17 jul 2012 | Notícias
Se for inteligente, não é sertanejo…

O título desta matéria pode parecer um pouco pesado, mas acho que traduz bem a intenção deste texto. Dia destes no Twitter expressei minha indignação com a interminável ladainha em torno do que as pessoas consideram e o que elas não consideram “música sertaneja”. Eu sou um eterno crítico deste tipo de pensamento, isto é, desta superioridade que algumas pessoas demonstram quando se sentem capazes de apontar dedos e dizer: “este artista não é sertanejo”.

Confesso que minha obsessão em acabar com esse tipo de mentalidade é tão intensa quanto a vontade que estas pessoas têm de continuar agindo dessa forma. E essa obsessão faz com que eu perca muito tempo formulando teorias sobre os motivos pelos quais essa mentalidade continua aparecendo em uma parcela do público. Independente da teoria que eu formule aqui na minha cuca, uma conclusão é, a meu ver, inevitável: a música sertaneja ainda é vista por algumas pessoas como um segmento desprovido de inteligência.

Esta afirmação parte do princípio de que a cópia, a falta de identidade, o singelo ato de se limitar a seguir uma tendência é algo burro. Por que burro? Ora, o burro, em teoria, é aquele tipo de pessoa incapaz de criar, de formular, de imaginar. Por conta disso, ele prefere repetir algo que viu uma outra pessoa fazendo e passa a acreditar que aquilo que deu certo com a primeira pessoa também vai dar certo com ele.

“Nossa, Marcão, precisa chamar tanta gente assim de burra?”. Em primeiro lugar, não estou citando nomes. Só estou tirando uma breve conclusão. Na escola, para passar de ano, o que boa parte das pessoas burras fazem? Colam, copiam as respostas e as tarefas de alguma pessoa mais inteligente. Justamente por serem incapazes de resolver as questões sozinhas. Enfim, são incapazes de criar, de formular, de imaginar.

Mas afinal de contas o que isso tem a ver? É que costumeiramente são incluídos no rol de artistas não-sertanejos quase todos aqueles que, mesmo em meio a tanta coisa parecida e tanta pressão para se fazer um som igual ao que a maioria está fazendo, conseguem se manter firmes nas próprias convicções e criam o próprio som, ou pelo menos buscam gravar seus trabalhos preservando ao máximo a própria identidade e estilo, sem levar em conta o que é tendência e o que deixa de ser.

Acontece que a primeira reação dessa parcela do público ao artista que consegue criar para si um estilo novo, um som diferente, é justamente a de renegá-lo. “Isso não faz parte do segmento”, “isso não é sertanejo” e outras frases do gênero. Ora, que paradoxo é esse? Tanta gente reclama o tempo todo de tanta coisa igual que o mercado abraça mas quando algum artista consegue se diferenciar dos demais através de sua sonoridade, ele simplesmente é excluído por aqueles que, pelo jeito, acham que o sertanejo é burro e baseado apenas na cópia e nas “tendências”.

Isso aconteceu com a dupla Victor & Leo, que até hoje é defendida (ou atacada, dependendo do ponto de vista) como sendo uma dupla não-sertaneja. Tempos depois, o mesmo ocorreu com a Paula Fernandes. Ambos os artistas, aliás, descendem da escola musical inaugurada por Almir Sater e Renato Teixeira, que são os artistas sertanejos que as pessoas costumam consideram menos sertanejos. Só dizer que o Almir Sater é sertanejo já rende uma dor de cabeça absurda junto aos seus fãs.

O exemplo mais recente desse tipo de mentalidade atrasada é o que está ocorrendo com a dupla Jorge & Mateus. Sem defender este ou aquele produtor musical, mas são inúmeros os comentários que atacam a sonoridade da dupla nos trabalhos recentes, dizendo que não é um som sertanejo e que aqueles primeiros discos é que eram sertanejos de verdade. Mas aconteceu com a dupla um fenômeno natural e muito válido: eles encontraram a sua própria identidade. E justamente na hora em que acham essa tão sonhada identidade, que tantos artistas passam a vida toda sem conseguir encontrar, eles são tachados como “não-sertanejos”.

