04 jan 2018 | Top Five
TOP FIVE – Melhores discos de 2017

Eu sei. Muitos dos assíduos leitores do Blognejo aguardaram o ano todo de 2017 pelos nossos reviews, coberturas de DVD, etc. Por motivos que não cabe aqui expor, acabei deixando de escrever tais matérias ao longo do ano e priorizei as entrevistas. Mas isso foi só em 2017, eu prometo.

Na semana passada, eu traria de qualquer forma a nossa lista com os melhores discos, mas por estar focado na resolução urgente de alguns fatos particulares recentes, preferi deixar para essa semana. Na última terça, fizemos um hangout no Instagram e no Facebook para falar de alguns dos CDs e DVDs lançados em 2017, até mesmo para que nossa lista de melhores discos tivesse um embasamento anterior.

Pois bem. Cá estamos então para nossa tradicional lista anual de melhores discos de música sertaneja. Abaixo, aqueles que foram, pra mim, os melhores discos lançados em 2017. Lembrando que em 2017 muitos grandes nomes da música sertaneja sequer lançaram discos.

MARÍLIA MENDONÇA – REALIDADE

A consolidação definitiva de um crescimento que veio acontecendo desde o início do movimento feminino na música sertaneja. O grandioso público presente no DVD é o atestado da força da Marília Mendonça como artista número 01 do atual mercado sertanejo e também como principal porta-voz das mulheres nessa nova safra iniciada por ela, Maiara & Maraísa e Simone & Simaria. O grandioso cenário e o bom repertório também colaboraram para que o DVD se tornasse essa consolidação da Marília. Apesar de muitos gostarem de dizer que a onda feminina já passou, a verdade é que não foram as mulheres que já se enfraqueceram, mas a música sertaneja de uma forma geral. Reflexo de um ano de crise intensa. O fato de a Marília Mendonça ainda continuar firme no topo do mercado sertanejo atual só corrobora que as mulheres ainda vão incomodar e muito os misóginos de plantão. Enquanto ela tiver força, as mulheres terão força.

HENRIQUE & JULIANO – O CÉU EXPLICA TUDO

Depois de um projeto irregular, que ousava nos timbres dos arranjos mas mantinha a linha de repertório do disco anterior como se tentasse achar músicas idênticas às que estouraram em Brasília, desta vez Henrique & Juliano deixaram a coisa fluir e o resultado foi um DVD inteligente, talvez o mais inteligente que eles já gravaram, com algumas das melhores músicas de toda a carreira da dupla, como “De trás pra frente”, “Tinta de Amor”, “Aquela pessoa”, “Vem pra minha vida”, “O céu explica tudo”, “Faz do seu jeito”, além de um hit incontestável como “Vidinha de Balada”. E os arranjos foram pra um lado mais orgânico e interessante, agradável. Uma atmosfera mais natural, quase acústica. Sem falar que, apesar do sucesso da “Vidinha de Balada”, a dupla foi para um lado muito mais sério nesse DVD, assumindo enfim um status de dupla do primeiro time, coisa que eles já eram desde Brasília, mas que aparentemente evitavam ao priorizarem canções com apelo mais instantâneo do que músicas duradouras, como todas essas citadas. Um grande disco.

FERNANDO & SOROCABA – SOU DO INTERIOR

Depois de caírem de certa forma em descrédito junto a muitos fãs de música sertaneja, irritados com a aparente pouca preocupação da dupla com o próprio trabalho (Fernando mais focado em produção musical e o Sorocaba no gerenciamento de seus demais investimentos), Fernando & Sorocaba finalmente fizeram um disco coerente com tudo o que eles mostraram ser nos primeiros anos de carreira. Nada mais justo que isso, já que o disco comemora os 10 anos de uma das duplas mais interessantes, donos de uma das identidades mais marcantes desse período. O resultado é o melhor disco da dupla desde o primeiro “Acústico”. Assim como os escritórios concorrentes, a FS também passou por uma grande reestruturação em 2017. Talvez por isso a dupla tenha tido chances de enfim dar a atenção devida ao próprio projeto, que traz músicas que duram pra uma vida toda, como “Aquele Ex” e “Bom Rapaz”. Esta última, aliás, celebra o aguardadíssimo encontro deles com Jorge & Mateus, depois de passarem alguns bons anos como principais “concorrentes”. A lua de mel com a Audiomix também rendeu uma parceria com Matheus & Kauan no disco. E que cenário!!! A atmosfera do filme “Mad Max – Estrada da Fúria” foi transportada para o DVD numa pegada mais rural, com máquinas agrícolas no lugar dos carros e caminhões. Um dos cenários mais incríveis já vistos num DVD sertanejo, que ainda por cima foi gravado totalmente durante o dia. Enfim, Fernando & Sorocaba ousados como sempre, mas dessa vez com a qualidade no nível máximo.

