11 abr 2013 | Notícias
Sobre a banalização da figura feminina em clipes sertanejos…

Uma das maiores reclamações com relação ao sertanejo contemporâneo é a banalização da figura feminina. Se há alguns anos a mulher era tratada nas letras sertanejas como uma rainha, princesa, ou algo desse tipo, hoje o mais comum é que ela seja mesmo tratada como um mero objeto.

E um dos fatores que mais tem contribuído para essa “banalização” da figura feminina, fora as letras das músicas, são os videoclipes, que hoje em dia são essenciais em qualquer estratégia de divulgação de um artista. A quantidade de clipes recentes que trazem mulheres em trajes minúsculos, para fazer jus às letras e à pegada caliente, vem crescendo gradativamente. Aqui mesmo no Blognejo a gente já publicou diversos deles.

Resolvi entrar no assunto por conta da publicação de mais um clipe nessa linha, postado pelo cantor Rodrigo Ferrari essa semana no Youtube. Vejam abaixo o clipe da música “Tá Soltinha”, uma composição do Diego Kraemer, Tiago Marcelo e Raynner Sousa.

É certo que parte dos comentários sobre esse vídeo serão relacionados justamente a essa reclamação apontada no começo deste texto. Mas eu quero aprofundar um pouco mais essa polêmica com algumas observações.

Não sou favorável à nudez ou sequer à banalização da figura feminina em qualquer tipo de manifestação artística. Para mim, qualquer cena de sexo dessas que a Globo transmite aos montes em seriados sazonais, como em “Gabriela”, são meras desculpas para a exploração erótica de voluptuosas atrizes com o único objetivo de angariar audiência, sob a desculpa de que se trata de arte. Arte uma pinóia. Onde é que está escrito que para fazer arte é preciso que a mulher fique nua? O pior é que as pobres coitadas compram essa idéia achando que estarão contribuindo, através da exposição de suas curvas, seios, nádegas e às vezes até a genitália (em filmes, nesse caso), com a propagação da arte do diretor ou do escritor da obra. É a mulher sendo banalizada em todas as vertentes possíveis da cultura e não se dando conta disso.

Entretanto, uma das maiores justificativas dos adeptos dessa prática em filmes, novelas e seriados é algo que pode muito bem ser usado como desculpa também nos recentes clipes sertanejos: o contexto. Se em “Gabriela” a Juliana Paes ficava nua tomando banho no tonel enquanto o Humberto Martins babava escondido atrás da cortina, isso fazia parte do contexto da cena, por mais boba que pareça essa desculpa. Nesse ponto, os atuais clipes sertanejos também acabam obedecendo ao contexto das letras. Se as letras falam de mulheres em trajes sumários, o clipe traz mulheres em trajes sumários.

E se uma parcela mais conservadora do público reclama dessa banalização da figura feminina presente nos clipes sertanejos atuais, ainda que o contexto das letras acabe exigindo esse tipo de artimanha, creio eu que precisamos puxar um pouco mais da história da música sertaneja para talvez fazer cairem por terra esses argumentos mais conservadores.

Vejam, por exemplo, este clipe clássico da dupla Zezé di Camargo & Luciano, da música “Saudade Bandida”. Enquanto a dupla canta a música pelos cômodos de uma casa, uma bela atriz anda pra lá e pra cá cobrindo os seios apenas com um pano fino que insiste em ficar deslizando pra baixo, o que garante cenas de mamilos escapando, sem nenhuma conexão com a letra, chegando ao clímax com a atriz completamente nua tomando banho na banheira e com os seios totalmente à mostra no minuto 2:29 do clipe. Vejam abaixo:

E olha que esse até que foi leve. Ainda mais explícito é o clipe da música “Deixaria tudo”, do Leonardo. O clipe traz o Leonardo cantando a música debaixo de uma cachoeira, prestes a ser atacado por uma tribo de mulheres nuas que aparentemente vivia na caverna localizada no mesmo local. O clipe traz inúmeras cenas de seios e nádegas expostas, não só de uma mas de várias mulheres. Vejam:

Se formos analisar bem, nenhum destes dois últimos clipes obedece a qualquer contexto. As mulheres são mostradas nuas sem nenhum motivo. Apenas porque o diretor do clipe quis. As letras das músicas passam longe disso. E ambos os clipes são de artistas defendidos pela parcela conservadora do público sertanejo. Nesse ponto, ouso dizer que os clipes atuais que trazem mulheres em trajes cada vez mais sumários pelo menos obedecem ao contexto das letras. E até o momento ainda não tivemos nenhum clipe da sertanejada nova que trouxesse mulheres com os seios ou a bunda de fora. Pelo menos não como alguns clipes “românticos” da década passada. Pelo andar da carruagem, é possível que tenhamos muito em breve, mas ainda não tivemos nenhum. E agora, quem é que está certo?

