06 ago 2009 | Lançamentos
TOP FIVE – A possível fórmula do sucesso da nova geração

A verdade é que a música sertaneja muda de 10 em 10 ou de 15 em 15 anos. E nunca retrocede, isto é, um estilo que já foi sucesso nunca voltou a dominar as paradas. E a cada mudança, novos elementos tomam o lugar dos antigos. Diante disso, resolvi tentar, através do Top Five, enumerar os elementos que, A MEU VER, são os mais constantes em trabalhos de sucesso hoje em dia. Elementos que, unidos, formam a provável fórmula do sucesso dos novos artistas. Hoje, com uma inovação: em cada item vou acrescentar um artista que é “exceção à regra” (ou mais de um).

FORMATO ACÚSTICO

Até bem pouco tempo atrás, tinha que ser acústico EEE ao vivo. O sucesso da dupla Victor & Léo, no entanto, e da cantora Paula Fernandes (ainda que digam que é por causa da novela) mostra que o “Ao Vivo” está, aos poucos, perdendo aquela força de antes. Ainda é muuuuuito forte, mas algo me diz que não vai ser por muito mais tempo. O CD “Borboletas” foi um mega sucesso de vendas e não tem uma faixa sequer ao vivo. Mas todas são num formato exclusivamente acústico, utilizando apenas violão, acordeon, baixo, bateria e percussão. O artista pode, claro, inovar com algum tipo de instrumento que não costuma ser tão utilizado, como violino (ou rabeca), mas sempre tem que prevalecer o formato “acústico” no trabalho. O teclado reproduzindo apenas sons de piano e órgão também é muito utilizado. Mas não adianta vir com mais nenhum tipo de parafernália eletrônica. Isso é coisa do passado.

* Exceção à regra:

As duplas remanescentes dos anos 90 e artistas estreantes adeptos daquele estilo (como Eduardo Costa) ainda resistem em incorporar esse formato. Preferem deixar apenas para trabalhos “especiais”, como será o próximo disco de Zezé di Camargo & Luciano. Mesmo assim, continuam vendendo bem. Os artistas dos anos 90, claro, graças à imensa e fiel legião de fãs conquistados no decorrer da carreira. Os novos artistas por trazerem uma sensação de nostalgia àqueles que resistem em aceitar as mudanças. Mas o fato de os 2 discos mais recentes da dupla Victor & Léo estarem sempre figurando em listas de mais vendidos já mostra como anda a preferência do público.

SIMPLICIDADE

É um fato. Quem inventa demais só se ferra. Não adianta botar um milhão de músicos no palco de um DVD, com todos os tipos de instrumentos, se o povo gosta é de simplicidade. Por mais maravilhoso que seja, é um erro querer enfeitar demais. Mesmo porque, ao gravar um disco, o artista está gravando um produto, que vai auxiliar na venda de shows. E ninguém, mas absolutamente ninguém grava CDs dessa forma e depois sai fazendo shows pelo Brasil com a mesma estrutura utilizada em trabalhos desse porte. Os shows devem refletir o que está no disco. Fora essa parte, não adianta mais ficar inventando solos e arranjos impossíveis de se copiar nas músicas. As introduções das músicas devem ser soladas com o violão ou acordeon imitando o refrão. Observem que 95% das músicas de sucesso hoje possuem arranjos nesse formato.

* Exceção à regra:

Os próprios Victor & Léo, citados no tópico anterior, podem ser considerados uma exceção, já que o Victor praticamente “estupra” o violão na hora de tocar. Arranca solos inusitados até de onde nem se imagina. Assim também acontece com Fernando & Sorocaba, que costumam bolar arranjos diferentes das respectivas canções. Mas para o restante do pessoal, é quase uma regra. Sobre artistas que inventam demais e incluem coisas nos discos que não se costuma utilizar, quero que me digam o nome de um apenas que estourou recentemente fazendo isso.

BALADAS E, ERR, VANERAS?!?