GUSTTAVO LIMA – BUTECO DO GUSTTAVO LIMA VOL. 2

Gusttavo Lima montou escritório próprio, estúdio próprio, tudo isso numa das estruturas mais grandiosas já vistas em Goiânia. Assim é o Balada. E nada melhor que inaugurar este espaço com um projeto que valorizasse esse investimento. A segunda edição do Buteco do Gusttavo Lima nada mais é que uma forma do Gusttavo Lima declarar definitivamente sua independência, tanto administrativa quanto musical. Com produção a cargo do Newton Fonseca, que é quem cuida do estúdio do Gusttavo, o disco traz o Gusttavo Lima do jeito que ele mais gosta: cantando grandes canções da história da música sertaneja. Desta vez, entretanto, ele priorizou canções do lado B, que ninguém ou quase ninguém havia regravado até então, como “Rio e Nova York”, “Solidão a Três” (ambas de Zezé & Luciano), “Mil Vezes cantarei” (Rick & Renner), “Parabéns pro nosso amor” (Bruno & Marrone), “Na Hora de Amar” (Cleiton & Camargo), etc. Entre as inéditas, a mais forte candidata a hit de 2018 até agora, “Apelido Carinhoso”, na verdade já gravada anteriormente pelo próprio compositor, Junior Angelim. Os arranjos do disco são mais um de seus grandes diferenciais, já que ele inteiro traz a marca incontestável do instrumentista Marco Abreu na sonoridade, um dos maiores violonistas do nosso gênero. O resultado é um disco com arranjos de altíssimo padrão, que renovaram de forma brilhante músicas até então esquecidas e que mereciam uma sobrevida. “Vai por Mim”, do Emílio & Eduardo, por exemplo, é um diamante que merecia há anos um resgate. É o disco que, sem sombra de dúvida, vai fechar 2018 como o mais tocado em bares e churrascos. Anotem. E como o Gusttavo Lima anda cantando, hein? Meeeeeeeu amigo!!!

MATHEUS & KAUAN – NA PRAIA 2

Há tempos eu queria poder colocar a dupla no topo dessa lista. Sim, porque ao contrário do que pintavam algumas pessoas, para mim Matheus & Kauan sempre foram uma das duplas com o melhor repertório da música sertaneja. Ora, se o Matheus sempre foi um dos melhores compositores, era de se esperar que o repertório deles sempre fosse excepcional. Engraçado como, entretanto, a dupla sempre “bateu na trave” de estourar definitivamente, mesmo tendo lançado discos excepcionais como “Mundo Paralelo” e “Face a Face”. Curiosamente, foi com um disco que trazia um apanhado das melhores da dupla e o seu primeiro grande hit que ela pode enfim chegar ao lugar de destaque que sempre mereceu. O sucesso do “Na Praia” e da música “O Nosso Santo Bateu” serviu para a dupla entender, enfim, a fórmula que os consolidaria e os manteria nas cabeças. Foram para uma praia de fato, a do Rio de Janeiro, e desfilaram uma penca de canções sensacionais, uma atrás da outra. É estranho como esperamos algo mais irreverente e extrovertido quando se fala em praia, mas Matheus & Kauan fizeram um disco na praia com músicas sérias, e isso funcionou de forma perfeita. Até porque são músicas sérias mas com uma pegada comercial. E o fato deles terem sido a dupla número 1 do mercado no decorrer do ano de 2017 escancara para todos os demais artistas sertanejos que o público quer, sim, canções de verdade, com conteúdo, e não apenas uma repetição de tudo o que já está rolando. Foi o melhor repertório do ano e uma aula para os demais artistas de que é possível estourar com identidade própria.

