“A Liga” – Assista a alguns falsos porém históricos momentos para a música sertaneja

Se tem algo de que não me canso nunca é de assistir programas da grande imprensa ou da grande mídia tratando do assunto “música sertaneja” e dando o braço a torcer. Quando a imprensa carioca e paulista se metem a falar de música sertaneja com essa ótica, é sempre garantia de boas risadas e de momentos de absoluta vergonha alheia.

As risadas acontecem por conta da quantidade de bobagens que a gente acaba lendo ou ouvindo. A utilização do termo “sertanejo universitário”, por exemplo, mais ultrapassada do que nunca, ainda é uma constante nesse tipo de matéria, o que comprova como a cultura sertaneja demora a chegar de fato a São Paulo ou ao Rio de Janeiro, isso quando chega. Ora, se a gente considerar o começo da era do sertanejo universitário apenas a partir do estouro de César Menotti & Fabiano, lá se vão nada mais nada menos que 6 anos. SEIS!!! Que eu saiba a maioria dos cursos universitários duram 4 ou 5 anos. Medicina dura 6 por conta do período de residência. Aaahhh, deve ser isso. Acho que a imprensa paulista/carioca ainda usa o termo universitário por causa da nova música do Michel Teló, “Humilde Residência”. Eles devem estar presumindo que ela trata do sexto ano do sertanejo universitário. “Ba dum Tss #momentozorratotal”.

Outro problema dessas matérias da imprensa paulista/carioca é a repetição infinita da mesma abordagem. Toda vez que um programa de TV resolve tratar desse assunto, sempre vemos a balada sertaneja classe A, a balada sertaneja classe C, os cantores de rua (o Fabiano Martins, filho do Marciano que canta nas praças do centro de São Paulo, deve ter aparecido em 20 programas de TV pelo menos), os bastidores de uma tradicional festa do peão e algo sobre a quantidade de dinheiro que a música sertaneja movimenta. O programa “A Liga” exibido ontem na Band, apesar de bem interessante, foi um festival de repetições da mesmíssima abordagem.

O lado bom, entretanto, é que o programa trouxe uma visão mais informal. A balada sertaneja classe A, por exemplo, foi tratada de forma bem pitoresca. Todas as declarações preconceituosas das patricinhas metidas à besta emitidas durante a balada foram transmitidas na íntegra durante o programa, e com legenda ainda.

Mas sem dúvida o programa vai entrar para o plantel de programas clássicos sobe música sertaneja por mostrar 3 caras que provavelmente nunca aceitariam falar bem de sertanejo se não estivessem sendo pagos pra isso fazendo exatamente o contrário: o Cazé Peçanha, o rapper Thaíde e, principalmente, o Lobão, que desandou a elogiar o Michel Teló e a mostrar que fez o dever de casa e pesquisou tudo sobre ele antes de entrevistá-lo, isso com o mundo inteiro sabendo qual a real opinião do Lobão sobre a música sertaneja e seus representantes. Pena que o Rafinha Bastos saiu. Seria fantástico vê-lo nessa matéria.

Enfim, um programa que vale a pena assistir, ainda que apenas para dar umas boas risadas. Assistam abaixo os vídeos do programa:

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

Parte 4:

Parte 5:

Parte 6: