07 jan 2009 | Lançamentos
Top Five – Tipos de Regravação
A fim de esclarecer o porquê da minha cruzada contra certas regravações, hoje resolvi postar um Top Five inusitado. Elaborei uma lista dos que eu considero os principais “tipos” de regravação, bem como minha consideração pessoal acerca de cada um deles. Assim, quem sabe, dá pra esclarecer um pouco das dúvidas do pessoal.

REGRAVAÇÕES DE SI MESMO (MÉTODO “FÁBIO JÚNIOR”)



Esse tipo de regravação, comum aos CDs acústicos ou Ao Vivo, é adotado quando um artista acredita ter entre suas antigas músicas alguma que possa vir a se destacar mais do que na época de seu lançamento, como Chrystian & Ralf, que fizeram nada menos que três discos contendo quase que apenas regravações de suas antigas canções (os dois acústicos
e o primeiro SMD). Pode ser usado também quando o artista quer aproveitar a boa fase da sua condição vocal e recriar os arranjos em cima da voz da primeira gravação da canção. O melhor exemplo nesse caso é o Zezé, que fez novas versões de “Chega”, “A Saudade é uma Pedra”, “Diz pro meu Olhar”, “Quem é ele”, ” Saudade de nós dois”, “Não quero te perder”, todas aproveitando a voz gravada na época da primeira versão. O exemplo mais bem sucedido desse tipo de regravação é o de Bruno & Marrone, que venderam mais de 2 milhões de cópias de um disco cuja música de trabalho nada mais era que uma releitura da primeira música de trabalho da carreira da dupla, “Dormi na Praça”. O novo CD da dupla também vai trazer releituras de antigas canções. Sou favorável a esse tipo de regravação, já que o artista regrava músicas do próprio repertório, mas não sou muito favorável quando é usado pra esconder os problemas que o artista anda tendo na voz.

VERSÕES (MÉTODO “CHITÃOZINHO & XORORÓ”)


Muito usado nos anos 90, esse tipo de regravação consiste simplesmente em se parodiar uma canção estrangeira de sucesso, colocando uma letra em português, que muitas vezes não tem nada a ver com a letra original. Chitãozinho & Xororó se valeram muito desse método, com canções como “Nascemos pra Cantar” e “Um Homem quando ama”. Cleiton e Camargo idem
com as canções “Na Hora de amar”, “Se é amor não sei” e “Quando um grande amor se faz”. Leandro & Leonardo com as canções “Eu juro” e “Eu sou desejo, você é paixão”. Uma das variações desse método é aquela em que o artista convida o cantor original da música para gravar uma participação, como Chitãozinho & Xororó com Billy Ray Cyrus (“Pura Emoção” e “Ela não vai mais chorar”), Reba McIntyre (Coração Vazio) e Bee Gees (Words); Zezé di Camargo & Luciano com Willie Nelson (“Eu só penso em Você”) e Eduardo Costa com Richard Marx (“Eu sou desejo, você é paixão”). Não sou favorável a esse tipo de regravação. Primeiro, um compositor tem que ser muito cara-de-pau para fazer uma letra em cima de uma música estrangeira conhecida. Na minha opinião, ele está praticamente assinando um atestado de incompetência. Ora, se não consegue fazer uma música inteira, faz uma paródia que tá bom? Além disso, alguns artistas ficam à espreita esperando o próximo sucesso internacional da novela das oito pra fazer uma versão em cima, como a tosca “Meu erro”, com Nelson e Davi, versão de “My mistake”, de James Blunt. O pior é que o povão adora.

REGRAVAÇÕES DE GRANDES SUCESSOS NORDESTINOS (MÉTODO “ANDRÉ & ADRIANO”)


O Nordeste é praticamente outro país no que diz respeito à questão cultural. Nas listas do ECAD de arrecadação de direitos autorais no Nordeste, os campeões nunca são os mesmos das outras regiões do país. Entre aviões, bondes, teco-tecos, asa deltas do forró, as bandas de sucesso são as que fazem um estilo, digamos, exótico. E o seu sucesso é quase que praticamente restrito ao nordeste. De olho nesse nicho e na “qualidade” das canções, uma das novas manias na música sertaneja é regravar as canções de sucesso daquela região. Virou febre regravar grandes sucessos de bandas nordestinas, como “Chupa que é de uva” (Lelles & Leonardo), “Alô, tô num Bar” (Erik & Matheus) e “Beber, cair, levantar” (André & Adriano). É óbvio que não sou favorável a esse tipo de regravação, por dois motivos. Em primeiro lugar, as músicas são geralmente de um mal gosto extremo. Pô, “chupa que é de uva”, “senta que é de menta”, o que é isso??? Tranquem as crianças nos quartos e tirem todos os rádios de perto. Em segundo lugar, os artistas que regravam quase sempre tendem a divulgar a música como “sucesso nacional”, dizendo ainda que é sucesso com eles. Ora, a música pode até ter virado sucesso, mas já era assim antes de eles regravarem.

