews
REVIEW – Leonardo – “Nada Mudou”

Antes de escrever sobre este disco, é importante salientar que o Leonardo pós Leandro não me agrada muito como artista. Mas isso é um gosto pessoal. Não me identifico muito com o estilo que ele resolveu adotar e que a cada disco ele deixa mais e mais escancarado: o de cantor sertanejo brega, na falta de uma palavra melhor para definí-lo. Não quer dizer que eu não o admire e que não reconheça sua importância. Poxa, é o Leonardo. Mas é meio complicado escrever sobre um disco de um estilo com o qual eu não me identifico muito. Tento fazer o máximo para não deixar o contexto do que vai ser escrito ser influenciado pelo meu gosto pessoal.

O disco “Nada Mudou” é mais uma subida de degrau do Leonardo na escada rumo à sua transformação em um cantor do tipo “Reginaldo Rossi”. Não chega a ser uma entrega completa a essa faceta que há anos ele vem desenhando para si. Mas boa parte das músicas do disco o levam justamente para esse lado, enquanto a outra parte tenta segurá-lo mais um pouco na música sertaneja, por mais difícil que esta tarefa esteja ficando a cada disco.

Mas entendam: isso não quer dizer que seu trabalho caiu de qualidade. O Leonardo trabalha com um dos principais produtores da música brasileira, o Luiz Carlos Maluly, responsável pelo mais recente DVD da Paula Fernandes e pelo excelente DVD “Esse Alguém sou eu”, que o Leonardo lançou há 3 anos. Só isso já é garantia de qualidade. O Maluly é excelente em extrair do artista a sua exata identidade. Outros produtores imprimem suas marcas nos trabalhos, enquanto o Maluly imprime a marca do artista e não a dele. Se ninguém fala, simplesmente não dá pra saber que ele é o mesmo produtor de artistas como Edson & Hudson ( no auge da carreira), Bruno & Marrone (no Acústico I), Paula Fernandes (no DVD), Roberta Miranda (no sensacional CD “Senhora Raiz”) e Leonardo. São trabalhos de linhas completamente diferentes e todos com alto padrão de qualidade.

O disco já abre com uma música com o mais alto grau de “breguice” possível. Uma versão do clássico “Stand by me”, parte em inglês e parte em português. A música foi simplesmente transformada num bolerão, daqueles bem tradicionais, do tipo que as bandas baile tocam em dia de formatura na hora que o povo chega para a festa e começa a se acomodar nas mesas. E ainda tem uma declamação no final para “fechar com chave de ouro”. O instrumental pesado, com sopros bem tradicionais, elevam ainda mais o caráter nostálgico da canção.

Ironicamente, outro bolerão do disco é uma regravação de um clássico do já mencionado Reginaldo Rossi: “Leviana”. Leva os já conhecidos arranjos de nylon comuns aos boleros mais tradicionais. A música “Sem Vergonha e sem juízo”, esta não tão puxada para o brega quanto as outras, traz um pagode no refrão. É uma regravação de uma canção da dupla João Pedro & Cristiano, que já fez pate da Talismã. “Vida nova, novo amor” resgata a velha guitarrinha dos anos 90, aliada a um piano no arranjo inicial, o que garante um toque beeeem retrô à introdução da música.

Exaurida a ala “brega” do disco, o repertório traz uma grande quantidade de canções mais comuns ao trabalho solo do Leonardo, com muito romantismo inserido em canções lentas que valorizam os violões dedilhados ou os pianos. A música de trabalho, “Baby, fala pra mim” é praticamente inteira dedilhada e traz o violão como principal elemento.  A regravação da canção “Nada Mudou”, da dupla Di Paulo & Paulino, que aliás caiu muito bem à voz chorosa do Leonardo, repete o arranjo da versão original com um piano bem melancólico.

Na música “Além do Sol, além do mar”, novamente o piano, mas gravado de maneira mais firme e romantizada, aliada a um arranjo de cordas que, para variar, elevam o nível da canção, como sempre fazem com qualquer música onde sejam inseridos. A música é a mais próxima das canções do Leonardo nos últimos anos. As cordas, aliás, são parte importantíssima desse disco e estão presentes na maioria das harmonias das canções, garantindo um som muito mais grandioso do que teríamos caso elas não fizessem parte da harmonia. Cordas são fodas. Não sei porque tão pouca gente faz uso delas.

O lado extrovertido e beberrão do Leonardo, assim como nos outros trabalhos, está presente em pelo menos 4 canções dançantes, uma delas incrivelmente puxada para o arrocha nordestino, alternando com um axé ao melhor estilo Luiz Caldas, inclusive com uma guitarra bem parecida com as que o pai do axé usava. Das 4 canções dançantes do disco, 3 foram gravadas com ambiência do público, o que evidencia uma preocupação com o mercado sertanejo, que ainda não apresentou sinais de que está se cansando da atmosfera “ao vivo” dos discos.