22 comentários
  • Eduardo Bernardes: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 03:15

    Pra mim, o melhor disco de 2017 foi NA LUZ DO SOM, de Victor & Leo

  • Fábio Roque: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 07:22

    Ô Marcão! Tava fazendo falta essas matérias mais analíticas aqui. Tomara que 2018 essa sua urucubaca suma de vez e que o blognejo seja produtivo como nunca. O que salvou 2017 foram as entrevistas!!

  • Reinaldo: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 09:04

    Top 5:
    1- Zé Henrique & Gabriel- Histórico.
    2- Edson & Hudson- Eu e vc de novo. A sonoridade está muito boa, acertaram no repertório das inéditas. Agora sim são o Edson & Hudson que eu conheço!
    3- Chitãozinho & Xororó- Elas em evidência.Apesar das mesmas músicas gravadas em vários DVDs.
    4- Matheus & Kauan- Na praia 2.
    5- Henrique & Juliano- O céu explica tudo. O repertório está impecável, mas poderiam melhorar pelo menos um pouco mais na parte vocal. Por favor! A diferença quando se canta ao vivo e em estúdio é enorme!

  • Reinaldo: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 09:31

    Maiara & Maraísa, Marília Mendonça e Zé Neto & Cristiano no repertório de todos tinham músicas muuuuuito boas ( Ex: Você faz falta aqui, Amante não tem lar e Cadeira de aço ) e outras beeem fraquinhas ( dava a impressão de que colocaram ali só para encher o disco ), quase na proporção meia a meio.

    João Neto & Frederico- achei um dos ou talvez o pior do ano, são 25 músicas muito chatas de ouvir parece tudo a mesma coisa. Eles não trazem inovações em seus discos.

    Carreiro & Capataz e César Menotti & Fabiano- gravaram CDs de regravações legais!

    Day & Lara, Júlia & Rafaela e May & Karen- cantam muuuito mesmo mas merecem um repertório um pouco melhor. May & Karen ao vivo ( em entrevistas ) cantam 10x mais do que no disco, não sei o que acontece, no disco a voz delas parece sem sal, não passam energia, isso é uma coisa que eles precisam rever!

    Villa Baggage- tem que gravar mais músicas no estilo ” Se a chuva cair “. Kleo Dibah & Rafael- o disco está muito bom mas acho que não trabalharam as músicas certas. Marcus & Belutti- tentaram gravar algumas músicas mais agitadas e não curti ( não por serem agitadas, mas por não achar tão boas assim ), gravaram uma tal de ” Glicose “- meu, essas músicas com temas médicos para mim não desce!

    Victor & Leo- o disco é legalzinho, ouvi muitos reclamando que a sonoridade deles é sempre igual ( dentro do trabalho deles ), mas isso é uma coisa que não me incomoda e nunca incomodou, pode até ser igual mas eles tem estilo próprio e é um alívio ouvir algo diferente do que predomina no mercado.

    Um Feliz 2018 para vc Marcão e para todos!

  • Reinaldo: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 09:55

    Outra coisa que eu não entendo é a necessidade de um artista gravar 25-28 músicas em um Cd. Grava 15, no máximo mas boas! Mesmo DVD grava 18 no máximo!

  • Henrique Martins: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 10:25

    Lista boa e coerente, Marcão! Eu incluiria aí “Resenha” do Cléber e Cauan que na minha opinião foi um dos melhores discos do ano!

  • Anderson Marques: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 10:53

    mek n1 do mercado onde? Deu prejuízo pra todo mundo onde passou esse matheus coverzinho sem graça e barato de jorge

  • Leonardo Barros: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 11:19

    Tu ficou só no mainstream esse ano, hein…mas tava com saudades da lista pra discordar dela kkk

    Tirando Marília Mendonça e Matheus e Kauan aí (músicas enjoadinhas do M&K) os outros 3 eu concordo que foram acima da média, principalmente o Boteco do Gusttavo Lima 2, que é bem gostoso de ouvir. Mas de resto, acredito que outros poderiam ter entrado na lista no lugar dos MM e M&K:
    – Resenha – Cléber e Cauan (Sensacional o disco!)
    – Na Luz do Som – Victor e Leo (Sempre diferenciados na sonoridade, e esse disco tem um plus de positividade bacana que falta no Sertanejo nesse momento difícil do país)
    – Infinity – Rick e Rangel (Não curti visualmente o DVD, mas o repertório é ótimo!)
    – Do Jeito Que Nois Gosta 2 – Diego e Arnaldo (Esse não sei se já foi lançamento de 2017 ou é de 2018)

  • Jluis: (responder)
    5 de janeiro de 2018 às 13:06

    Faltou o do Jefferson Moraes… Trabalho muito bom.

