29 set 2010 | Lançamentos
Triângulo Music – desta vez também sertanejo

Pela primeira vez na história do Triângulo Music duplas sertanejas também se apresentam. No último fim de semana, aconteceu a 6ª edição do festival, que desde que começou costumava trazer apenas dois segmentos: rock e axé. “Mas Marcão, eu lá sei o que é Triângulo Music? Tá ganhando jabá deles também, Marcão?“. Para os desinformados, esse festival de música é hoje um dos mais badalados e organizados festivais de música que acontecem no Brasil.

Até a mais recente edição, o Triângulo Music servia como um suspiro de alívio dos roqueiros e similares da região do Triângulo Mineiro e adjacências. Era evento sertanejo o ano todo. Mas de rock quase não tinha. Mas dessa vez, aparentemente até os organizadores do evento deram o braço a torcer e tornaram o evento beeeem mais popular. Ao invés de duas atrações de axé de nível mediano, trouxeram as duas maiores divas da música baiana: Cláudia Leitte e Ivete Sangalo. Ao invés de bandas de rock consagradas, mas fora das paradas de sucesso, várias bandas de rock emo e coloridas: Hóri, Restart, NxZero. E a tradicional presença da banda Jota Quest. Mas o diferencial mesmo esse ano foi a presença de duas  das principais duplas sertanejas da atualidade: João Bosco & Vinícius e Victor & Leo.

Por conta do caráter multicultural do evento, eu nem cheguei a correr atrás de credencial. Afinal de contas, não seria muito vantajoso para o Blognejo e seus leitores. Além do mais, meu equipamento novo ainda não chegou. Então o máximo que eu poderia conseguir seriam algumas fotos e declarações que eu provavelmente não poderia aproveitar, já que são dezenas de profissionais de imprensa à espera delas e quase todas não tem o mínimo aproveitamento prático no Blognejo.

Mas quis o destino que uma grande amiga e parceira do Blognejo entrasse em contato convidando para o evento e disponibilizando a credencial. Isso faltando umas 3 horas para o evento. Eu não ia fazer nada mesmo, hehe. Então aceitei o convite e fui curtir a festa. Aliás, a respeito de organização dos shows e tudo mais, o profissionalismo é invejável. Não estou dizendo nada sobre as bebidas e tudo mais. Afinal de contas nem beber eu bebo. E como não vou pra esse tipo de evento para encher o buxo de cachaça como a grande maioria das pessoas, não sirvo de base para medir a qualidade do atendimento dos bares e nem a agilidade das filas dos banheiros.

Mas é impressionante como tudo é bem pensado. São 4 mega-shows por dia, durante dois dias. Tudo numa ordem muito bem concebida para atender bem a todos os públicos. Para as crianças e adolescentes, que provavelmente vão acompanhadas dos pais, os primeiros shows. Hóri com Jota Quest  na sequência no primeiro dia e Restart no segundo com NX Zero em seguida. “Ah Marcão, mas o que tem a ver Jota Quest com Hóri?”. Ora, é mais fácil um fã de Hóri curtir Jota Quest do que um fã de João Bosco & Vinícius, não é mesmo?

Na sequência, para “3º show da noite”, foram programadas as apresentações sertanejas. João Bosco & Vinícius no primeiro dia e Victor & Leo no segundo. Com as divas do axé na sequência: Claudia Leitte no primeiro dia e Ivete no segundo. Assim todo mundo pouparia as energias até o final do evento praticamente. “Programadas”, vale ressaltar. Já que a estrela maior Ivete Sangalo, além de se recusar a falar com a imprensa e de não permitir a transmissão do show no telão por força contratual (não se sabe com quem), quis porque quis que mudassem a ordem das apresentações, colocando-a como terceiro show da noite e fazendo com que todo mundo já estivesse totalmente moído quando o show de Victor & Leo começou. Por conta desses caprichos da grande estrela, o começo do show dela atrasou em uma hora, e o de Victor & Leo mais uma outra hora. Se a programação tivesse sido seguida normalmente, o tempo entre cada show não passaria de 20 minutos.

Aliás, é impressionante como o comportamento do público muda durante o show da Ivete Sangalo. Parece que todos ficam meio retardados, sem a mínima noção das idiotices que estão fazendo. A machaiada tira a camisa e a mulherada começa a dançar freneticamente como se logo depois daquilo o mundo fosse acabar. Fora a enorme quantidade de gente jogando latas de cerveja umas nas outras, de babacas soltando bombas de mal cheiro no meio da galera (sério). Enfim, o inferno na terra. E eu, que não bebo, não consigo ver a menor graça nesse tipo de show. Eu, que esperava assistir Victor & Leo antes da Ivete para ir embora antes que a balbúrdia começasse, tive que aguardar até o fim da sodomia.

No primeiro dia, cheguei no fim do show do Jota Quest, por conta de outros compromissos. Ainda deu tempo de participar da coletiva do grupo, isto é, do Rogério Flausino, já que somente ele participou. Acabei não resistindo e fiz uma perguntinha sim, relacionada à eterna rivalidade entre sertanejos e roqueiros. Óbvio que recebi a resposta padrão dos bons moços: ” somos todos colegas de trabalho e bla bla bla, o que importa é a música e bla bla bla”. Na coletiva seguinte, com João Bosco & Vinícius, preferi deixar as perguntas por contas dos colegas de imprensa presentes, já que eu havia combinado com eles uma coisa diferente (surpresa, hehehe). O João Bosco chegou a estranhar e ainda perguntou na frente de todos: “ué, Marcão, num vai perguntar nada não?”. Aguarde e confiem, hehe. Não aguardei o show nem a entrevista da Claudia Leitte. Acho que estou ficando velho demais para essas coisas já.

No dia seguinte, acompanhei a coletiva com o NXZero, mas não quis perguntar nada. Afinal de contas o que eu perguntaria? Por conta do atraso nos shows da Ivete e da dupla Victor & Leo, a coletiva com os irmãos, que estava prevista para 01:00 da manhã, seria adiada para depois do show deles (por volta das 03:15). E eu, depois de um dia inteeeeiro de trabalho (duas apresentações à tarde, mais um casamento de parente no horário de almoço e corre-corre o dia todo com montagem de som (que eu alugo), estava praticamente um zumbi. Não aguentei esperar. Acabei indo embora. Torcendo para um dia poder realizar uma entrevista daqueeeelas com a dupla, ainda melhor que a do ano passado.

O interessante de acompanhar a estréia dos sertanejos num festival que sempre foi tido como um dos principais festivais de pop rock do Brasil foi ver a reação da galera com cada artista que se apresentava, cada um de um segmento diferente. Engraçado ver uma pessoa que canta “entre razões e emoções a saída…” cantar junto uma moda como “sair de que jeito, se nem sei o rumo para onde vou…”. O Triângulo Music desse ano definitivamente consagra a miscigenação cultural que a música brasileira representa. Tudo misturado, uma balbúrdia só, mas o público bem ativo em cada uma das apresentações e o sertanejo mostrando que tem tanta ou mais força que qualquer outro segmento. Valeu pela experiência e, se tudo der certo, aguardem mais no ano que vem.

10 comentários
  • Emilio Rokisky: (responder)
    14 de julho de 2013 às 14:38

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.