O mesmo ritmo de praticamente todas as canções de hoje. Alguns chamam de balada pop, outros de balada universitária. Mas é aquela mesma batida característica em todas as canções. Muito raro quando alguém emplaca uma música numa levada diferente. As únicas com levada diferente que se destacam são as, err, vaneras (?) que o pessoal tem gravado (Pode Chorar, Chora me liga, Voa Beija-flor, e outras). Eu digo “err” porque ainda não consegui concluir qual o melhor nome para o estilo dessas músicas. Preferi chamar de vanera por causa da semelhança com as músicas no estilo “Tradição”. É só uma semelhança, já que a batida é ligeiramente diferente, assim como as letras ( se falar de choro, já sai em vantagem). Quanto às baladas, o que se nota hoje é uma diminuição do “beat” das músicas, isto é, as músicas estão ficando um pouco mais lentas. Ano passado, eram mais aceleradas. Agora, têm se destacado as com o “beat” um pouco mais lento, mas na mesma levada. Entendam: no início do ano, estavam estouradas “Borboletas”, “Ciumenta” e outras. Agora, Maria Cecília & Rodolfo tem feito sucesso com “Você de Volta” e João Bosco & Vinícius escolheram a música “Curtição” como de trabalho, ambas com o “beat” mais lento. Na verdade, esse esquema do “beat” acelerado também está perdendo um pouco a força, mas ainda acho que vai predominar por um tempo.

* Exceção à regra:

Novamente se encaixam os artistas “anos 90”, que procuram trabalhar canções numa levada bem romântica. Outros que se destacaram com músicas num estilo diferente do mencionado foram Bruno & Marrone (com “Não tente me impedir”), Victor & Léo (com “Deus & Eu no sertão”) e Paula Fernandes (“Jeito de Mato”, que é uma guarânia estilizada). Mas os dois últimos, novamente, graças à novela.

CARISMA E SÓ DEPOIS GARGANTA

Temos assistido constantemente o crescimento de artistas que não cantam tão bem. Ou, quando cantam bem, cantam em tons beeeem abaixo do que se praticava há 10 anos. Além disso, percebe-se nos últimos anos uma desvalorização da segunda voz, principalmente quando a primeira é suficientemente boa. Mas como se explica essa queda na qualidade vocal dos cantores? É que o povo tem preferido o carisma dos artistas ao invés da garganta. Principalmente quando o repertório é bom. E notem que quanto mais “diferente” for o timbre vocal, maiores são as chances de sucesso. Entendam, “diferente” nesse caso nem sempre quer dizer “bonito”.

* Exceção à regra:

Aqui podemos encaixar facilmente a dupla César Menotti & Fabiano, que têm garganta. O negócio é que eles são carismáticos. É provável que se eles não fossem tão carismáticos, não alcançariam tamanho sucesso.

REPERTÓRIO MODERNO E BEM ESCOLHIDO

Muito do sucesso de duplas como João Bosco & Vinícius e Jorge & Mateus se deve à gigantesca capacidade que eles têm de escolher um excelente repertório. O novo CD de João Bosco & Vinícius, por exemplo, está lotado de sérias candidatas a hit. E as músicas tem que ser feitas para se encaixar em todos os tópicos mencionados neste post. É claaaaaro que com esse enorme interesse da Globo pela nova geração sertaneja, o pessoal está se preocupando mais com músicas que se encaixem em trilhas de novelas. Mas e quando esse interesse passar? Porque vai passar, sempre passa. O artista vai depender, nesses casos, de continuar a atingir o público com canções fáceis, gostosas de se ouvir, grudentas e enjoativas (mas que a maioria adora ouvir – inclusive eu). Antigamente bastava selecionar uns dois ou três boleros, umas duas dançantes, um modão e o resto do disco com canções românticas. Hoje o repertório deve ser muito bem pensado. E de preferencia inédito. Basta ir atrás de grandes compositores como Dorgival Dantas, Marco Aurélio, Diego Damasceno, Adylliel, Ewerton Mattos, Rivanil, Jairo Góes e mais um punhado de gente.