REGRAVAÇÕES DE CANÇÕES DO PASSADO (MÉTODO “CÉSAR MENOTTI & FABIANO”)


Fora os discos de música raiz, feitos a título de homenagem, como a série “Meu Reino Encantado”, do Daniel, hoje é comum a regravação de músicas do passado que fizeram ou não sucesso, mas que podem receber uma nova roupagem e se modernizar, atendendo a um público mais contemporâneo. A galera universitária é mestra na arte de garimpar músicas do passado e reinventá-las, agradando em cheio ao público jovem. Entre os adeptos mais conhecidos estão César Menotti & Fabiano, João Neto & Frederico e Jorge & Mateus. Por que sou favorável a esse tipo de regravação? Ora, as canções regravadas já foram trabalhadas à exaustão em outras épocas. Qual mal há em se regravar uma canção que foi sucesso há 10 ou 15 anos e que hoje em dia está confinada nas programações das madrugadas das rádios sertanejas? A regravação, na verdade, pode representar até o retorno de um antigo sucesso. Eu, por exemplo, quando escuto uma canção antiga regravada, logo fico com vontade de ouvir a versão original pra fazer comparações. É inevitável. Além disso, acredito que não tenha nenhum artista que queira admitir que ainda está trabalhando uma canção que ele gravou há mais de 10 anos.

REGRAVAÇÕES DE CANÇÕES USURPADAS (MÉTODO “GUILHERME & SANTIAGO”)


Eis o motivo da polêmica. Esse tipo de regravação é aquele em que o artista que regrava “cata” uma música que um artista iniciante está trabalhando em sua região. Os caras ficam sabendo que determinada canção está fazendo sucesso em determinada região, entram em contato com o compositor e simplesmente inserem a música em seu repertório e lançam-na nacionalmente. Aquele pobre coitado que gravou a versão original da música, e que poderia até ter a ambição de se fazer conhecido nacionalmente por meio da canção, vai ficar tachado como “o cara que regravou” por quem não sabe que na verdade quem regravou foram os outros. Os adeptos desse método de regravação não dão a mínima se quem gravou a versão original tem intenção de fazer uma carreira de sucesso com aquelas canções. Entre os adeptos, João Bosco & Vinícius com as canções “Falando Sério” e “Sufoco”, do Luan Santana, Nechivile com umas sete canções do novo DVD, e os mestres na arte Guilherme & Santiago, com as canções “Magia e Mistério” (João Bosco e Vinícius), “Só de Você” (João Neto & Frederico), “A Culpa é sua” (Diego & Danilo), “O amor é assim”, “Quando você vem me abraçar” (as duas de Denilson e Daniel), “Daí que miorô” (San Marino) e mais um mooooonte de músicas. O pior é que em alguns casos são os próprios cantores que repassam as músicas, como no caso das duplas Denilson & Daniel e Diego & Danilo. É muita ingenuidade da parte deles pensar que se um cantor de maior prestígio regravar sua música de trabalho, eles também vão fazer sucesso. Não digo que eu não repassaria uma das minhas canções para alguém regravar, mas tomaria cuidado de repassar as que ainda não gravei ou as que não penso em trabalhar. Assim não corro o risco de prejudicar minha carreira. Todo mundo sabe que o povo só quer saber quem canta, quase nunca sabem quem compõe.

É claro que o fato de eu ter citado determinados cantores num só tipo de regravação não significa que eles não regravem os outros tipos. João Bosco & Vinícius, por exemplo, também se encaixam no método “César Menotti & Fabiano”. E os gordinhos ensaiaram o método “Guilherme & Santiago” nas músicas “Caso Marcado”, da Noli, e agora com a música “Maluco por você”, da dupla Henrique & Hernane. Victor & Léo começaram com o método “César Menotti & Fabiano” e agora migraram para o método “Fábio Jr.”, com as canções “Deus e eu no sertão” e “Tanta Solidão”, do novo CD, já gravadas em outros discos da dupla.

Sobre o fato de um compositor ter que fazer seu ganha-pão, concordo. Mas é muita falta de ética passar uma música pra um artista gravar e, logo depois, passar a mesma canção pra outro. Eu sou daqueles que acha que quando um artista grava uma canção, ele deve ser considerado tão dono quanto o próprio compositor. Como eu já disse em outros posts, o cantor é a identidade da música, mesmo que o vínculo seja apenas moral, ou seja, nada impede que a porcentagem de direitos autorais continue amplamente maior para o compositor. Só defendo um controle maior da canção por parte de quem gravou originalmente. O cantor deve ser consultado. Se o cantor reconhece que não quer trabalhar a música, nada mais justo que alguém regravá-la.

No fim das contas, sou da opinião de que o melhor mesmo é gravar apenas músicas próprias. Nada melhor que você mostrar um trabalho com a sua cara, seu jeito. Mesmo que um cantor não saiba compôr, que contrate um compositor exclusivo, alguém que componha apenas para aquele cantor. Tem tanta gente boa para compor nesse Brasil escondida em seus sonhos de ver suas canções cantadas por alguém. Com certeza topariam trabalhar assim. Se tem gente que escreve até textos gigantescos em blogs diariamente e de graça (como eu hehehe), porque não escrever canções recebendo um salário pra isso e ainda a maior parcela dos direitos autorais?

Xingamentos, Impropérios, Injúrias, Calúnias, Difamações e afins nos comentários, por favor.

15 comentários
  • Rhona Pardy: (responder)
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.