22 dez 2011 | Notícias,Reviews
REVIEW – Michel Teló – “Michel na Balada”

Michel Teló, alardeado como o maior vilão da música sertaneja no ano de 2011, o cara que deixou o segmento em frangalhos por conta das “abominações” que emplacou, primeiro com a famigerada “Ai Se eu te pego” e mais recentemente com o “atentado” às tradições sertanejas mais profundas intitulado “Eu te amo e Open Bar”, enfim lança o seu “ataque final” contra a música sertaneja que ele tanto “detesta”: o DVD “Michel Na Balada”.

Calma, gente, esse primeiro irônico parágrafo do review serve para, mais uma vez, rir um pouco dos exageros e impropérios proferidos contra o Michel Teló por conta das músicas que ele lançou esse ano. “Ai se eu te pego”, perante cuja magnitude muitos que atacaram no começo se ajoelharam, é uma música que conquistou o que talvez nenhuma música sertaneja tenha conquistado tão rapidamente em toda a história do segmento. A canção está disputando click a click com sucessos internacionais uma posição cada vez mais alta no ranking de hists do ano no Youtube. Quem diria que uma música sertaneja chegaria a tanto?

O sucesso da música e do clipe gravado numa casa noturna foi o que motivou a gravação de um DVD inteiro no mesmo formato. Linguagem visual de videoclipe, locações reduzidas, e mulheres, mulheres e mais mulheres maravilhosas decorando a tela. A fórmula que fez o sucesso da música “Ai se eu te pego”. “Ah, a música explodiu por causa do Cristiano Ronaldo”. Entendam: a música já era explosão no Brasil, a dança do Cristiano Ronaldo a tornou, sim, um sucesso internacional.

Vamos por partes, então. Para começar, falemos sobre a qualidade visual do DVD. Antecipando uma tendência e carimbando a importância dos videoclipes para o atual cenário sertanejo, o DVD “Michel na Balada” foi gravado inteiro com textura de videoclipe. Um caminho fora do convencional, é lógico, mas que justamente por isso já é bem mais interessante. Poucos DVDs sertanejos ousaram trabalhar com uma linguagem visual diferente da tradicional. Entre eles, no entanto, temos o Acústico da dupla Bruno & Marrone, de 2001, que deu no que deu. Incompreensível como tanta gente não se arrisca, como preferem seguir pelo caminho mais fácil, mais garantido. A ousadia quase sempre é bem recompensada.

Este DVD não trabalhou com câmeras de cinema, conforme alguns podem pensar. Eu testemunhei a utilização de várias câmeras fotográficas (Canon 5D e 7D), do tipo que hoje dominam as produtoras de vídeo e são a alegria dos fazedores de vídeos para a Internet, por conta da facilidade de se comprar e de se operar uma delas. O custo vai lá pra baixo e a qualidade lá pra cima. Aliás, este é de fato um dos motivos para a grande facilidade que se tem hoje de produzir videoclipes de qualidade. Isso vai ser tema de um texto aqui no Blognejo nas primeiras semanas do ano que vem, com direito a depoimentos de profissionais.

Foram 5 os locais de gravação: Curitiba, São Paulo, Balneário Camboriú, Ribeirão Preto e Goiânia. Nas 5 cidades, casas com capacidade para no máximo 2 mil pessoas. A idéia era trazer um pouco da essência das baladas sertanejas ao redor do Brasil, que aliás são hoje as baladas que dominam o país de cabo a rabo. Gravar em 5 locais diferentes garantiu uma qualidade mais alta por conta da inexistência da tradicional pressão existente em dias de gravação. Ao invés de ficarem todos loucos gravando um disco inteiro e cansando o público durante horas e prejudicando o produto final, apenas 3 ou 4 músicas foram gravadas em cada ocasião, no meio do show de estrada tradicional, o que garantiu uma participação maior do público e músicos mais descansados em cada música.

O cenário, criado em consonância com o tamanho dos locais onde se dariam as apresentações, foi concebido pelo Zé Carratu e chama a atenção ao mesmo tempo pela simplicidade e pelo bom gosto aplicados. Ao invés da obviedade do LED, foram utilizadas estruturas especialmente desenhadas para as gravações e que mesclam o orgânico com os detalhes de luz, como lâmpadas coloridas tradicionais fazendo o contorno das molduras. Em termos de vídeo, ouso dizer que este DVD é talvez o melhor de 2011, tanto pela qualidade quanto pela ousadia em se trabalhar com o simples mas de forma inteligente.

Agora vamos à parte musical. Uma das críticas que muitos faziam ao artista Michel Teló era a de que ele conseguiu, na época da “Fugidinha”, emplacar um grande hit mas o hit não conseguiu emplacá-lo. O repertório não conseguia fazer frente ao mega sucesso da “Fugidinha” e ele não emplacou no mesmo disco um hit à altura. Depois do DVD já lançado, inclusive, tentaram a tática de “repetir a mesma fórmula”. Gravaram a música “Se Intrometeu”, que também era um forrozinho meio puxado para o pagode, foi composta pelos mesmos autores da “Fugidinha” e também trazia um refrão de duplo sentido “leve”. A música, no entanto, não bateu nem de longe o sucesso da “Fugidinha”.