Na história da música sertaneja, vários são os episódios em que esse pensamento predominou e, pra variar, se mostrou um absoluto erro. Quando a dupla Chitãozinho & Xororó gravou a música “Amante”, por exemplo, eles foram intensamente atacados pela própria crítica especializada justamente pelo fato de estarem produzindo um som que seguia um caminho diferente ao da absoluta maioria dos artistas da época. Anos mais tarde, entretanto, o som inovador inaugurado pela dupla na canção “Amante” passou a predominar no mercado. E os que atacavam o estilo da canção por julgarem-no “não-sertanejo” tiveram simplesmente que enfiar o rabinho entre as pernas.

Não estou dizendo que o som dos artistas atuais que são atacados justamente por preservarem a própria identidade vai predominar no mercado. O som não, mas a busca pela identidade sempre deve ser o ponto de partida de qualquer artista. Adianta continuar seguindo o mesmo burro caminho da cópia, da “tendência”, do igual? Ser inteligente a ponto de buscar a própria identidade é o que deveria acontecer com cada artista antes mesmo de ele decidir seguir uma carreira. O problema é essa parcela do público que continua achando que a música sertaneja é burra e que um artista inteligente simplesmente não é digno de representar o segmento. Se depender dessa parcela do público, a música sertaneja vai continuar tendo pouca ou nenhuma importância cultural, apenas comercial. E isso sim é que é uma pena.

 

31 comentários
  • Diego Kraemer: (responder)
    18 de julho de 2012 às 00:51

    Infelizmente isso acontece sempre que algo novo surge, quando notamos no mercado musical a entrada de algo diferente do que o público está acostumado, rapidamente surge críticas frustradas e destrutivas denegrindo o artista e seu produto.
    Não me aborreço mais com tais criticas que considero precipitada e na maioria das vezes sem embasamento e destrutivas. Digamos que aprendi a absorver a opinião destes que se julgam “intelectuais” e donos da verdade, na verdade os considero ignorantes por não saberem respeitar o espaço dos demais, acreditando que o mundo é todo dele e que seu pensamento é o correto e superior aos demais.
    Admiro sim, aqueles que inovam, que nos tiram da mesmice que satura os nossos ouvidos, se não gosto de algo, o mínimo que posso fazer é procurar não ouvir e respeitar o gosto daqueles que curtem tal sonoridade.
    A única coisa que me incomoda, é ver um país tão grande, com inúmeras culturas, tendo “alguns” arrogantes achando que todos devem acertar o gosto dele, modo contrário, sua aprovação é negada.
    Tudo no mundo tende a atualizar, menos a mentalidade daqueles críticos clichês e sem argumentos convincentes que nascem, crescem e morrem com o mesmo pensamento: A minha opinião é a que vale e F#$%-se o resto.

    Sempre digo: O que seria do Colorido se todos gostassem somente do Preto e Branco?

    Diego Kraemer – TOPMUSIC-BR

  • Marcelo Viola: (responder)
    18 de julho de 2012 às 01:16

    Toda vez q ouço música, de qualquer estilo, percebo um fenômeno global. Tudo está perdendo suas origens.
    O Choro esta mais Jazz, O Country esta mais Rock, O Samba esta mais Bossa, O Sertanejo esta mais Pop, O música caipira esta mais folk…
    Até eu q sou violeiro busco no Banjo e na Guitarra um estilo diferente de se tocar Viola, e nem por isso me considero menos Sertanejo q qualquer outra dupla Caipira.
    Nada pensado radicalmente é racional.

  • Roberto Bueno: (responder)
    18 de julho de 2012 às 01:36

    “Só existem dois tipos de música: a boa e a ruim.”
    Assim dizia Tião Carreiro; uma colocação feita há muitos anos, num contexto diferente do atual, mas que ainda hoje faz todo o sentido. Acima do rótulo de “Sertanejo” ou “Não-Sertanejo”, há o rótulo de “música boa” e “música ruim”.

