13 set 2011 | Notícias,Reviews
REVIEW – Marcos & Belutti – Sem me controlar – Ao Vivo

Sim, eu sei que estou em dívida com relação aos reviews. Muitos leitores do Blognejo me cobram análises dos discos recém-lançados. E eu, por conta dos problemas do dia a dia, acabo adiando a postagem destes textos. Além do mais, pelo fato de eu estar pelejando novamente com minha carreira musical de aproximadamente 8 anos, muita gente acha anti-ético da minha parte escrever sobre o trabalho dos artistas sertanejos e simplesmente dar uma nota, como de praxe. Mas como eu sempre fiz questão de ressaltar, minha vidinha fora do Blognejo é uma coisa, aqui é outra. Mas acontece que tem muita gente que não consegue separar as duas coisas. Tem uns que chegam ao cúmulo de atacar meu trabalho musical só para me ofender por conta do Blognejo. É hilário. Mesmo assim, para não deixar essa parcela de leitores na mão, não pretendo em momento algum deixar de postar textos sobre os discos lançados, mesmo porque esse sempre foi um dos propósitos primordiais do Blognejo. A partir dessa semana, por exemplo, já estou programando a postagem de alguns textos do tipo. A começar por hoje.

Já é um fato conhecido por todos que Marcos & Belutti são uma das melhores duplas surgidas nos últimos quatro anos em questão de talento. Além de grandes compositores, são absurdos como intérpretes. O Belutti tem uma das vozes e interpretações mais marcantes e bonitas da nova safra sertaneja e o Marcos é sem dúvida um dos melhores segundeiros que eu já vi em ação. O DVD “Sem me controlar – Ao Vivo”, lançado recentemente pela Som Livre, chega ao mercado com o intuito de finalmente consolidar a dupla como um produto de fato comercial.

Quando a dupla surgiu para o Brasil, foi com um DVD impressionante, perfeito, maravilhoso, mas que não foi assimilado pelo mercado sertanejo da forma que merecia justamente por não ser comercial, o que inclusive é reconhecido pela própria dupla. Isso acabou gerando uma certa bagunça na divulgação daquele trabalho, com lançamentos posteriores de diversas músicas de trabalho “avulsas”, que não faziam parte daquele primeiro disco. Este problema com a divulgação só começou a ser resolvido com o lançamento do segundo disco, que trazia a música “Sem me controlar” e outras que em pouca coisa lembravam as canções daquele primeiro disco. Canções excelentes, claro, mas que buscavam já evidenciar o lado comercial.

Acontece que a muita gente tinha formulado uma concepção sobre Marcos & Belutti a partir daquele primeiro trabalho e meio que estranhou o segundo disco. Só que os próprios sempre fizeram questão de ressaltar: essa era de fato a cara da dupla. A maioria das músicas eram compostas pelos dois, ora bolas. Como então o disco seria uma tentativa de fugir daquilo que realmente eram? Sério, ouvi isso algumas vezes. Não é porque a dupla tinha feito magistralmente um disco que pra mim merece um lugar cativo no cenário “cult” da música sertaneja que eles tem aquela cara. Uma dupla pode, por exemplo, lançar um disco de raiz sem ser de fato uma dupla de raiz, não é mesmo?

Apesar de uma troca de produtores (o CD contou com a produção do Ivan Miyazato, já o novo DVD foi produzido pelo Dudu Borges), a proposta continua sendo a de mostrar este lado que algumas pessoas insistiam em achar que a dupla não tinha: o pop. O disco é composto quase que inteiramente por canções contemporâneas, algumas retiradas dos dois trabalhos anteriores. Mas ao invés de se limitar a ser uma mera releitura de canções da carreira da dupla, o DVD tem como trunfos principalmente as canções inéditas.

“Dupla Solidão”, de autoria do Marcos, é sem dúvida uma das melhores canções do ano, com um arranjo totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir na maioria dos trabalhos lançados. Ao invés do tradicional violão ou da sanfona, a música resgata a guitarra e ainda a mistura com um incrível arranjo de cordas.

A música “Desce do Salto”, de autoria do Tiaguinho (o do Exalta, que virou queridinho dos sertanejos depois de compor a “Fugidinha”) e do Euler Coelho, que conta com a participação do Michel Teló, é também uma das grandes sacadas do disco, justamente por trazer uma pegada diferente e um papo que combina demais com um DVD justamente por exigir o apelo visual. Afinal, quando apenas se ouve o verso “o mais engraçado é que eu sei que quando eu PEI não vai desgrudar de mim” não dá pra entender direito o que se está falando. Só mesmo demonstrando com gestos ou coreografia, como a breve dancinha feita junto com o Michel.

Falando em participações, a música “Um dia a gente se encontra” é outra das grandes canções do disco e traz a participação da dupla João Bosco & Vinícius. Bruno & Marrone, padrinhos da dupla (o Bruno é, na verdade, um dos sócios da EBA Shows, escritório da dupla), dividiram os vocais numa releitura da canção “Bora se Acabar”. Neste ponto, no entanto, um dos deslizes do disco. Afinal ao se colocar o Bruno e o Belutti para cantar uma mesma canção, creio que todo mundo esperava que fosse uma daquelas de arrancar lágrimas do público. Mas de acordo com a própria dupla, uma série de indefinições sobre qual canção seria cantada junto com Bruno & Marrone acabou colocando “Bora se Acabar” no topo das opções. Uma pena, nesse caso, para quem esperava um “duelo” entre dois dos melhores intérpretes da música sertaneja.

O disco ainda traz algumas outras ótimas canções inéditas, como “Nada foi real”, da Amandinha Borges, “Coração Selado”, do Rafael e da Rafela Quadros, a atual música de trabalho, “Nova Namorada”, mais uma do nordeste, de autoria de Elvis Pires e Rodrigo Mell, além de duas de autoria da própria dupla – “Alta Tensão” e “Replay”. O arranjo da música “Alta Tensão”, aliás, tem um arranjo que lembra muito o da canção “Sem me controlar”, com a chamadinha inicial no violão e a vocalização posterior.

Em se tratando de cenário e vídeo, o DVD não traz lá muitas novidades. As grandes sacadas nessa parte foram o elevador no meio do palco, de onde a dupla e o Michel Teló surgiram, e os manejos de câmera, mais evidentes na canção “Dupla Solidão”.

Como eu disse, trata-se de um disco extremamente comercial, para de fato jogar por terra todas as dúvidas que alguém ainda possa ter a respeito do estilo da dupla. Estão totalmente inseridos no mercado, com agenda sempre lotada e o respeito da classe sertaneja. Por mais que muita gente ainda pense neles apenas como aquela dupla romântica do primeiro disco, creio que já provaram que são muito mais versáteis do que se pensa. Só que, como não podia deixar de ser, a maior das ironias é que eles ainda abriram um espacinho no DVD para mostrar aquele lado que fora mostrado no primeiro disco e acabaram entregando a melhor canção do disco e talvez a melhor que a dupla já gravou – “Cartas”. Enfim, a dupla evoluiu para o mercado, mas ainda tem muitas “cartas” na manga para agradarem até os ouvidos e corações mais conservadores.

Nota: 8,5

17 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.