Uma das canções agitadas do disco, aliás, foi motivo de disputa entre o Leonardo e o Michel Teló. A canção “Beber, beber”, gravada originalmente pelo Guilherme Lopez, foi oferecida aos dois artistas, mas o Leonardo foi mais esperto e comprou a exclusividade da musica. O Michel já estava com ela gravada e tudo para fazer parte do DVD “Na Balada”. No fim das contas, a música teve que ser excluída do repertório do disco.

O lado mais sertanejo do disco fica por conta das canções “Refém”, “Ok” e “Mil Perdões”. A música “Refém” passa a impressão de ter sido composta numa versão um pouco mais pesada, mas neste disco se tornou mais suave, com uma interpretação mais contida e uma harmonia mais sutil, sem clímax no refrão. A mesma pegada do começo da música permanece até o fim. “Ok”, ao contrário da “Refém”, exige mais do Leonardo no refrão, com uma elevação da extensão vocal. É talvez a música mais moderna do disco, com arranjos mais acústicos, valorizando o violão de aço. “Mil Perdões” é a mais sertaneja, de fato. Trata-se de uma guarânia inédita composta pelo Marco Aurélio, gravada com o arranjo tradicional de acordeon, reetendo a música às guarânias sertanejas antigas.

Na verdade eu enxergo este disco como uma continuação natural do disco anterior, apesar de que neste disco há uma quantidade bem maior de canções com potencial para o sucesso. O disco anterior tinha praticamente apenas a “Zoar e Beber”, que era uma música extremamente batida por conta da gigantesca quantidade de versões gravadas com inúmeros artistas ao redor do Brasil. O disco “Nada Mudou” tem regravações, sim, aliás a maioria das músicas é, o que acontece em quase todos os discos do Leonardo, mas por serem músicas gravadas por artistas menores e que não puderam trabalhá-las nacionalmente, surgem como novidades em boa parte do país. “Beber, beber” é uma delas. Uma canção jovem que ainda não é conhecida do grande público e que, por isso, pode ser muitísismo bem trabalhada, com reais chances de sucesso.

Seria uma música ideal para um público jovem. O problema é que o Leonardo cada vez menos se preocupa com o jovem público sertanejo e cada vez mais se volta para um lado retrô, brega, muitas vezes “cafona” da música sertaneja. Não que isso seja ruim. É, aliás, louvável quando um artista de outras épocas reconhece o seu lugar como medalhão e não fica tendo atitudes desesperadoras uma atrás da outra, com medo de perder espaço para os cada vez mais jovens e empolgados artistas que surgem ano após ano. Leonardo escolheu ser um sertanejo brega. Isso já ficou provado no DVD “Esse alguém sou eu” e de lá pra cá esse lado dele vem sendo cada vez mais lapidado. Em breve, quem sabe, ele poderá ser o mais legítimo representante do brega na música sertaneja.

Nota: 8,5

5 comentários
  • mileciano: (responder)
    26 de janeiro de 2012 às 07:16

    O leonardo tem um estilo próprio, por isso que faz sucesso ate hoje, enquantos outros vem e vão, ele continua ai firme. Eu ouço todas as músicas deste disco, e a primeira música e em ritmo de baxata latina do prince royce que é da mesma gravadora do leonardo eu acho, esse ritimo faz muito sucesso em espanhol.

  • Antônia: (responder)
    7 de maio de 2012 às 13:42

    Eu tenho apenas 20 anos e acho lamentável hoje falarem que Leonardo é brega. Se você considera ‘Ai se eu te pego ” Tche terere ” Le le le ” e ” Tchu tcha tcha ” sertanejo ai eu até posso entender porque você usou o termo brega quando falou nas canções do Leonardo. Desde 1999 ficou claro que Leonardo passou de sertanejo para um cantor sertanejo romântico e é isso que eu vejo. Ele cantou sim músicas de Reginaldo Rossi e Valdik Soriano( que fez uma pequena homenagem ao artista que admira desde pequeno) e não vejo mal nisso . As músicas do Leo tem letra emociona não é apenas hits que só tem desmoralização com a mulher e só enfatiza a sexualidade como os hist que sitei a cima.

  • Willis Zetina: (responder)
    14 de julho de 2013 às 14:11

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  • RODRIGO ALVES: (responder)
    14 de junho de 2014 às 09:05

    CARA TU ESTAS COM ENVEJA DO MELHOR CANTOR DA MUSICA SERTANEJA, VOVÊ DIZ QUE LEONARDO NÃO SE PRELCUPA COM A JUVENTUDE, TÁ COMENDO MERDA É!
    LEONARDO CANTA O QUE MAIS GOSTAMOS, O ARROCHA DO BRASIL, E O QUE É QUE VOCÊ GOSTA?
    NÃO VAI ME DIZER QUE É SERTANEJO UNIVECITARIO, POR QUE ISSO LEONARDO JÁ FAZ A MUITO TEMPO,
    A FINA CADA ANO LEONARDO SE RENOVA, SE ATUALISA, E É O CANTOR SERTANEJO QUE MAIS VENDE CDs NO BRASIL, NOZ ESTAMOS FALANDO DO REI DA MUSICA SERTANEJA, IDIOTA, LEONARDO É O REI PORRA, AGORA VAI TOMA NO OLHO DO SEU _ _.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.