12 jul 2009 | Top Five
TOP FIVE – A ilusão dos programas de TV

Esse post é mais direcionado aos novos artistas sertanejos. Resolvi enumerar alguns quadros de programas de TV que, a princípio, têm o magnífico intuito de auxiliar novos artistas em suas jornadas pelo sucesso. Essa “carapuça” de porta mais rápida para o sucesso faz com que muitas duplas e artistas “inocentes” passem a depositar todas as fichas nessa chance. Este Top Five tenta, portanto, abrir os olhos de todos esses novos artistas e mostrar que o buraco é mais embaixo.

GARAGEM DO FAUSTÃO

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Toda semana, passam vídeos de duplas e artistas sertanejos lá no Garagem do Faustão. Pelo menos duas ou três duplas já se apresentaram no palco do Faustão através desse quadro. Então qual é o problema? Na verdade, o problema é para todos os artistas, não somente os sertanejos. É que a premissa do quadro, como o próprio nome já diz, é revelar artistas de garagem, isto é, aqueles que teoricamente não tem condições de bancar toda uma divulgação que, sendo bem sucedida, sempre acaba com a dupla indo no programa do Faustão. O fato, no entanto, é que entram na competição tanto artistas com um trabalho amador, vídeo feito com web cam, tudo muito simples, quanto artistas com um DVD recém gravado com a participação de mais de 30 mil pessoas e um intenso trabalho de apoio e de busca de votos através de internet. Enfim, como aquele cara que toca e compõe nos fins de semana porque no resto da semana tem que prover o sustento de casa compete com caras assim? É um quadro que já nasceu errado, na minha humilde opinião. A intenção é boa, o método é que precisa ser revisto.

COUNTRY STAR – TERRA NATIVA

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O programa era 100 % sertanejo. O quadro visava revelar um novo artista country/sertanejo capaz de fazer suceso em todo o Brasil. A primeira edição até que emplacou a Nathália Siqueira de uma maneira bastante proveitosa. A moça rendeu muito. O problema veio com a segunda edição. O candidato vencedor teria um contrato com uma gravadora e auxílio na divulgação do novo trabalho, que seria produzido pelo renomado produtor Rick Bonadio. Com a candidata vencedora da primeira edição, tudo certo. Mas parece que o candidato vencedor da segunda edição ficou a ver navios. É que, ao contrário do que havia acontecido com a Nathália, o Rick Bonadio praticamente soltou o menino na mídia com o CD na mão, dizendo: “SE VIRA”. O My Space do rapaz está no ar e tudo, com a logomarca da Universal e da Arsenal Produções. Já o Palco MP3, ao contrário, conta com uma nova canção, que não estava naquele disco, e não faz menção a nenhum contrato com o Rick. Nem tocam no nome dele. Aliás, a carreira do rapaz agora é conduzida por uma empresa chamada VMV Produções. Como se não bastasse, o Rick Bonadio já emplacou até outra atração “country” no seu plantel. Trata-se da dupla “Os Thomés”, que já está até com música na trilha da novela Malhação. Ou seja, ficou escancarado que o cara não era o que o Rick Bonadio procurava. O que demonstra, sem dúvida, que o quadro só serviu aos objetivos do próprio Rick, e não aos dos candidatos.

ÍDOLOS DA RECORD

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No caso, estou me referindo à versão da Record, já que a versão do SBT fez questão de mostrar candidatos dos mais diversos segmentos. No caso da Record, parece haver uma preocupação excessiva com o estereótipo do cantor. Notem que não há o “sertanejo”, o “calipseiro”, o “pagodeiro”. Claaaaaro que há, no entanto, o candidato do samba, o candidato do black, o candidato da MPB. Ora, é um concurso pra se eleger um cantor ou é simplesmente uma maneira de tentar fazer o Brasil aceitar que aquilo é que é bom? O principal acerto das edições do programa no SBT foi a incorporação dos segmentos na própria competição, independente do que os ditos monstros sagrados da música acreditam ser bom ou ruim. Na Record, no entanto, ocorre essa preocupação em, sutilmente, denegrir a imagem dos ritmos populares. Não dando espaço a tais ritmos, o programa tenta mostrar que não é segmentado, mas acaba sendo. Não dá pra eleger um cantor brasileiro sem que se olhe para o segmento em que ele trabalhe. A música brasileira vive, sim, de rótulos, então o melhor cantor deve seguir um rótulo, seja o de cantor romântico, de axé, sertanejo, calipseiro ou o que mais puder haver. Espero que na edição que estréia em breve isso tenha mudado.

