10 out 2010 | Artigos
Um Raio X da música sertaneja feito por um Fantasminha Camarada

Nos últimos dias uma calorosa discussão a respeito dos rumos que a música sertaneja tomou invadiram o Blognejo. Foram diversos comentários concordando e discordando do texto (leia aqui) e do  ponto de vista do nosso colunista cult, o indefectível Timpin. Entre os comentários, um bastante contundente esclarece pontos nevrálgicos da questão, feito por Gaspar, nome fictício de um dos mais antigos comentaristas do blog. Escolado, conhece a música pelo lado de dentro, seus pontos positivos e negativos e as pessoas que a moldam.

Segue abaixo sua opinião que, ao meu ver é bastante interessante:

“Eu acho que há, e também não há, futuro para o Pop Sertanejo. Pois ele é de certa forma: velho. Na realidade o que há é uma renovação TEEN do público. Não é uma revolução, propriamente artística, mas sim administrativa. Explico:

Acontece que a bola da vez dos caras de grana que investem/investiram nas rádios é o que vira a tendencia. Historicamente o povo vai aceitando o que for, mas é caro. Aos que vc citou indiretamente:

Sorocaba, Jorge e Mateus e Maria Cecília são isso. João Carreiro e Capataz é um fenômeno isolado incrível, pois eles sequer tem um hit de verdade e lotam shows. Fruto de trabalho de formiguinha, não se enquadram neste quesito que descreverei.

Não tem nada de inédito em uma abordagem pop sertaneja. Balela. Já foi feito isto há pelo menos uns 7 ou 8 anos atrás. Você quer dizer pop mais próximo do ATUAL, copiando o lá de fora. Kings of Leon ? (hoje em dia)

Pois “Pop por Pop”, temos diversos exemplos que sempre pautaram a música sertaneja, pops ao seu tempo, ou até talvez um pouco a frente de seu tempo. Para citar, o Pinócchio não é pop, mas é foda, tem o cheiro do sucesso. Faz O MAIS difícil, ele põe o transatlântico do sucesso do artista em movimento. Fez diversas vezes.

Outros exemplos:

Leonardo (Brincadeira tem Hora), Zezé di Camargo (os álbuns de 2002 a 2004) – produtor: César Augusto
Bruno e Marrone – (Choram as Rosas) – produtor: Vinícius
Marlon e Maicon – Tudo Azul – (2001 e 2002 ) – produtor: Lucas Robles
Matogrosso e Mathias (Tentei te Esquecer, Um Século sem Ti) – produtor: Zaccarias
Cleiton e Camargo (incrivelmente pop na sua época) – produtor: César Augusto
Dois a Um (Cuiabá) – produtor: eles mesmos
Rio Negro e Solimões – Pinocchio (não é pop, mas era muitíssimo moderno à sua época o “De São Paulo a Belém”)

O problema é que globalmente a música deixou de ser um bem “durável” e do papel de referencia comportamental de 1 ou 2 décadas atrás. Onde na vida, Jorge e Mateus tem “cara/pose de artista” ?? Maria Cecília e Rodolfo ? Isso simplesmente deixou de existir. (muitos podem ridicularizar isso, mas a verdade é que o artista sempre foi uma referencia visual/comportamental historicamente). Já o Luan Santan conserva isso, ponto positivo a favor dele.

A única coisa que mudou, é que pessoas que tem investimento alto neste particular momento da música estão fazendo isso, o Pop(inho), John Mayer, Moon Patrol(old já, mas Maria Cecília e Rodolfo), The Killers(old já) e talvez o os mais copiados de hoje os Kings of Leon (a grande fonte de inspiração do pop sertanejo de hoje ??).

Amanhã quem estiver investindo mais, se estiver fazendo maculêlê, dói um pouco mais a mudança. Mas se in$i$tir ba$tante (o Sorocaba conseguiu) o povo engole e vira a bola da vez também. Mérito da coragem e de peitar o “stablishment” e ter bala na agulha. E quem estiver produzindo com a turma da grana na bola da vez, pode fazer o que for, que terá repercussão no mínimo boa, por tudo que já foi plantado e pelo transatlântico já em movimento (tente parar um). Façanha feia foi o que César Menotti e Fabiano conseguiram fazer neste último disco… Cada um tem seu momento, e o mundo é cíclico, que bom.

Reafirmo, o difícil MESMO é colocar o transatlântico para andar, parado, do zero para o movimento e com pouquíssimo investimento. Isso poucos conseguiram. Difícil é sacar qual canção é um VERDADEIRO sucesso nos dias de hoje, pois teve pouco investimento, ou partiu do zero para o movimento do navio.  Victor e Léo conseguiram, Regis Danese também e recentemente a música de Christian e Cristiano. “Locutor”, aquela  já antiga, “Chora me Liga” e “Sem Ar” do D’Black  também conseguiram, e tem muitas outras se olharmos um pouco mais para trás, mas deixa para lá. Só que se não injetar dinheiro depois para se manter, ou se não tiverem dinheiro, eles minguam logo também por falta de ADMINISTRAÇÃO.

Agora, o grande mérito dessa geração universitária, é o ADMINISTRATIVO da carreira. Investimento = Retorno (se bem administrado). Isso é a VERDADEIRA REVOLUÇÃO do SERTANEJO hoje! E parabéns aos que investiram pesado nisso (não foi pouco), pois todos novos talentos acabam se beneficiando deste momento, por eles. O espaço se abriu para quem souber administrar bem sua carreira e com um certo investimento. Coisa impossível de uma década atrás gastando-se até BEEM mais, devido ao cartel de duplas que existia e pelo menor espaço em geral da música sertaneja.

Eu não consigo nem imaginar de onde vem tanto da dinheiro e investimento da dupla Maria Cecília e Rodolfo, por exemplo. Mas, mérito e ponto positivíssimo para seus empresários. Exemplificadno outros fora o sertanejo de sucesso expontâneo verdadeiro:

O Tecnomelody é (mas odeio). O Boi-bumbá foi. O Axé no início foi. O Forró Universitário também foi.

É fácil: faça o quociente do investimento feito/ repercussão. Mas compense que depois que o navio está em movimento a coisa fica BEEM mais fácil, coloque um coeficiente redutor. Pois dá para errar e nem ser notado. Só lá na frente, mas aí ninguém se lembra mais, pois aqui é Brasil. Poucos conseguem mensurar isso, o negócio é por aí…

PS. Esqueci até de mencionar o “Feio”, bem pop também.
Em suma, apenas para dizer que, Pop no Sertanejo, NÃO É novidade nem de perto.

Eu rotularia este “novo” sertanejo como o “Sertanejo Pós-Graduado” (em Administração, lógico, já que o outro era Universitário ainda…rss), aí sim.”

22 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.