    Sendo eu uma pessoa apaixonada pela coerência harmônica e textual, pela música e sua capacidade de transmitir sentimentos, tenho a opinião de que “Romaria” e “Tocando em Frente” são músicas boas; “Vem Ni Mim Dodge Ram” e “Ai Se Eu Te Pego” são músicas ruins. Victor e Leo e Jorge e Mateus fazem música boa; ao contrário do grande resto do mercado atual, que faz música ruim. Independente do que possa ser considerado sertanejo, acredito que eu, a grosso modo, compartilhe da opinião dos apreciadores da música como arte, maioria dos leitores deste blog.

    Longe de querer julgar o que é certo ou errado, ou quem é melhor ou pior, mas o fato é que a massa, o público consumidor do produto música em geral, não compartilha da mesma opinião. Subutilizando a racionalidade do ser humano, deixa em casa o bom-senso, o juízo, e levando consigo os instintos mais primitivos, vai até a balada descer uma garrafa de Black pra tentar levar a gata pro fundo da Fiorino e fazer um lê lê lê.

    O fato é que o dinheiro sempre moveu o mundo, mas hoje isso acontece de forma descarada. O artista “sertanejo” padrão, enxergando a fama e o dinheiro como objetivo e não como consequência, faz não o que gosta, mas o que a massa vai comprar. A massa do nosso país tem baixo nível de escolaridade, muitas vezes atrelada à deficiência de educação doméstica e valores morais; acha bonito andar de Camaro amarelo, ainda que seja à custa da herança advinda da morte dos pais. Tem preguiça de assimilar uma letra bem elaborada, mas aprende rapidamente a dançar o Tchu Tcha Tcha. O resultado desse processo pode ser ouvido nas melhores rádios do ramo.

    É natural do ser humano aderir à lei do menor esforço. Por que pensar, se é possível não pensar? Para quê ter de digerir uma música complexa, se existe o refrão chiclete? Por que declamar um poema para a mulher amada, se mais tarde tem balada e vai rolar o Tchererê Tchê Tchê? Seguimos por um caminho de difícil reversão, de lembrar o ouvinte de que ele tem a capacidade de pensar; uma campanha de valorização do ouvido próprio. Um processo que não acontecerá do dia para a noite, mas que espero que aconteça, para que eu deixe de ser o marginalizado musical que venho me tornando nos últimos tempos, como acredito que ocorra com muitos dos que lêem o que aqui é escrito.

    O que me resta é esperar sentado, ouvindo o pouco de música contemporânea que Tião Carreiro julgaria como “boa”.

    • Juscelino Martins: (responder)
      18 de julho de 2012 às 09:13

      Perfeito o seu comentário.
      O problema da música sertaneja está ligado ao que a massa consome, ao que vai dar dinheiro e fama, hoje em dia esse som que se intitula sertanejo se aproxima do funk, pop, menos da verdadeira música sertaneja.
      Vejo que a preocupação das produções musicais desses novos artistas consiste em criar músicas para serem ouvidas nas baladas, e que mostra os desejos da adolescência, aquilo que eles acham que são os bons sentidos da vida, mas eu respeito quem pensa assim, é como o amigo Diego Kraemer disse: O que seria do Colorido se todos gostassem somente do Preto e Branco?

    • emerson: (responder)
      20 de julho de 2012 às 20:41

      Como diz o Zeze esta musicas daqui a 20 anos nao serao lembradas, certeza! Ate pq o povo que consome este tipo de musica esqueca rapidim, ou alguem lembra da musica ” creu” “rebolation” entre outros fenomenos? Quando a letra e boa e e cantada ate 20,30,40 anos depois e so ver tonico e tinoco, zeze, tiao carreiro, milionario e joe rico, chitao e xororo entre outross..

  • Vinícius: (responder)
    18 de julho de 2012 às 09:54

    Texto perfeito Marcão. Brilhante comentário Ricardo!

  • Thiago Paes: (responder)
    18 de julho de 2012 às 10:59

    É uma pena Marcos, pois os caras que estão aparecendo por ai realmente não são sertanejos nem aqui nem na casa do !@#$%. Nunca vi falar que tocar funk com violão é FUNCKNEJO, o que tem haver uma coisa com a outra, e é triste ver que tem gente assim como você que acha que isso é bom para a música.
    Já que o sertanejo não pode ter uma definição própria, vamos declarar o KISS a maior banda sertaneja de todos os tempos o que acha???

  • JaQuIsSoN: (responder)
    18 de julho de 2012 às 11:10

    ??????????????

  • Fabio Roque: (responder)
    18 de julho de 2012 às 11:17

    Marcão Anderson Silva!!! Dando porrada na cara do mercado e fazendo coro com o Marcos Paulo e Paulo Sérgio. Rsrsrsrs.
    Tá certo, é isso mesmo que anda acontecendo.
    Esse monte de música com apelido pro sexo, com nome de carro já encheu o saco.
    É uma imbecilidade esse preconceito de querer rotular o que é ou não é sertanejo.
    O nosso estilo já provou que é o que mais aceita influências de outras praias, deixa os artistas somarem, subtraírem e acharem sua identidade.
    O que tem se fazer, é música com mais qualidade.

  • Fernando: (responder)
    18 de julho de 2012 às 11:24

    Jorge & Mateus; Victor e Léo! Bons, o resto? É resto!

  • THOMAZ E MIGUEL OFICIAL: (responder)
    18 de julho de 2012 às 11:37

    Já to cansado de ficar acessando a sites e blogs sertanejos e encontrar ESSES mundo vei de criticas e discussões sobre o estilo de musica que o “sertanejo” tem adotado …
    se não gosta de camaro amarelo não escuta assim como tambem com o tchu tcha tcha, lelele . tcherere tche tche ,dentre outras …

    se vc e apaixonado que escute as musicas romanticas se vc quer se divertir com os amigos em uma balada que curta as “baladinhas” (arrocha , funknejo , musicas que fala em carros mulheres e cervejada…) vamos para com essa hipocrisia pq o “sertanejo” se tornou apenas um rotulo e que ja ta enchendo o saco essas discurções sobre estilos de um e de outro …

    O MAIS INTERESSANTE É QUE TEM GENTE QUE FALA ASSIM (SERTANEJO E AMADO BATISTA,LEONARDO,ZEZEÉ (…)!)
    SENDO QUE NA REALIDADE ISSO NÃO E MUSICA SERTANEJA E SIM MUSICA ROMANTICA …

    APRENDAM PRIMEIRO ANTES DE CRITICAR ESTILOS SABER A PURA FINALIDADE DA PALAVRA “MUSICA SERTANEJA” ANTES DE FICAR OPINANDO SOBRE ESTILOS…

    se as musicas fossem tão ruins assim não teria milhares e milhares de acessos … VCS CONCORDAM? OPINEM AI GALERA.

    ENTREM NO MEU FACE LA E OPINEM … http://www.facebook.com/profile.php?id=100003868194809

  • Rodrigo Lisboa: (responder)
    18 de julho de 2012 às 11:47

    Bom dia Marcão! Td bem? Belo texto.. Tô aqui tentando imaginar quais serão as críticas, quando “a maioria” souber que o novo CD de Chitãozinho e Xororó está sendo produzido pelo Sorocaba, e que ainda tem uma composição dele. Será que haverá contradições da “maioria”?!?!?!!?
    Abraço companheiro.

