07 dez 2012 | Notícias,Top Five
TOP FIVE – Os maiores clichês de videoclipes

É inegável que hoje em dia o videoclipe se tornou parte importante da divulgação da grande maioria dos artistas sertanejos. Muitos deles têm inclusive lançado novas músicas já com o videoclipe, para incrementar ainda mais as visualizações e chamar o máximo de atenção possível para seu novo single. Outros têm lançado clipes até de músicas que já tem versões em vídeo de algum DVD recente.

A popularização do videoclipe, entretanto, acaba trazendo à tona uma certa falta de criatividade de alguns diretores de vídeo, que repetem elementos na maioria dos vídeos, provocando o surgimento de diversos clichês, que são nada menos que ideias que, de tão repetitivas, acabam se tornando altamente previsíveis.

Logo abaixo, uma listinha dos principais clichês dos videoclipes sertanejos recentes. Não vou colocar imagens para ilustrar os exemplos pra nenhum artista achar que estou falando especificamente do seu videoclipe.

Participação de alguma subcelebridade

Boa parte dos diretores de videoclipe e/ou dos próprios artistas sertanejos e seus respectivos empresários acham uma boa idéia inserir no videoclipe uma participação de alguma celebridade do segundo escalão da mídia brasileira. Geralmente, esse tipo de participação rende chamadas em sites e revistas de fofoca, muitas vezes enviadas para as redações pelas próprias subcelebridades que participaram do vídeo. Entre os tipos mais habituais estão as assistentes de palco, como dançarinas do Faustão, Gugu, Luciano Huck, Panicats ou ex-panicats, ex-BBBs, jogadores de futebol, comediantes e por aí vai. A maior parte, claro, é de mulheres. Mas o mais comum é que essas participações geralmente não tem nenhuma função específica no vídeo exceto a de ficarem dançando até o tempo acabar. Raras são as vezes que eles ou elas atuam de fato como personagens do roteiro.

Carros ou camionetes de luxo

Outro pensamento meio equivocado é o de que quanto mais chique o carro que o artista dirige no videoclipe melhor. Com essa onda de músicas falando de carros, então, aí é que essa prática ficou ainda mais comum. Na verdade ainda é uma incógnita a real vantagem desses carros de luxo nos videoclipes. Ninguém sabe o que de fato essa prática acrescenta. Porque geralmente isso não tem nenhuma ligação com o roteiro das produções. A intenção, aparentemente, é apenas impressionar quem está assistindo, praticamente dizendo: “Aí, tá vendo? Eu também posso ser rico, mesmo que de mentirinha“.

Câmera Lenta nas canções românticas

Nas canções românticas, essa tática é utilizada em quase 100% dos clipes. As jogadas de câmera com cenas em câmera lenta, principalmente se a cena envolver uma briga entre o casal protagonista, são o clichê mais habitual neste tipo de música. Tudo isso, claro, pra dar um efeito mais dramático nas cenas, afinal a canção pede realmente algum tipo de elemento mais dramático. Assim, de cara, eu não consigo pensar em nada que possa substituir o slow motion como efeito dramático nos clipes românticos. Mas que isso já está começando a ficar chato, isso está.

Festa com gostosas na piscina, iate, boate ou em qualquer lugar

Música agitada = moças voluptuosas em trajes minúsculos dançando junto com o artista em volta de alguma piscina, dentro de algum barco, na sala de alguma casa, na pista de dança de alguma boate ou de um bar… Os diretores de videoclipe parecem ter chegado todos juntos à conclusão de que clipe de música agitada não precisa de roteiro. Basta colocar um monte de gostosas dançando com o artista que tá tudo certo.

Sono interrompido pelo toque “Marimba” do Iphone, com close na tela

Esse é o clichê mais evidente no momento. Também é visto nas canções agitadas. O artista está lá deitado em sua caminha, dormindo, geralmente de ressaca depois de uma noitada, e seu sono é interrompido pelo toque do celular. Qual celular? Iphone, sempre. Qual toque? “Marimba”, sempre. Close na tela do celular no momento do toque. Aparece o nome de alguma mulher ou do empresário ou de algum amigo próximo que também vai aparecer no videoclipe. O artista, então, acorda apressado, se levanta e a música começa. A ideia parecia legal no começo, mas depois que 784 clipes usaram a mesmíssima cena, mudando apenas os personagens, já se tornou provavelmente o mais irritante de todos os clichês de videoclipe. Pelo menos pra mim. Não sei vocês, hehe.

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Na medida em que os videoclipes se popularizaram na música sertaneja, aparentemente os diretores de vídeo começaram a deixar a criatividade meio de lado. Parece que a galera está esquecendo que um videoclipe precisa, antes de mais nada, de uma boa ideia, colocada no papel através de um bom roteiro. Não basta apenas encher o vídeo de elementos já extremamente batidos, achando que só isso basta pra um clipe chamar a atenção e conquistar muitas visualizações do Youtube. Exceto, claro, se o artista já postar o clipe pensando em comprar os views. Aí pode fazer o clipe do jeito que achar melhor, e dane-se a criatividade. Só não dá pra garantir que vai ter o mesmo impacto que teria se seguisse as vias normais.

8 comentários
  • Thame Sousa: (responder)
    7 de dezembro de 2012 às 14:40

    Concordo plenamente com tudo. Acho que quando surgiu essa ideia de colocar carrões, mulheres e afins, foi até divertido no começo, foi novidade, “uma nova roupagem” nos clipes, porém virou uma epidemia, todos querem clipes de ostentação, quanto mais melhor, e isso contribui com a “má fama” que o novo sertanejo vem trazendo.

    • Michel Dinato: (responder)
      9 de dezembro de 2012 às 08:32

      Verdade…
      e o Michel Teló puxou a fila duas vezes,
      primeiro AI SE EU TE PEGO(só com mulheres “TOP”) depois na versão em ingles na praia com lanchas e tudo mais…
      aí virou muita cópia…

  • Bia: (responder)
    7 de dezembro de 2012 às 14:59

    Adorei!
    Que tal um TOP 10 dos clipes de 2012?
    Tem muito clipe legal…

    • Marcela: (responder)
      9 de dezembro de 2012 às 13:33

      Boa ideia, além de fazer um “TOP” com os álbuns do ano, poderia fazer também com os clipes do ano.

  • Michel Dinato: (responder)
    8 de dezembro de 2012 às 12:32

    Incrivel,

    exatamente assim mesmo…….

  • Marcos Guaritira: (responder)
    10 de dezembro de 2012 às 16:08

    Lembrando que TUDO começou com Bruninho e Davi – Vamo Mexe. Ninguém gravava versão estúdio, muito menos clipe! No quesito Romantico foi com Chuva JB&V

    • Anônimo: (responder)
      10 de dezembro de 2012 às 17:36

      verdade…JB&V

    • Victor235: (responder)
      10 de dezembro de 2012 às 19:51

      Os caras são bons hein?? Inventaram o video-clipe e a gravação em estúdio. Poxa. Só falta cantar legal agora.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.