12 comentários
  • Marijleite: (responder)
    11 de abril de 2013 às 17:13

    Não sabia da existência desses clipes do Zezé di Camargo & Luciano e do Leonardo; o que dizer depois disso? A situação não é nova, no caso.
    O fato é que nudez (tanto a feminina, que é a mais comum, quanto a masculina) chama a atenção (principalmente dos homens), dá audiência. Por que? Acho que não precisa de muita explicação, né?
    A pessoa tem direito de fazer o que quiser com o seu próprio corpo, desde que não desrespeite as leis; mulher tem direito de vesitir o que quiser. Mas não podemos perder o respeito pelos outros seres humanos.
    Se eu não gostar de um clipe, eu não assisto, se eu não gostar de uma música, eu não ouço. O que é realmente bom, tem sucesso duradouro.

  • Glauber Duarte | NOEMBALO: (responder)
    11 de abril de 2013 às 17:18

    Marcão, esse eu tenho que comentar, sabe o que é mais doido? Eu cheguei acompanhar gravação de clipe de o cliente falar para o diretor o seguinte: “Quero fazer clipe pros punheteiros de plantão, pode explorar bem bunda, peito que dá ibope”

    E aí? falar o que??? kkkkk Existem casos e casos né?

  • Bill Moura e Leonardo: (responder)
    11 de abril de 2013 às 17:26

    A Exposição feminina sempre e sempre fará parte da cultura musical, se formos ver clipes estrangeiros, também é repleto de mulheres nuas, seminuas no clipe.

    Acho bonito e natural, as vezes é até melhor do que a própria música, ehehehehe.

  • Renan: (responder)
    11 de abril de 2013 às 20:23

    O velho Marcão esta voltando,causando polêmica,e ainda estrelada pela velha guarda da musica sertaneja,Marcão eu concordo em partes com você,mais vc não é besta e sabe que o problema não é este,mulheres semi nuas aparecem todos os dias aos montes e em todos os lugares e canais de televisão,e isso sempre foi normal,nos clipes de cantores latinos isso já existe a 30 anos,e até acho legal,o problema esta nas letras,que colocam a mulher como putas de bar,que se vendem facil em troca de uma garrafa de wiski ou um carro importado,é lógico que tem um monte que realmente se vendem,mais o que não pode é generalizar quando usam a palavra “mulher” é com isto que estes cantores e compositores tem que tomar cuidado,pois a mulher que já foi vangloriada por Tom Jobim em “garota de Ipanema” agora esta sendo tratada como “Marquesas de Santos”

  • Gaspar: (responder)
    11 de abril de 2013 às 20:50

    Evolução de publieditorial detected. É isso Arnaldo ?

    • Marcus Vinícius: (responder)
      11 de abril de 2013 às 22:22

      rs dessa vez naum. Foi só uma indagação.

  • Victor235: (responder)
    12 de abril de 2013 às 00:55

    Não tem esse clipe do Leonardo no Youtube? Gozado, aquele do Zezé (Pra mudar a minha vida) com a Juliana Paes também não.

  • Barbosa Neto: (responder)
    12 de abril de 2013 às 11:14

    O clipe da música Hipnose de Israel e Rodolffo seria um bom exemplo de comportamento, então. rss! A letra é de muito bom gosto, e não há bundas e peitos sobrando, rss

  • Luiz Fernando: (responder)
    12 de abril de 2013 às 15:11

    Eu só fico pensando: Pra que eles produziam clipes nos anos 90?

    Não tinha internet e a MTV não passava sertanejo. Na TV aberta eles não exibiria clipes como estes.

    • Will: (responder)
      13 de abril de 2013 às 15:18

      Alguns desses videoclipes foram exibidos no Fantástico e em programas do Gugu.Nos idos de 1999 a 2001,MTV – que buscava um novo público,Bandeirantes e Canal 21 chegaram a exibir os sucessos da época,geralmente naquele esquema de “ligue para telefone XYZ e veja seu clipe favorito” do Top 10.

  • Silvio Aloni: (responder)
    17 de abril de 2013 às 00:41

    Pois é, naquele tempo de ZC&L, Leonardo e Cia, podiam até usar da nudez pra ganhar ibope, mas pelo menos tínhamos musicas com letras de verdade. Hoje ta difícil demais, só com uma cagibrina na cabeça e chifre pra todo lado.

  • Dennis: (responder)
    1 de junho de 2013 às 00:15

    issu tudo é pq brasileiro gosta de PUTARIA o povinho promiscuo viu

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.