31 dez 2010 | Lançamentos
TOP FIVE – Em 2011, eu prometo…

Chegou o fim de ano. Último dia. Dia em que as pessoas param para refletir sobre tudo o que ocorreu no decorrer do ano, se arrepender de tudo o que fizeram errado e tentar, de novo, listar coisas que pretendem fazer no ano seguinte. O problema é que quase nunca ninguém cumpre nenhuma resolução de ano novo.

O texto de hoje, o último do ano, é mais uma destas listas de resoluções. São promessas que eu acho pertinentes à maioria das pessoas envolvidas com música sertaneja, e que portanto poderiam muito bem ser acatadas por elas, hehe. É baseada nas principais reclamações e erros ocorridos em 2010. É só uma tentativa de abrir os olhos da galera para que algumas coisinhas possam ser diferentes em 2011. Não é nada pessoal e é sempre bom ressaltar isso.

Portanto, todos de dedinho cruzado e dizendo: em 2011 EU PROMETO…

PARAR DE REGRAVAR CANÇÕES NORDESTINAS DESENFREADAMENTE

O Nordeste é uma fonte inesgotável de boas canções. Isso é fato. Mas agora todo mundo já sabe disso. Então não é mais uma jogada de gênio pegar uma música que já está estourada por lá e regravar no sertanejo. Afinal tooooodo mundo faz isso agora. Tem gente que fica de olho lá o tempo todo pra poder pegar mais uma canção de alguma banda de forró do nordeste e encaixar no repertório. Um dos micos desse ano nesse caso foi a absurda e gigantesca quantidade de regravações da música “Tentativas em Vão” por artistas sertanejos. No fim das contas, foi uma tentativa em vão de todos esses artistas de vir com uma novidade que acabou não sendo novidade nenhuma. Ao mesmo tempo, a música foi regravada por Bruno & Marrone, Maria Cecília & Rodolfo, Relber & Alan com a participação de Hugo Pena & Gabriel, DJ Maluco & Aladin e com certeza por mais um punhado que provavelmente não vai ter dinheiro sequer para bancar a divulgação da canção.

NÃO GRAVAR CANÇÕES DE TRABALHO DE ARTISTAS MENORES

2010 foi mais um ano que se passou com o eterno círculo vicioso das regravações. Fulano compõe a moda. Beltrano grava e começa a trabalhar em rádios pequenas. Ciclano também grava, mas trabalha a música em todo o Brasil. Beltrano fica bravo com o Fulano porque ele liberou a música pra Ciclano. Ciclano tá se lixando pros dois discutindo. Fulano ganha rios de dinheiro. Beltrano continua bravo reclamando de Fulano e de Ciclano. Beltrano tem sua vida profissional travada por pelo menos um ano porque não tem dinheiro pra bancar de novo todo o processo de divulgação, dessa vez com uma outra canção, e não quis ou não teve grana pra bancar a exclusividade na canção que o Ciclano tomou dele. Enfim, Fulano e Ciclano se deram bem, Beltrano se deu mal. Que tal pensarmos numa forma de todos se darem bem a partir de 2011? Sei lá, talvez com uma melhoria na comunicação entre os artistas ou um pouco mais de cordialidade.

PROMOVER A UNIÃO DA MINHA CLASSE

Sejamos francos: não existe união na classe sertaneja. Família Sertaneja? Pffff, isso nunca existiu. Nunca, nunca, nunca. “Ah, Marcão, mas os AMIGOS eram o que então”? Ora, eram 3 duplas que monopolizavam o mercado e não deixavam que ninguém se sobressaísse. Isso lá é família? Quem vê todo mundo conversando via Twitter acha que nesse meio tudo corre às mil maravilhas. Não corre. É cobra engolindo cobra. E às vezes são os próprios fãs que promovem essa desunião, sempre com discussões idiotas entre si. Está na hora dos profissionais de música sertaneja realmente se unirem, promoverem o fortalecimento da classe sertaneja, assim como acontece na música country norte-americana. Que tal uma premiação anual? Que tal uma campanha em prol de um novo e forte programa sertanejo numa grande emissora de TV? Que tal uma quantidade maior de parcerias, entre artistas grandes também e não apenas entre os pequenos ou entre um pequeno e um grande, como sempre vemos por aí? Que tal uma união no sentido de decidirem firmemente nunca mais pagar jabá?

PARAR DE GRAVAR MÚSICAS PRA UMA ESTAÇÃO DO ANO APENAS

Sempre que chega o verão é a mesma ladainha. Começa a pipocar por aí um moooonte (mas mooooooooooooooooonte mesmo) de músicas, sempre acompanhadas do mesmo slogan: NOVO SUCESSO DO VERÃO!!! Ou algo similar. E geralmente são canções em ritmo de axé ou parecidas com axé. Enfim, é mais uma coisa que começou como uma idéia genial mas que se popularizou tanto que acabou se tornando um clichê. Ao invés de ajudar, acaba atrapalhando. Perdeu o caráter de novidade.

PARAR DE GRAVAR SOMENTE DISCOS AO VIVO

Em 2010 aumentou muito a quantidade de pessoas que não aguentam mais discos ao vivo. Mas mesmo com tanta gente reclamando dessa prática, todo mundo ainda continua gravando somente neste formato. E dá certo, óbvio, afinal se só existe isso no mercado, qual a opção que temos senão ouvir? Mas o fato é que depois de quase 10 anos dessa prática desenfreada, a fórmula já está começando a ficar enjoativa. Cada vez mais pessoas reclamam de dar o play num CD e ao invés de ouvir a música, ouvir aquele começo de gritaria comum a cada canção. E não tem comparação ouvir e apreciar os detalhes de uma canção sem ter aquela galera gritando junto. Eu sei que essa resolução é quase impossível de ser atendida, mas também sei que muita gente gostaria que ela se concretizasse.

Enfim, são promessas que provavelmente quase ninguém vai conseguir atender. Mas é pra isso que servem as resoluções de ano novo, né? Para NÃO serem atendidas, hehe.

Feliz Ano Novo a todos os leitores do Blognejo.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.