    • felipe: (responder)
      18 de julho de 2012 às 15:23

      o Sorocaba???????

      chaaaaaaaaaaaaaaatooooooooooooo

  • Hugo: (responder)
    18 de julho de 2012 às 11:59

    A verdade é que o nome do estilo musical é só uma categorização que deve ajudar o artista e o público. Deve ajudar o artista a entender o grupo ao qual ele pertence e sua divulgação. E também ajudar o público a conhecer novos artistas, entender suas influências, entre outras coisas. Jamais o estilo musical deve uma cela, um limite para a liberdade criativa do trabalho artístico. Enfim, pra mim, o trabalho da dupla, do cantor solo, do grupo deve estar acima das amarras de qualquer estilo. Ainda bem que o J&M traz novidades, novos sabores, a cada trabalho. Não é a toa que gostamos de como eles soam, tem um trabalho fenomenal na criação e produção musical por trás de tudo. Não é a toa que as mulheres cantam tão emocionadas as letras por eles interpretadas. Elas são bem escritas sim. É música atual e boa.

  • Eduardo: (responder)
    18 de julho de 2012 às 13:30

    Jorge e Matheus é axé com sanfona. Não peço que ninguém faça o som antigo, mas que sua produção se baseie em guarãnias, polca, moda de viola, até mesmo o country ou folk eu aceito… mas música sertaneja baseada em axé? em pagode(do samba)? em funk? Isso não é inovação nenhuma, é desvirtuamento. Jorge e Matheus, Gustavo Lima, Humberto e Ronaldo são axé com sanfona…

  • Cands: (responder)
    18 de julho de 2012 às 13:57

    Penso que não seja uma questão de burrice ou inteligência…o problema é a cabeça fechada de uma meia dúzia de “críticos super cultos” da música sertaneja. Se o que prevalecer não fora a verdade absoluta que eles pregam, não serve e não é sertanejo.

    Se preocupam demais com o que chamam de música ruim, mas falam de menos do que é música boa!

    A nova geração tá cheia de gente transbordando talento, mas é muito mais interessante pros crtiticos super cultos falar mal da tal música ruim (e dar mais espaço pra elas) do que usar essa energia e esse espaço para falar de quem tem talento de faz música de qualidade.

    Se ninguém desse bola pras músicas de baixa qualidade elas morreriam, mas não…não existe um textinho se quer que passe sem um um comentário querendo ser polemico e o debate e a tal música péssima, que NÃO É SERTANEJA, segundo os cientistas sertanejos, fica maiis e maiiiis em evidencia.

    Uai, peraí? A história não era acabar com o sucesso dessas “porcarias?”
    Pensando assim….chego a teorizar sobre um possível “caixa2”, sabe? A gente nunca vê esses caras que só criticam o tcha tcha tcha e o tchereretchetche falando bem de ninguém. Parece até que são pagos pra falar mal, mas não pra tentar extinguir a música que chamam de ruim, só pra deixá-la mais en evidencia!

    Não defendo um ou outro artista, mas acho que deveriam usar melhor o espaço pra enaltecer quem tem qualidades….
    Em vez de escreverem comentáros criticando tudo e absolutamente tudo, escrevam mostrando o que existe de qualidade…e não me venham com mimimis falando que não existe, porque existe sim…e muita gente boa…que como já li aqui pelo blog, por serem tão boas não ganham espaço…ser acima da média machuca os medíocres.

    • Lucas Vieira: (responder)
      19 de julho de 2012 às 15:30

      Comentário perfeito, amigo! Só me resta assinar embaixo!

      • Cands: (responder)
        19 de julho de 2012 às 22:13

        AmigA!!! ;-) rs

        • Lucas Vieira: (responder)
          21 de julho de 2012 às 02:14

          Corrigindo… amiga! hehehe

  • Eduardo: (responder)
    18 de julho de 2012 às 14:16

    Da música folclórica americana e canadense, Neil Young e Bob Dylan avançaram para o folk. O Rock surgiu do Blues. Do axé vem Jorge e Matheus e criam a música sertaneja. É isso?

  • felipe: (responder)
    18 de julho de 2012 às 15:39

    de qualquer jeito o artista vai ser criticado, criando algo novo ou não, se ele cria um estilo de musica novo, ele tá fora de moda, alguns se deram bem como Victor e Léo, Paula Fernandes, mas mesmo ainda são criticados, e se copiarem um estilo que está na moda, exemplo do arrocha, funknejo, aí que ele é esculachado é tenso isso, independente de ter origens sertanejas ou não

  • Alexandre Garcia: (responder)
    18 de julho de 2012 às 17:30

    Muito bom o texto Marcão, é o que estava faltando aqui no blog comentarios como esses..

