27 out 2008 | Lançamentos
VICTOR & LÉO – VICTOR Y LEO – NADA ES NORMAL
O quê? Victor & Léo de novo? O que será que o Marcus tá pensando? Meu Deus do céu, não aguento mais!!!!

Hehehehehe.

Calma, gente. É que, graças às minhas amigas Keila e Paty, do blog Victor & Léo Sem Censura, eu tive acesso a todas as canções do CD em espanhol da dupla e resolvi já escrever sobre o novo trabalho. Tem muitos lançamentos na agulha por aqui. Em breve, reviews sobre os novos trabalhos de Juliano César, Di Paulo & Paulino, Luiz Cláudio & Giuliano, Guilherme & Santiago, César Menotti & Fabiano, Zezé di Camargo & Luciano e muitos outros…

Antes de falar diretamente sobre o CD “Nada es Normal, falaremos sobre a relação entre a música sertaneja e o mercado latino americano. Recentemente, publicamos aqui um Top Five com todas as duplas que tentaram se lançar na América Latina em língua espanhola, sem sucesso. O que será que houve? O que será que o mercado latino-americano procura? Porque será que artistas brasileiros que vendiam milhões no Brasil não conseguiam se destacar nos outros países do continente?

Os artistas latinos sabem que o Brasil é um país de grande apelo cultural. Se fizer sucesso por aqui, é bem provável que se alcance o sucesso ao redor do planeta. Ora, assim aconteceu com artistas como Ricky Martin e Shakira. Primeiro, eles foram sucesso em seus países, depois no Brasil, e depois no resto do mundo. Com os artistas sertanejos, acontecia o inverso. Sucesso no Brasil, fracasso na América Latina “espanhola” e consequente ostracismo no exterior.

Chitãozinho & Xororó lançaram três discos em espanhol. O primeiro era, na verdade um disco de músicas mexicanas no estilo tradicional, comum no país. Não é preciso dizer que não deu tão certo quanto se esperava. Depois ainda lançaram mais dois discos. O último foi um lançamento paralelo ao CD “tudo por amor”, de 1993. Consistia numa versão em espanhol do álbum. Aliás, eles mudaram até o nome da dupla pra tentar emplacar no México. Compreensível. Imaginem os mexicanos dizendo “Chitãozinho & Xororó”. Além deles, também se aventuraram Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano e Daniel. Alguns podem até ter alcançado um respeito fora, mas nada que se compare ao sucesso que eles têm no Brasil.

Por que nenhum deles deu certo? Na minha opinião, a fórmula seguida foi incorreta. Eles esqueceram que estavam lançando um trabalho para um público que não era o brasileiro. Se contentaram em lançar apenas versões em espanhol de seus trabalhos. Chitãozinho & Xororó até que fizeram o que poderia ter dado mais certo, que foi o lançamento de um disco com músicas bem no estilo mexicano, conforme eu disse acima. Mas também não agradou.

Victor & Leo são a dupla que mais rápido lançou um trabalho no exterior, já que seu sucesso no Brasil data de pouco tempo. Nota-se uma certa influência da gravadora em tentar emplacá-los no exterior. Não creio que fosse o pensamento inical da dupla. Mas uma oportunidade como essa não pode ser desperdiçada. Abraçar o projeto foi a solução mais inteligente a ser adotada.

O que Victor & Leo têm para darem certo lá fora, enquanto tantos outros não deram? Ora, é evidente: o romantismo meloso, porém inteligente. A interpretação que a dupla dá às canções é bem semelhante à dos artistas latinos de sucesso mais recente. Voz mais contida, sem exageros vocais, o que é comum aos artistas latinos que deram certo nos últimos anos, como, por exemplo, Alejandro Sanz. Foi preciso, apenas, introduzir no estilo da dupla elementos da música latina contemporânea.

O CD em espanhol é mais pesado que os outros da dupla. A bateria está mais na cara. Os arranjos de violão parecem ter sido feitos com outro violão, mais acústico que aquele tradicional que a dupla usa. Além disso, foi usado algo inédito nos trabalhos mais recentes da dupla durante a mixagem do violão: efeitos que deixaram o violão com cara de guitarra em algumas faixas. Eu sou meio leigo nesse negócio de produção, então não estranharia se por acaso eles tiverem usado guitarra em algumas faixas. O acordeon naquele estilo que eles consagraram também não foi tão utilizado. Foi usado, na verdade, um timbre de acordeon mais tradicional e menos romantizado, o que fica mais evidente na faixa “Sigo Extrañandote”.

Quanto ao repertório, nota-se um certo afastamento da dupla daquelas músicas que remetiam ao campo, como “Vida Boa”, “O Granfino e o Caipira” e as recentes “Sem trânsito, sem avião” e “Deus e eu no sertão”. Eles optaram por escolher canções mais românticas, predominantemente as baladas. Temos versões em espanhol das canções “Lembranças de amor”, “Amigo Apaixonado”, “Sinto Falta de Você” (essa parece ter sido feita pra ser cantada em espanhol), “Fotos” e “Tem que ser você”. Além de três canções do CD “Borboletas”, como a faixa título, a balada “Sabia” e a música de trabalho escolhida pela dupla para esse CD, a canção “Nada es normal”, versão de “Nada Normal”.

Nas duas outras faixas, algumas curiosidades. Uma é a versão do megahit “Fada”, que teve a letra modificada e NÃO traz a palavra “fada”. Não sei se é porque os mexicanos são muito devotos e não aceitam entidades sobrenaturais que não sejam as ligadas à Igreja Católica. Mas é no mínimo estranha a omissão da palavra que praticamente fez o sucesso da dupla no Brasil. A outra música é uma versão de “Nova York”, composta por Chrystian & Ralf, que foi claramente inserida no CD em homenagem aos latinos que vivem ou sonham em viver nos EUA. Jogada de mestre.

Na produção do CD e nos arranjos, os irmãos receberam a ajuda de um grande produtor mexicano, o Aureo Baqueiro, que transpôs as canções para o espanhol e provavelmente deu as dicas que a dupla precisava sobre o mercado mexicano. Creio eu que todas as sutis novidades implantadas neste CD podem ser a ele creditadas.

De certa forma, o primeiro trabalho em espanhol da dupla Victor & Leo inaugura uma nova forma de se lançar artistas brasileiros no mercado latino. Não se nota uma gritante diferença do trabalho deles no Brasil, mas as diferenças estão lá. Aparentemente eles compreenderam que o Brasil é o Brasil e a América Latina pensa diferente quanto à música. O método adotado foi inteligente: nem copiar, nem mudar, apenas adaptar. Se os latinos vão gostar e abraçar não se sabe. A canção “Nada es normal” têm atingido bons índices. É só aguardar pra ver se vai prosperar.

Nota: 9,0

9 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.