* Exceção à regra:

Como já dito, nesse caso a exceção fica por conta das músicas das novelas, que de modernas tem pouco ou quase nada.

Antes que o pessoal fale alguma coisa, devo lembrar que toda fórmula, para funcionar, precisa de um catalisador. E todos sabem qual é o catali$$$$$$$$$ador da fórmula do sucesso, né?

Como é de praxe, este post tem a singela intenção de gerar um debate através dos comentários. Então mãos à obra. Comentem bastante. Eu não sou o dono da verdade, apenas dei a minha opinião. E assim como já foi dito por alguns em outras ocasiões, falo, sim, por suposição. Abraços e até a próxima.

33 comentários
  • Geraldo: (responder)
    7 de maio de 2012 às 14:08

    E você, caro, já tentou entender porque as novelas investem muito pouco (é, aqui também há exceções!)nesse tipo de sertanejo mais chiclete, moderninho etc? Você já tentou ouvir essas músicas sertanejo-chicletes depois que onda passa, coisa de, tipo, um ano ou um pouco mais? Na minha, modesta, opinião, dá pra entender fácil o porquê disso. Hoje mesmo, se você tocar “Ai se eu te pego” vai ver um número grande de pessoas mandando passar a faixa, porque, ao mesmo tempo que elas rasgam o céu do estrelato como um “meteoro da paixão”, assim também fazem quando dizem adeus. (também observo severas críticas nas redes sociais ao Michel Teló, apesar de serem feitas por muitos daqueles que a pouco tempo curtiam a sua música em baladas). A letra (em diversos ritmos também tem sido um fiasco, quando não muito, uma baixaria),outro motivo de sucesso da nova geração, mas de crítica de muitos,assim como o ritmo/batida sempre igual no estilo novo, motivo de longos e longos debates, muito provavelmente ainda perdurará por um bom tempo, contudo, também já é notório que alguns artistas estão começando a diversificar nesses dois pontos. Ademais, vejo que já começa a se delinear uma mudança, e com alguns respingos, o que relativiza um pouco alguns dos argumentos enumerados, apesar da maioria ainda se encaixar nos moldes de hoje. Exemplos: enquanto tenho que concordar que o gogó afinado, hoje já não é mais um requisito, a simplicidade da música começa a se misturar a trabalhos mais “trabalhados”(porque não dizer criativos)de diversos cantores do sertanejo universitário, como a própria Paula Fernandes (não tanto universitária) e, pasmem, recentemente o Luan Santana. Contudo, como você citou no tópico da exceção, a grande maioria ainda é bem fraca nos arranjos. Mas, talvez a coisa esteja começando a tomar novos ares. Da mesma forma,como bem você observou, o fenômeno do ao vivo, que muitos diziam, sem fim, já vai dando sinais de cansaço, ao passo, que que o outro trunfo, o “acústico”, segue em alta, mas, como nada é para sempre, também duvido muito que ele fique imune ao tempo. Fico comparando, o biênio 2008/09 com hoje e me deparo com certas mudanças, como as que citei. São poucas, é claro, mas já sinalizam algo à frente. Ah, só pra encerrar, não gostei de alguns pouco trechos, como “….Mas não adianta vir com mais nenhum tipo de parafernália eletrônica. Isso é coisa do passado”, ou “….E nunca retrocede, isto é, um estilo que já foi sucesso nunca voltou a dominar as paradas.”, pelo simples fato de que a história já mostrou o contrário, e o mercado da música internacional hoje em dia está demonstrando justamente isso. Também não gosto da palavra retrocesso quando envolvido arte em qualquer de suas facetas, porque simplesmente não existe retrocesso ou progresso aqui, isso, e tudo lógico, NA MINHA OPINIÃO.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.