07 ago 2008 | Lançamentos
TOP FIVE – VOZES FEMININAS DA ATUALIDADE
É uma triste realidade: as mulheres definitivamente não têm vez no mercado da música sertaneja. Geralmente, quando acontece de aparecer alguma nova cantora, ela logo é taxada como country e não “sertaneja”. Ninguém nunca soube explicar muito bem o porquê. Eu tenho um palpite, mas devo tomar muito cuidado para não ser mal interpretado. O público sertanejo se acostumou e até gosta da fama de “pegadores” que os cantores sertanejos têm. E vocês sabem como os brasileiros são machistas. Creio eu, portanto, que o público não se interessa pelas mulheres na música sertaneja por não querer pensar na possível fama de “pegadoras” que elas possam vir a conquistar. Vocês sabem: na cabeça dos brasileiros, homem promíscuo é garanhão, mulher promíscua é piranha. Sem demagogia, mas eu sou um defensor da total liberdade para os solteiros, homens ou mulheres. Já passou da hora de se abrir definitivamente um grande espaço na música sertaneja para as mulheres. Pensando nisso, e atendendo a inúmeros pedidos (né, Fabinho!!!), o TOP FIVE de hoje é sobre as vozes femininas que vêm, aos poucos, obtendo destaque no grande mercado machista da música sertaneja.

NATÁLIA SIQUEIRA

Ela ganhou no ano passado o concurso “Country Star”, promovido pelo programa Terra Nativa da Band, como o apoio da Universal e da Arsenal Music. Temos que admitir que ela é o principal expoente feminino dentre as novidades da música sertaneja e, herrrrr, country (já já eu explico porque eu falo “country” tão a contragosto), devido à sua exposição na mídia bem superior a qualquer outra mulher novata do segmento. Gravou com Leonardo, Guilherme & Santiago e Eric Silver. Ela canta muito bem, sem sombra de dúvida, e mereceu ganhar o Countrystar.

GRUPO BARRA DA SAIA

O Grupo Barra da Saia é formado por quatro mulheres, cada uma responsável por um ou mais instrumentos, e todas com uma ampla bagagem musical, que inclui formação superior e muita experiência junto com outros artistas. As integrantes são Fernanda Kostchak (violino), Adriana Sanchez (voz, acordeon e teclado), Adriana Farias (voz, viola e violão) e Julia Lage (vocal e contrabaixo). Só pra vocês terem uma noção da bagagem dessas meninas, a Fernanda e a Julia são formadas em música, a Adriana Farias já foi backing vocal de Fábio Júnior, Vavá, Vanessa Camargo, Leandro e Leonardo, Raimundos e outros, a Adriana Sanchez já trabalhou com Leonardo e Roberta Miranda. Cada uma é mestra no que faz. Com relação ao estilo que adotam, são basicamente um “Grupo Tradição de Saias”. Sempre é possível vê-las se apresentando na TV nos programas sertanejos e no Raul Gil, por exemplo. São bastante conhecidas no cenário independente.

LUCYLLA & LUCYANA

Outra dupla cujo nome também vem sendo bastante difundio. Vão lançar um CD no Villa Country, uma das maiores casas de show exclusivamente sertanejas do Brasil, no dia 12 de agosto. O estilo é meio que um “sertanejo anos 90”. Assim como o Barra da Saia, também podem ser vistas com frequência em programas de TV. Só tenho uma crítica a essa dupla: na breve pesquisa que fiz sobre o tema de hoje, toda a divulgação que encontrei sobre elas estava voltada apenas para o fato de serem bonitas. Deve-se tomar cuidado com esse tipo de divulgação. Esse é o tipo de estereótipo que, na minha opinião, deve ser combatido. Beleza é importante, mas talento é o principal, e isso elas têm de sobra. Afinal, elas não são funkeiras ou mulheres-fruta pra apostar no sucesso às custas de seus atributos estéticos.

MARIA CECÍLIA & RODOLFO

O nome dessa dupla já vêm sendo bastante difundido na Internet e a fama vem se espalhando rapidamente. Com um CD a caminho com a produção de ninguém menos que Pinochio, é uma das poucas duplas que se arriscam na formação com um homem e uma mulher. No caso deles, tem dado certo. É uma das únicas duplas com a primeira voz feminina totalmente adepta do estilo universitário. Acho que a produção do Pinochio vai ajudar a melhorar as qualidades da dupla e a corrigir os defeitos. Um dos defeitos da dupla que, na minha opinião, devem ser corrigidos é o pouco aproveitamento que se dá ao fato de a primeira voz ser de uma mulher. A voz feminina é uma coisa muito bonita e deve ser aproveitada o máximo possível, ainda mais quando a dupla tem talento.

FERNANDO & FABIANA

Outra dupla que segue um estilo mais tradicional da música sertaneja e que também vem fazendo bastante sucesso no cenário independente. Esses dois irmãos paranaenses cresceram na música no segmento católico. Parecem ser daquelas famílias bem tradicionais e têm um grande diferencial com relação às outras duplas que contam com uma ou duas vozes femininas: eles revezam a primeira e a segunda voz com facilidade. Os dois cantam bem. Provavelmente isso seja herança da formação musical na Igreja Católica.

É claro que existem muitas duplas, grupos, e cantoras solo no mercado sertanejo. Eu cite os que estão mais em evidência, conforme pude constatar. Outros nomes vêm logo no encalço dos citados acima, como Rildo & Riany, Thalisson & Tarsilla, e outros.

ADENDO:

Logo que aparece uma nova voz feminina no segmento sertanejo, a mídia e/ou as gravadoras se apressam em taxá-la como country. Ora, não é por ser feminina que a pessoa tem que seguir o estilo country. A música sertaneja sofreu, sim, muita influência da música country, mas é outro estilo musical, brasileiro, e não americano. Natália Siqueira é uma cantora sertaneja, assim como todas as outras taxadas como country, simplesmente por ser brasileira. Só pra vocês verem como esse movimento de transformação das mulheres em cantoras country é poderoso, nas duas edições do programa Countrystar os vencedores parecem ter traçado caminhos diferentes. A Natália permaneceu, sem sombra de dúvida, sobre uma influência da música country norte-americana, devido inclusive à participação do cantor Eric Silver em seu CD. Já o Leovander parece seguir o caminho da música sertaneja tradicional do Brasil. A música de trabalho do vencedor do CountryStar é uma regravação de “Feito de Aço”, do compositor Maurício Bressan, e é sertaneja, no melhor estilo romântico sertanejo possível (sexta-feira vocês poderão ouví-la aqui no blog). Eu só não entendo porque as gravadoras insistem em incluir as mulheres no segmento country ao invés do segmento sertanejo. Será que não perceberam ainda que não há no Brasil cantor country que tenha feito sucesso. Agora, cantores sertanejos de sucesso já é beeem mais fácil de achar.


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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.