23 jul 2009 | Top Five
TOP FIVE – Elementos que ficaram nos anos 90

Um amigo meu me disse sábias palavras há alguns dias. Vou repetí-las aqui correndo o risco de novamente ser tachado como louco, ou como mais um cara sofrendo com a síndrome das férias. Pois bem, segundo esse meu amigo (que tinha ouvido de um outro amigo), se formos parar para pensar bem, a música sertaneja atual é mais “sertaneja ” que a música que era feita há dez ou quinze anos atrás. Entendam: nos primórdios, a música sertaneja era feita com acordeon e instrumentos acústicos, principalmente viola caipira e violão. Com o passar dos anos, ela foi ganhando elementos que até então eram estranhos, como instrumentos de sopro, bateria, teclado, guitarras, até culminar nos anos 90 com uma transformação dos shows sertanejos em mega produções, com tudo a que se tinha direito. Hoje, como todos podem perceber, voltaram os elementos acústicos com força total e toda essa parafernália introduzida na música sertaneja tem perdido cada vez mais espaço.

A música sertaneja nasceu simples, se “complicou” com o passar dos anos e agora volta a ser simples. Ora, a dupla de maior sucesso nos últimos dois anos utiliza apenas violão, bateria, baixo, acordeon e percussão. Por isso, o Top Five de hoje tenta enumerar elementos dos anos 90 que perderam ou estão perdendo seu espaço nos trabalhos mais recentes, sendo utilizados apenas por figuras mais tradicionais.

BACKING VOCALS

Perdão aos geniais Ringo, Ângela, e demais profissionais da área, mas é inegável que a figura do backing vocal já não é mais tão imprescindível. Poucos artistas de peso utilizam backing vocals em seus discos. Nos shows já é diferente. Muitos ainda usam, inclusive os universitários. Mas em CDs e DVDs já não se vê mais tanto como antigamente. Tá, eu sei que o Zezé usa, que o Leonardo usa e patati, patatá. Mas como eu disse no 2º parágrafo, eles são “figuras tradicionais”.

MÚSICOS MAIS, DIGAMOS, “EXPERIENTES”

Há cerca de dez anos atrás, Chitãozinho & Xororó se anteciparam e resolveram contratar um punhado de músicos jovens para a banda. Já era um sinal dos novos tempos. Não faltando com o respeito aos mais velhos, longe disso, mas não é mais tão importante que os músicos sertanejos tenham, como direi, uma idade avançada. Antes o que se via eram músicos da mais alta estirpe, com ampla bagagem, acompanhando os mais diversos cantores em shows e tudo mais. Hoje, poucos artistas continuam com músicos dessa safra em suas bandas. Mesmo porque boa parte desses músicos optou por não fazer shows, permanecendo apenas com os estúdios de gravação.

BAILARINAS

Eu sempre achei o balé na música sertaneja uma das coisas mais bregas que podia existir. Brega, brega, brega. Mesmo assim, sempre fez sucesso entre os artistas. Mas também é um elemento que perdeu espaço na nova música sertaneja. Pouquíssima gente ainda usa bailarinos em seus shows. E bota pouca nisso. Nem lembro a útima vez que vi um show sertanejo com bailarinas, na verdade. Acho que foi o do Zezé mesmo. Porque dos novos artistas, não lembro de nenhum.

GUITARRAS DOBRADAS

Era o suprassumo do bom gosto num disco sertanejo: arranjos com duas guitarras em dueto. O mestre na arte de inserir esses elementos nas produções era o César Augusto, sem dúvida. Mas também sumiu nos novos discos. A guitarra dobrada praticamente desapareceu. Até a guitarra “sozinha” anda meio sumida. Só Edson & Hudson usam guitarra hoje em dia. Mas a partir do ano que vem, vão sobrar poucos artistas capazes de dominar essa arte. Porque, para mim, guitarra na música sertaneja nem sempre é legal. Só vale a pena quando ela se torna parte importante do estilo da dupla. Assim é com Edson & Hudson e Chrustian & Ralf, por exemplo.

CÉSAR AUGUSTO

Sim, ele foi o maior produtor de música sertaneja nos anos 90. Produziu TODOS os artistas possíveis de serem produzidos dentro da música sertaneja. Mas não dá pra dizer que ele acompanhou o desenrolar da modernidade. Creio que por opção, pra falar a verdade. O César parece um produtor que acredita no que produz. Por isso todos os artistas que ainda querem ter elementos dos anos 90 em seus trabalhos o procuram. É o caso de Zezé & Luciano, Leonardo, Eduardo Costa e alguns outros. Eu continuo achando que ele é um grande produtor, capaz de produzir pérolas, como o DVD Acústico do Leonardo. Mas não o procure para produzir um CD universitário. Jamais , em hipótese alguma.

Não sei porque, mas bateu uma saudade do meu amigo Anônimo, o Gasparzinho.

Dedico este Top Five a um amigo, que queria ter uma máquina do tempo só pra poder voltar para os anos 90. Pra você, meu caro, hehehe.

14 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.