    Cansei de discutir sobre isso.. Quando fiz um elogio sobre o novo cd do jorge e mateus, ja vieram me falar que eu era puxa saco e mimimi.
    Atualmente o que ta faltando no sertanejo são musicas com conteudos, e nao falar de carros, dinheiro ou neymar..

    Sinto saudades de musicas com letras bonitas e com uma pegada diferenciada, mas tudo que é novo gera uma certa rejeição do publico, que as vezes nem ouvem o cd ja pra nao enxergar o que é bom, e contudo ja querem criticar.. e repito o que eu disse em um post anterior, que as criticas são do pessoal mais velho que sempre reclama de tudo.

  • Geovany: (responder)
    18 de julho de 2012 às 18:26

    Acho que essa é a opnião de até muitos criticos, mais que não tem peito pra parar de seguir a mesma ignorancia musical de todos que os cercão! Parabéns Marcão, ótima opnião!!!

  • carlos cesar: (responder)
    18 de julho de 2012 às 20:01

    Aceitar o novo para alguns parece algo impossivel,rotular a dupla victor e leo como sertanejo ou nao acho que nao tem a menor importancia,porque eles fazem musica boa e ainda posso dizer mais,eles representam o que ha de bom na musica hoje em dia,eu diria que muita gente nao aceita artistas que tem esse estilo de fazer musica por terem simplismente aprendido gostar de ouvir grunidos do tipo tcha tcha,le le le e outras merdas

  • Matheus Soares: (responder)
    18 de julho de 2012 às 21:39

    Bom, Paul Oliver disse uma vez que o blues era um estado de espírito e a música dava voz a ele;
    Trabalhando com essa idéia, ser sertanejo também é um estado de espírito, fixo ou momentâneo, portanto, o cara que hoje pede pra gata ligar mais tarde que vai rolar um Tchê tchê re re tchê tchê pode ser um bicho do mato e ter orgulho de ser caipira no futuro, ou dizer casinha de palha lá no ribeirão, uma linda cabocla e um cavalo bom é o Brasil Caboclo dele!!!
    Então a música deve ser encarada como hoje em dia são os livros: cada um lê aquilo que seu cérebro consegue assimilar; Desde gibis infantis à obras literárias super elaboradas. Só sonho ainda com um mundo onde o novo respeite o velho e o velho respeite o novo, e que me fizessem o favor de ao menos conhecer as raízes do nosso estilo e toda a evolução dele dos primórdios, até hoje. Ou o futebol deixou de ser futebol quando Pelé se aposentou?

  • Lucas Vieira: (responder)
    19 de julho de 2012 às 15:49

    Como foi dito acima, antes do rótulo ‘sertanejo’ e ‘não-sertanejo’ existe a ‘música boa’ e a ‘música ruim’. E isso transcende todos os parâmetros que alguns críticos utilizam.

    Que a música sertaneja está perdendo qualidade, todo mundo sabe. Mas o problema não são as chamadas ‘músicas de balada’, como muitos insistem em pregar; essas músicas simplesmente cumprem seu papel dentro da sociedade. O verdadeiro problema, como o Marcão disse no texto, é a falta de originalidade dos artistas. E não importa se cantam música de balada ou música romântica.

    Nos anos 90, auge de CH&X, ZdC&L, tinha uma porrada de cantores querendo gravar música romântica porque ‘fazia sucesso’. Eram sem originalidade nenhuma, assim como são os de hoje. A única coisa que mudou foi o conceito de ‘música que faz sucesso’. E não importa se é ‘Ai se eu te pego’ ou ‘Saudade da minha terra’, quem é medíocre sempre vai se limitar a copiar.