OLHA MINHA BANDA – CALDEIRÃO DO HUCK

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O problema desse quadro para os sertanejos é que NÃO vai ser escolhido nenhum. Ainda que seja uma banda sertaneja e não uma dupla, acredito piamente que o estilo vai passar em branco. Posso até queimar minha língua depois, mas as bandas contempladas até agora são todas do segmento emo ou rock. Quem está à frente do quadro? Ele, o inestimável Rick Bonadio. Já virou uma piada o fato de como ele se utiliza de programas de TV para montar bandas ou artistas de segmentos nos quais ELE acredita. Ora, na época do Popstars, do SBT, ele estava procurando uma banda pop de cantores dançarinos, estilo Backstreet Boys. Montou duas, uma feminina e uma masculina. Nenhuma delas está mais na ativa. Depois, no Terra Nativa, procurou um artista country. Conseguiu emplacar uma moça, mas deixou o moço pra trás. Agora, tenta ajudar bandas emo em início de carreira. E o pior de tudo é que os caras são contemplados, escutam aquele monte de bobagens que o Rick acaba dizendo só pra parecer mais sábio e executam o que ele quer. Foi triste ver uma banda dia desses mudando o nome para um nome de dupla, deixando os outros 3 membros da dupla totalmente sem chão, coitados. Tudo porque o Rick achou que tinha mais a ver. E, a não ser que apareça por lá uma banda sertanemo, ou rockneja, não acredito que o segmento terá representantes. Mesmo com um punhado de vídeos de duplas pipocando no site do caldeirão.

PROGRAMA RAUL GIL

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Já contei a história da dupla Alex & Gabriel, que antes se chamavam Ed Marques & Alessandro. Pra quem não sabe, eles tiveram que mudar de nome depois que, iludidos, assinaram um contrato com membros do programa Raul Gil cedendo todos os direitos sobre o nome a eles. O programa Raul Gil é, sem dúvida, a maior ilusão da TV para artistas novatos dos mais variados segmentos. Funciona assim: um cantor talentoso consegue a chance de participar do quadro “Quem sabe canta, quem não sabe dança”. Se apresenta. É elogiado. Começa o zum zum zum de bastidores. Surge a possibilidade de um contrato com a Luar Music e, consequentemente, com a Universal. O cara (ou dupla), iludido, assina, achando que aquela é a chance da vida dele. De repente ele se vê obrigado a bater ponto todo sábado cantando no quadro “Homenagem Ao Artista”. Quando sai um disco, finalmente, é exatamente aquele mesmo disco segmentado que o programa o obrigou a gravar. Um disco de homenagens, ou um disco de flash backs. Enfim, nunca um disco de músicas próprias. O cara quer se apresentar em outros programas, mas não pode por força de contrato. Lá está ele de novo no sábado fazendo outra homenagem ao artista. Quando o público fã daquele artista começa a migrar para outro, o programa começa a colocá-lo na geladeira. Por contrato, ele acaba se vendo obrigado a aceitar aquela situação. Se não aceitar, tem que fazer como Ed Marques & Alessandro: mudar de nome. Os que aceitam acabam esquecidos. Por onde andam, por exemplo, Mayck & Lyan, que estavam bombando no gosto popular, mas sobre quem, hoje em dia, pouca gente comenta? Estavam em ponto de bala, mas agora o momento passou. Tudo graças ao programa Raul Gil e à sua genial equipe de promoção. Felizes foram Ricky Vallen e Adair Cardoso, que soltaram as amarras e agora seguem brilhando na independência.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.