A BANDA – Piska

A BANDA – Piska

A nossa sessão “A Banda” já teve três postagens até agora e visa homenagear grandes músicos que ajudaram e ajudam a fazer da música sertaneja o que ela é hoje. Já falamos aqui do Laércio da Costa (percussionista, atualmente com Fernando & Sorocaba), do Luiz Gustavo (baixista, atualmente apenas em gravações) e do Márcio Kwen (guitarrista e violonista, atualmente com Bruno & Marrone). Muita gente sempre sugeriu postagens também de músicos mais antigos do segmento. Entre os nomes mais comumente sugeridos, sempre figurava o do Piska.

Infelizmente, no entanto, chegamos ao fim de 2011 com a terrível notícia de que ele faleceu. A idéia seria que eu pudesse entrar com contato direto com ele para poder escrever o post da maneira correta, assim como fiz com os outros músicos que já passaram por aqui. Infelizmente não deu tempo. Mas para prestar uma singela homenagem e atender às diversas sugestões que recebemos para que fizéssemos um post a respeito dele antes de sua morte, hoje ele será o tema da nossa sessão “A Banda”.

Aliás, como é difícil encontrar imagens de profissionais mais antigos da música sertaneja na Internet. A foto que ilustra o post, com o Piska à direita, ao lado do músico Renato Suski, eu só fui achar no site do Biafra, depois de uma garimpada de horas pela Internet. O Biafra postou no seu site oficial uma homenagem ao Piska, que é compositor do maior sucesso do artista, “Sonho de Ícaro”. Demais informações do Piska eu pude encontrar no “Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira”, que sempre traz boas informações de figuras importantes e tradicionais dos bastidores da música brasileira.

Enquanto músico, o Piska se destacou na guitarra. Começou a ser conhecido no mundo da música depois de integrar nos anos 70 bandas como “Casa das Máquinas”, “Joelho de Porco” e “Novos Incríveis”. Já no fim dos anos 70, foi para o Rio de Janeiro para trabalhar em outros segmentos. Como guitarrista, acompanhou artistas como Gal Costa, Zizi Possi, Caetano Veloso, Ney Matogrosso. Gravou com a Elis Regina o disco “Trem Azul”.

Enquanto nos anos 70 ele esteve ligado ao rock, toda a década de 80 foi passada nos bastidores da MPB. Em 89, no entanto, atento à uma nova ordem musical que surgia no Brasil, migrou para São Paulo para trabalhar com música sertaneja, onde se tornou grande parceiro de composição e produção do César Augusto, talvez o maior nome dos bastidores da música sertaneja em toda a história. O primeiro trabalho que realizou com o César Augusto como arranjador e produtor foi o disco “Eu Juro”, da dupla Leandro & Leonardo.

Em 1993, trabalhou num disco da dupla Chrystian e Ralf como arranjador e regente. O disco ainda incluía algumas de suas composições, como “Louco por ela” e “É desse jeito que a gente se ama”, ambas com Eduardo e Adriano, e “Loucura demais”, “Menina” e “Pra ficar com você”, as três com César Augusto. No mesmo ano, fez os arranjos e a regência nas faixas “Faz mais uma vez comigo”, “Olhos de lua” e “Mais do que eu” para o terceiro disco da dupla Zezé di Camargo e Luciano, que incluiu ainda sua composição “Mais do que eu”, parceria com Eduardo e Adriano.

Uma das inovações trazidas pelo Piska para a música sertaneja é a fusão com o pop rock. Aquelas guitarras dobradas que nos anos 90 eram a característica mais marcante do segmento foram popularizadas por ele em suas produções e nos seus arranjos. Quase uma marca registrada. No final dos anos 90, montou seu próprio estúdio de gravação, através do qual lançou o selo “Piska Records”. O Piska é considerado, aliás, um dos principais responsáveis pelo sucesso do grupo KLB. Em 2001, foi recordista de arrecadação de direitos autorais segundo o ECAD.

Aliás, sua importância como compositor na música sertaneja é talvez ainda maior do que como músico. Herdeiro da posição de parceiro oficial do César Augusto, deixada anos antes por outro grande compositor, o César Rossini, assinou centenas de músicas de gigantesco sucesso nos anos 90 e 2000. Entre elas “Louco por ela”, “É desse jeito que a gente se ama” e “Loucura demais”, gravadas por Chrystian & Ralf, “Bandido é o coração” e “Casa e Comida”, gravada por Chitãozinho & Xororó, “Amores são coisas da vida”, “Dor de amor não tem jeito”, “Um Sonhador”, por Leandro & Leonardo, “Um bom perdedor” e “Agarrada em mim”, com Bruno & Marrone, “Pare”, “Antes de Voltar pra casa” e mais da metade das músicas gravadas pela dupla Zezé di Camargo & Luciano, entre outras centenas de canções de absoluto sucesso.

Infelizmente, a Internet ainda não é um veículo tão completo de pesquisa quando precisamos de informações acerca de grandes nomes dos bastidores da música sertaneja. Este texto tentou fazer um resumo de todas as informações que consegui reunir a respeito deste grande profissional, responsável, ao lado do César Augusto, pela hegemonia absoluta da música sertaneja nos anos 90, que dura até hoje. Espero que tenham gostado e que nossa homenagem, mesmo singela, seja suficiente. Se bem que provavelmente não vai ser. Afinal, a morte deste grande músico é uma perda irreparável para o nosso segmento e para a música brasileira.