    Parece que esse espírito de copiar e não usar a inteligência está meio enraizado na música sertaneja. Agora é a hora dos ‘libertadores’: artistas que ‘saiam da casinha’ e parem de seguir as receitinhas de música que faz sucesso. Artistas que simplesmente façam o seu som. Que toquem aquilo que gostam com o intuito de agradar seu público.

  • fREITAS: (responder)
    19 de julho de 2012 às 20:17

    Bão nem ia comentar nada por causa da preguiça e do frio do KC* q ta aki em UDIA MAS AI VAI MINHA OPINIÃO…

    Nessas ultimas duas semanas eu nem tenho ouvido muito musica sertaneja pelo simples fato de tudo isso q o Marcão escreveu no post.
    Sabe o q fui fazer? limpar meus ouvidos ouvindo outros estilos musicais que tenham ao minimo de qualidade intelectual e musical.
    Penso eu que a Música é movida pelo o que o povo gosta, mas também pelo o que é dito e vivido. E o que é dito e vivido HJ na midia ? SEXO, DINHEIRO E PEGAÇÃO.
    Vou filosofar um poukinho…esses dias parei e pensei COMO SERÁ O MUNDO DAQUI UNS 50 ANOS? não sei se tem como ficar pior do q ta hj!
    Enfim cheguei a uma conclusao que é a seguinte EU ESCUTEI QUANDO CRIANÇA UM TIPO DE MUSICA SERTANEJA QUE PREGAVA HUMILDADE,AMOR,TRANQUILIDADE e hoje a musica sertaneja prega CHEGAR NA BALADA A PAGAÇÃO DE PAU DA MUIEZADA, PUTAR** entre outras coisas.
    Se a musica se recicla eu não sei, so sei q hj em dia A MUSICA EM GERAL TÁ UM LIXO, cabe a nós escolhermos o que nossos ouvidos agradam, não importa se vai vir do lixeiro ou do TIAO CARREIRO.

    Não luto para que a musica sertaneja de hj seja a mesma da decada de 90, influencias musicais afetam sim e nem por isso torna o SERTANEJO menos ou mais AUTENTIco.

    NÃO É SÓ A MUSICA Q EM GERAL TA SE PERDENDO É TUDO, entao essa discussao de isso ou akilo SER BOM OU RUIM nao tem fundamento GOSTO É igual CU cada um tem o seu!
    Tenho cabeça aberta ouço todo tipo de musica q seja BOA, prq se fosse um alienado q so ouve musica sertaneja axo q eu ja tinha surtado.

  • JESSICA: (responder)
    22 de julho de 2012 às 03:07

    Freitas, amo sertanejo e ouço so ele, mas ouço um pouco outros estilos e n sou alienada, quanto a essa historia de identidade a minha e o sertanejo romantico e nunca vai mudar essa coisa de encontrar identidade n existe vc canta com a sua identidade, ou vc canta fora de ordem n sabe oq quer. (Artistas),q mentem a identidade musical: Luan Santana, diz q e sertanejo, mas onde esta viola, o cinturao, o chapeu o cavalo e a voz de homem? Paula Fernandes onde esta o violao? onde esta a obrigaçao de defender as mulheres no sertanejo? Onde esta a viola? A gente sertanejo tem ter viola n importa q assunto a musica aborda, isto e identidade!

    • Lucas Vieira: (responder)
      22 de julho de 2012 às 15:50

      Parei de ler no “onde está a viola, o cinturão, o chapéu, o cavalo?” rs

  • Marijleite: (responder)
    24 de julho de 2012 às 16:28

    Ótimo texto,muita gente querendo julgar e rotular dá nisso.Se uma dupla sertaneja DISSER QUE VAI LANÇAR UM CD EM OUTRO RITMO/ESTILO MUSICAL aí sim pode-se dizer que não é sertanejo.
    Acho que tem espaço para tudo na música,músicas dançantes para as “baladas”(onde a ideia é dançar e não avaliar a poesia da letra),músicas mais calmas para ouvir em casa,no carro,no trabalho…a questão é que as músicas de “balada” estão cada vez mais fortes e assim sendo mais criticadas.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.