05 dez 2010 | Lançamentos
Vivo Cantando – Quando uma grande empresa sabe dar valor

Neste fim de semana aconteceu a final da segunda edição do concurso Vivo Cantando, festival de música sertaneja que a Vivo organiza apenas no estado de Goiás e que premia o melhor artista ou dupla sertaneja entre os inscritos. Este ano, fui convidado a fazer parte do corpo de jurados. Sério, não é piada, hehe. E olha que ainda ajudei a montar o restante da equipe indicando alguns nomes.

Fui convocado para fazer parte do “comitê” de seleção na semi-final, que foi realizada na quinta-feira. Entre outros jurados, estavam presentes o César Junior, locutor da rádio 99,5 FM, Paulo Celestino, da UP Music, e Everton Mattos, compositor de cerca de 1400 músicas já gravadas por artistas sertanejos. No sábado, estava prevista a presença do Pinnochio, mas parece que o Maestro deu o bolo, hehe.

Eu era o único jurado de fora da cidade de Goiânia. Quando fui convidado para o evento, eu imaginava realmente que teria que ouvir duplas excelentes se apresentando e, por conta disso, iria me lamentar bastante quanto ao fato daquelas duplas excelentes não terem uma grande chance de se consagrarem. Talvez fosse aquela, aliás, a melhor oportunidade de suas carreiras. Não deu outra. Das 10 atrações que se apresentaram, pelo menos 7 estavam num nível incrivelmente superior ao de muitos artistas que fazem sucesso por aí e que contam com uma mega estrutura de apoio.

Claro que, talvez por inexperiência ou nervosismo, os calouros deixaram a desejar num ponto básico: os instrumentos. Foi uma constatação triste da minha parte. Artistas novatos raramente se preocupam com o instrumento que utilizam e com a forma como estão tocando. Instrumentos desafinados, violões sem qualidade alguma e pouca destreza durante a apresentação. As vozes, ao contrário, estiveram sempre num patamar altíssimo durante toda a apresentação. Claro que fiz as devidas ressalvas aos candidatos. Ao final de cada apresentação, o microfone era disponibilizado aos jurados para que fizessem observações. Sempre que considerei oportuno, fiz sim os comentários pertinentes.

A final seria no sábado, com um grande show da dupla Chitãozinho & Xororó no encerramento. O evento foi todo realizado no Atlanta Music Hall, uma das maiores e melhores casas de show de Goiânia. Uma grande estrutura de apoio foi disponibilizada. Eu tive, por exemplo, uma van à minha disposição durante toda a quinta-feira, sem contar as passagens de avião, hehe.

Não participei da final, mas acompanhei o resultado pelo site oficial do evento. A ordem dos ganhadores foi exatamente a mesma ordem que escolhi no meu quesito na quinta-feira: 1º lugar – João Augusto & Cristiano; 2º lugar – Charles & Maycon; 3º lugar – Leonardo Henrique. O primeiro ganhou 15 mil reais, o segundo 10 mil e o terceiro 5 mil.

Os vencedores João Augusto & Cristiano.

Não tenho notícia de outro evento sertanejo organizado por uma grande empresa que busque valorizar a cultura sertaneja de determinado estado da mesma forma que esse evento organizado pela Vivo no estado de Goiás. É um belo exemplo de como se tratar a música sertaneja com o respeito e a dignidade que ela merece. Com certeza, isso é o que de mais válido a gente consegue extrair de um evento assim. Antes do dinheiro, antes da chance de novos e excelentes artistas brilharem, com certeza o maior prêmio vai para a música sertaneja. Pode parecer pouco, mas diante da total escassez de eventos desse tipo, ainda mais com o apoio de uma grande empresa como a Vivo, creio que é um grande passo. Tomara que outras empresam sigam esse exemplo.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.