  • Maluce Mattos - SP: (responder)
    6 de janeiro de 2018 às 11:22

    Marcão, sobre a independência do Gusttavo Lima surgiu uma dúvida; ele não tinha entrado na Workshow???

  • Cássio: (responder)
    6 de janeiro de 2018 às 21:09

    Workshow apenas controla a agenda de Shows do GL

  • Aline Moraes: (responder)
    6 de janeiro de 2018 às 23:29

    Marcão já ouviu assistiu o DVD do EDU GUETA de SC? Estrutura grande; repertório bacana…. Jovem, bem aparentavel, artista…… Nunca vejo divulgação + projeto foi bem produzido!!!!

  • Aldo de Bastos: (responder)
    8 de janeiro de 2018 às 15:57

    Boa lista! Acredito que daria pra incluir “Na Luz do som” do Victor e Leo, ficou um CD top!

  • Italo Nonato: (responder)
    9 de janeiro de 2018 às 00:24

    O melhor sem dúvidas foi: Victor e Leo – Na Luz do Som

  • Joe: (responder)
    9 de janeiro de 2018 às 10:57

    Os melhores, sem dúvida, foram:
    1 – Na Luz do Som – Victor e Leo
    2 – Histórico – Zé Henrique e Gabriel(o que mais tocou no meu carro..rs)
    3 – Boteco do GL 2
    4 – Sou do Interior – FS
    5 – O céu explica tudo – Henrique e Juliano

  • Jackson: (responder)
    10 de janeiro de 2018 às 02:34

    De que adianta gravar o melhor cd, pra depois no show decepcionar todo mundo cantando ao vivo? Mateus e Kauan não se garantem no ao vivo real, o de estrada, são uma versão plus size do João Bosco e Vinicius.

  • Bruno Gomes: (responder)
    11 de janeiro de 2018 às 11:38

    Muito bom esse Jurerê OPS, na praia 2

  • tairo: (responder)
    11 de janeiro de 2018 às 19:35

    Eduardo Costa na fazenda e outro nível

  • Cristian Pazini: (responder)
    15 de janeiro de 2018 às 21:37

    Assino embaixo Joe.
    Os melhores, sem dúvida, foram:
    1 – Na Luz do Som – Victor e Leo
    2 – Histórico – Zé Henrique e Gabriel(o que mais tocou no meu carro..rs)
    3 – Boteco do GL 2
    4 – Sou do Interior – FS
    5 – O céu explica tudo – Henrique e Juliano
    E também concordo que Na fazenda briga pra entrar na lista

  • Eduardo: (responder)
    17 de janeiro de 2018 às 04:54

    Concordo demais com F&S – Sou Do Interior, acho um puta trabalho autêntico e sem seguir muito a modinha.
    Depois votaria no Victor & Léo – Na Luz Do Som, como sempre, sonoridade gringa, um misto das composições rancheiras do Victor com a pegada rock n roll do Leo!

  • Alex Foishi: (responder)
    25 de janeiro de 2018 às 09:38

    Cadê o Eduardo Costa – Na fazenda, moço? Nada de braçada na frente dos outros, juntamente com o Buteco do Gusttavo

  • Ana Carla: (responder)
    30 de abril de 2018 às 02:50

    Sua implicância com as feras Victor & Leo vem de longa data, Marcão. Sinto muito mas não dá pra comparar esses álbuns com o “Na luz do som”, simplesmente não dá.É muita qualidade pra por na mesa.Talvez você nem consiga captar o nível daqueles arranjos e composições e por isso nem te culpo.Deve estar ouvindo universitário demais e perdeu a noção.Só pode.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.