10 mar 2009 | Lançamentos
REVIEW: O Menino da Porteira – Filme + Trilha Sonora

No ano de 1977 (se não me engano), Sérgio Reis viveu o peão Diogo nas telas do cinema no filme “O Menino da Porteira”, que levou mais de 4 milhões de pessoas aos cinemas. Mais de trinta anos depois, alguém teve a idéia de refilmar o clássico. Mas até onde isso é positivo?

Na verdade, essa foi uma refilmagem no melhor sentido da palavra. O diretor é o mesmo, a história é a mesma e o perfil dos atores é o mesmo. No lugar do cantor Sérgio Reis, o cantor Daniel. No lugar de Maria Viana, Vanessa Giácomo. E no lugar de Jofre Soares, José de Abreu. Mas mesmo sendo uma refilmagem, o diretor tentou modernizar a história dando um ar mais simpático ao casal de protagonistas. No versão original, ambos eram bem mais sisudos.

Pra quem, por incrível que pareça, ainda não conhece a história, trata-se de uma adaptação da letra da música “O Menino da Porteira”, composta por Teddy Vieira e Luizinho, que conta a história de um menino que perdeu a vida ao ser pisoteado por um boi. O filme original foi idealizado devido ao grande sucesso que a música fez na voz de Sérgio Reis. Se o roteiro fosse seguir a história contada na música ao pé da letra, o filme não teria sequer dez minutos. Por isso, provavelmente, fez-se necessário na época a criação de toda uma história acerca do fato de o menino ser pisoteado por um boi.

Ouro Fino, por exemplo, virou uma fazenda (na realidade, trata-se de uma cidade mineira). na canção, o boiadeiro apenas ficava sabendo pela mãe do garoto que ele havia morrido pisoteado. No filme, o boiadeiro assiste ao acidente e fica responsável por dar a trágica notícia aos pais, ao entregar o corpo. Todos os demais elementos do filme foram inseridos para melhor ilustrar a história.

Por ter contado com o mesmo diretor, ainda que a intenção fosse boa, não creio que o filme tenha atendido à proposta de se contar a história de forma mais contemporânea. Há 30 anos, tudo bem. O gosto do público era outro. Hoje, no entanto, o cinema pede uma linguagem mais profunda. Os atores têm que se entregar mais aos papéis e tudo mais. A história deve contar com elementos mais realistas.

No filme, o que se vê é uma atuação num nível de especial de fim de ano por parte da grande maioria dos atores. Nesse ponto, destaca-se o ator Eucir de Souza, que viveu “Otacílio”, o pai do menino Rodrigo, com uma atuação sutil e profunda, justamente como deve ser numa produção cinematográfica. Mas quem rouba a cena, definitivamente, é o menino João Pedro Carvalho, um doce de criança que empresta a ternura necessária ao personagem título.

Daniel está mediano no filme. Seria muito exigir que ele incorporasse uma Jennifer Hudson da vida e, já na primeira atuação, fosse digno de concorrer ao Oscar. Ele não chega a convencer totalmente no papel, mas também não decepciona. Cumpre o papel da melhor forma possível e confesso que era isso que eu esperava dele. O que eu não esperava e achei desnecessário foi o enorme espaço dado ao Daniel cantor e o pouco espaço dado ao ator Daniel. Em quase todas as cenas ele se limita apenas a cantar. José de Abreu também agrada no papel do Major Batista, mas, pela provável influência do diretor em sua atuação, o ator deixou de aprofundá-la de forma mais intensa, como o personagem pedia. A Vanessa Giácomo, apesar de não se mostrar uma grande atriz, encanta no filme devido à exótica beleza. Aliás, seus personagens nas novelas e filmes são, invariavelmente, parecidíssimos com a Juliana do filme. Ela deve tomar cuidado pra não acabar virando atriz de uma personagem só.

Enfim, o tema da morte de um garoto debaixo das patas da boiada não é o que podemos considerar “familiar”. É um tema profundo e seria muito melhor abordado se a narrativa fosse filmada de forma mais densa, exigindo-se mais dos atores e de seus personagens. Nisso, creio que Jeremias Moreira tenha errado a mão. Ele fez, apenas, a lição de casa, contando uma história somente agradável. Não emociona e nem empolga, apenas agrada.

Outro fator que conta pontos contra o filme é o exagero nos figurinos. todos muito limpinhos e arrumadinhos. Um dos personagens, por exemplo, usa um chapéu igual ao do Chaves, aquele do SBT. O Daniel usa um chapéu que não tem uma marquinha sequer de poeira. Ora, ele está ou não na roça? Além disso, a maioria dos personagens usa lenços pendurados no pescoço. Eu, como profundo conhecedor do sertão mineiro, com pai nascido e criado na roça, não tenho lembrança de ver o pessoal com esse tipo de indumentária, nem em fotos. Pra não dizer os coletes e casacos que alguns dos personagens trajam durante todo o tempo.

A trilha sonora, composta quase que somente por músicas cantadas pelo Daniel, empolga mais que o filme, com músicas muito bem selecionadas e produzidas. Valorizaram mais os elementos acústicos, seguindo muito bem a liguagem que o cinema exige. Destaque para as versões de “Disparada” e “Boiada”, além de uma versão de “Meu Reino Encantado”, com o José Camilo na primeira voz. Aliás, o pai do Daniel aparece no filme cantando a música.

Quanto ao filme, agora é esperar pra ver o resultado. Sucesso com a crítica? Não creio. Com o público? Provavelmente o fato de eu ter que assistir o filme sentado na escada, depois de conseguir convencer a bilheteira a me deixar entrar na sala lotada, denote o provável sucesso que o filme fará com o público. Se vai superar a bilheteria do filme original, não sei dizer. Mas mesmo o filme não sendo tão bom quanto o esperado, torço muito pra que consiga alcançar bons números. Filmes com essa temática são sempre bem vindos.

Notas – Filme: 7,0 / Trilha Sonora: 9,0

9 comentários
  • renato: (responder)
    11 de fevereiro de 2012 às 21:48

    eu queria um texto do menino da porteira seus vaguabundos

  • Vantuir Dalbem Soares: (responder)
    20 de maio de 2012 às 13:05

    Em primeiro lugar quero parabenizar o Marcos Vinícius pela bela crítica; que só critica construtivamente, quem realmente tem boa cultura e conhecimento da matéria. Em segundo lugar, quero dizer para esse desqualificado do Renato, que vagabundo é vc e sua turma. Parabéns Marcos!…

  • Freddie Ideue: (responder)
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.