A BANDA – Láercio da Costa

Demorou mas saiu. Hoje, mais um texto da nossa sessão sobre instrumentistas de suma importância para a evolução do nosso segmento. E o personagem de hoje é o Laércio da Costa. Afinal, ser o percussionista mais requisitado para gravações em CDs, DVDs e trilhas no Brasil e no mundo não deve ser tarefa fácil. Isso mesmo, NO MUNDO. Impressionante como ele é visto com facilidade em DVDs dos mais variados artistas, de Gino & Geno a Tihuana (!!!).

Nascido em 1972, Laércio entrou no mundo da percussão ainda criança, acompanhando a mãe nos ensaios da escola de samba Nenê de Vila Matilde. Comprou seus primeiros instrumentos de percussão juntando dinheiro com a venda de alumínio e fios de cobre que ele achava na rua ou ganhava de eletricistas. Na verdade, comprava os instrumentos sem nem saber tocar direito. Vendo a criançada nos ensaios é que ele foi aprendendo como é que se tocava.

Numa dessas aventuras nos ensaios da Nenê de Vila Matilde, conheceu a cantora Eliana de Lima, que deu a ele a primeira oportunidade de realizar uma gravação em estúdio. A partir daí, com 14 anos, ele começou a acompanhar a própria Eliana de Lima em apresentações, além do grupo Expressa Samba. Mais adiante já acompanhava mestres do samba como Dona Ivone Lara, Jamelão, Originais do Samba, Beth Carvalho, Zé Keti, Mestre Marçal, Roberto Ribeiro, Jorge Aragão e outros. Gravou inclusive diversos LPs de escolas de samba de São Paulo nessa mesma época.

Com a habilidade cada vez mais notória na percussão e a grande procura pelo seu trabalho em gravações de samba, começou, pasmem, a sofrer preconceito por causa da cor, hehe. Sério, alguns profissionais do samba o achavam “branquinho” demais para o samba. Além do que muitos outros profissionais do mesmo segmento almejavam alcançar o status de “músico de estúdio”, que ele conquistou muito antes de muita gente com anos e anos de samba. O mais engraçado é que quem mais o defendiam eram dois cantores brancos de samba: Royce do Cavaco e a própria Eliana de Lima. Sua habilidade e notoriedade no samba de São Paulo renderam um convite para ser jurado no Carnaval da cidade, no quesito Bateria, onde permaneceu por 5 anos.

A partir daí, começaram as oportunidades para atuar em outros segmentos, gravando e produzindo sempre que possível. Trabalhou inclusive com Julio Iglesias, Roberto Leal e Celia Cruz. Chegou a produzir e gravar nos estúdios do Rick Bonadio e, por um capricho do destino, não fez parte do grupo Mamonas Assassinas, para o qual tinha sido convidado pelo próprio Rick.

Em 1996, realizou a primeira gravação de grande expressão no segmento sertanejo em sua carreira: um disco da dupla Leandro & Leonardo. Foi o start para os convites para os mais diversos projetos dos mais diversos artistas sertanejos. Depois de uma experiência no exterior em 1997, gravando em Madri, retornou ao Brasil, passando a fazer parte do grupo Soweto e, depois, de uma turnê internacional do grupo SPC. Quando voltou, trabalhou com o respeitadíssimo Pedro Camargo Mariano e com artistas como Zizi Possi, Rita Lee e Sandy & Junior.

Em 1999, participou do primeiro DVD do grupo Só Pra Contrariar e realizou talvez a mais inusitada incursão de um músico na TV: figurante de novela. Ele e o Maestro Pinnochio foram convidados a participar como figurantes dos capítulos finais da novela Torre de Babel, numa cena com a atriz Cláudia Raia (!!!), a “ngela Vidal” da novela. Na cena, os dois tocavam na prisão onde se encontrava a ngela Vidal, que se aproveitou de uma distração dos guardas, matou um dos outros músicos da banda, roubou a roupa do coitado e fugiu da prisão. Depois disso, O Laérico e o Pinocchio ainda tinham que depor na delegacia e tudo. 12 linhas de roteiro intensamente decoradas. Procurei no Youtube, mas acabei não encontrando nada, hehe. Aliás, contando o episódio dos Mamonas e a cena da novela, já são duas as vezes que o Laércio escapa de partir dessa pra uma melhor, rsrs…

Com o início da carreira solo do Alexandre Pires, Laércio foi convidado a fazer parte da turnê internacional, que rendeu ainda oportunidades de trabalho com artistas como Ricky Martin, Eroz Ramazzoti, Ebio Bermudez, Pato Bantim e Alejandro Sanz. De volta ao Brasil, foi chamado às pressas numa certa ocasião para a tocar em um show. Quem convidou: o Maestro Eduardo Lages. E o artista era ninguém menos que o Rei Roberto Carlos.

Mais adiante, passou a fazer a direção musical do grupo Jeito Moleque e atualmente faz este mesmo trabalho com a dupla Fernando & Sorocaba. Aliás, a direção musical do DVD “Bola de Cristal” é dele. No total, são mais de 70 DVDs e 3500 CDs que contam com a chancela do Laércio da Costa na percussão. Chegou a produzir até o jogador Júlio Baptista (!!!). Por falar em jogadores, o Laércio é professor de percussão de ninguém menos que o Ronaldinho Gaúcho.

Está se preparando para lançar 2 DVDs didáticos com aulas de percussão de Samba e Pagode e um de Samba-enredo, projeto este que será distribuído para mais de 30 países e com um percentual destinado a Instituições de Crianças Carentes.

Laércio da Costa impressiona pela incrível facilidade de passear pelos mais variados estilos musicais e, mesmo tendo essa história tão vasta no samba, é talvez o percussionista mais importante da música sertaneja. Um talento nato, já que ele é totalmente autodidata. E ainda conta com a capacidade de se aperfeiçoar com o passar dos anos e se modernizar. Poucos músicos sertanejos conseguem acompanhar a evolução do segmento como ele acompanha. De Leandro & Leonardo em 1996 a Fernando & Sorocaba em 2010. E queira Deus que continue assim por muito tempo. A música sertaneja agradece.

PS.: Esse ano ele está concorrendo como melhor instrumentista no prêmio Multishow. Votem lá, galera…