Meses depois, lançaram a “Ai Se Eu te Pego” e conseguiram superar a “Fugidinha”. Mesmo assim, o que mais se ouvia a respeito era que ia acontecer a mesma coisa. No entanto, como pode-se ver na mídia, no sucesso internacional e na presença constante do Michel Teló em festas, programas de TV, canções de outros artistas (como participação), etc, o hit emplacou o artista. Michel Teló é sucesso. A figura mais marcante do sertanejo na atualidade. Daí, naturalmente, surge uma pressão maior. O repertório, desta vez, deve obrigatoriamente corresponder ao sucesso da canção carro-chefe, senão todo o trabalho terá sido em vão. Eu nao sei vocês, mas eu creio que esse objetivo pode ter sido atingido com este DVD

É claro que é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuito difícil que qualquer música deste e de qualquer outro disco alcance a música “Ai se eu te pego” e os seus 85 milhões de views no Youtube, até a presente data. Até porque nenhuma outra tem uma coreografia dançada por mulheres lindas e embriagadas sensualizando para as câmeras. Mas pelo menos o repertório não deixa a desejar em qualidade. A começar pela sensacional canção “Humilde Residência”, que, assim como a “Fugidinha”, inova no ritmo ao incorporar um toque de samba rock, até então inédito na música sertaneja.

Aliás, o DVD é bem incisivo nesse aspecto de “incorporador de ritmos”. Além da “Fugidinha”, que traz um pouco do samba e do pagode, e da “Humilde residência”, com seu samba rock, o disco traz um ótimo “reggaenejo” que contou inclusive com a participação de seu compositor, o irmão/empresário do Michel, Teófilo Teló. Além é claro da “apocalíptica” mistura de gaita de ponto com música eletrônica que causou tanto rebuliço junto ao tradicional e conservador público sertanejo, “Eu te amo e open bar”, que vai merecer uma análise um pouco mais aprofundada daqui a algumas linhas.

Fora essas “viagens” do repertório, com ousadias na mistura de ritmos, é claro que o disco traz canções mais tradicionalmente sertanejas. Entre elas a fantástica “Pra ser perfeito”, mais romântica e que ganhou inclusive um videoclipe paralelo (incluído nos extras do disco), baladas sertanejas com ótima letra e uma agradabilíssima interpretação vocal, como “Coincidência” e “Se eu não for”, e canções dançantes excelentes, como “É Mara”, “Desce do Muro” e “Vamo Mexê”, uma das canções mais legais do ano, e que contou com a participação da dupla Bruninho & Davi, com quem o Michel tinha gravado a música originalmente.

Mas Marcão, e a “Eu te amo e Open Bar”? Você não pode achar uma merda daquelas boa. Pelo amor de Deus, Marcão…“. Não digo que faz o meu estilo de música, claro, mas qual o título deste DVD, afinal? Não é “Michel Na Balada”? E o que é a música “Eu te amo e open bar”? Ora, uma canção de balada. Não é uma canção que vai tocar no rádio, mas é de fato uma música que na hora que derem o play nas baladas, shows, enfim, onde estiver uma galerinha reunida para algum tipo de festa ou em volta de algum carro com um som potente, vai botar todo mundo pra cima.

Não enxergo esta música com o exagero que tantas pessoas enxergam, como sendo o assassinato da música sertaneja, o apocalipse, o fim de tudo aquilo que conhecemos e amamos. Ora, é só uma música. E como música de balada, atende muito bem à proposta do DVD. O fato de ela ter pouca letra (2 frases) e ser mais instrumental pode inclusive ser favorável à ascensão do Michel Teló no mercado internacional, principalmente em países como os EUA, que abominam qualquer outro idioma que não o próprio. É até interessante observar como, sabendo que a ala conservadora do público sertanejo não aprovaria essa canção, o Michel acabou incluindo no repertório um medley de duas tradicionalíssimas canções do cancioneiro caipira: “Telefone Mudo” e “Boate Azul”.

O fato é que o disco está muito agradável aos ouvidos. Muito mesmo. Junta-se a voz afinada e de alta qualidade do Michel Teló com a quantidade reduzida de canções, o que vai contra a mania da maioria dos artistas da atualidade de exagerar na quantidade de músicas nos DVDs, e o repertório muito bem selecionado, que é um dos muitos acertos deste disco, e temos aqui a provável consolidação de um grande artista. Ao contrário do que muitos podem dizer, no entanto, não se trata de um artista qualquer, mas sim de um cara com bagagem, com conhecimento das tradições sertanejas, com talento, com qualidade e que não está colhendo nada além do que sempre buscou e mereceu. Um ótimo disco. O melhor dos três lançados pelo Michel Teló.

Nota: 9,5

38 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.