A nova cara dos grupos sertanejos

Durante muito tempo, o Grupo Tradição reinou absoluto entre as bandas sertanejas pelo Brasil. Também pudera: batalharam muito para alcançar o posto e quando o sucesso veio, veio para ficar. Entre as festas e rodeios eram um diferencial de alegria e musicalidade, talvez por isso fizessem tanto sucesso. Nem mesmo a explosão da Tchê Music, que mostrou ao Brasil grupos como Tchê Garotos, Tchê Barbaridade e Garotos de Ouro, foi suficiente para ofuscar o brilho do mais carismático grupo de música sertaneja do país.

Porém, desde que o conjunto iniciou seu processo de mudanças, com a saída de seus principais integrantes, há mais ou menos um ano, o país vive carente de um grupo forte que possa ocupar esse espaço. Em um primeiro momento se imaginou que o Tchê Garotos ocuparia a posição, afinal,era a equipe mais redonda, com contrato com a Som Livre, alguns sucessos na manga e um bom reconhecimento nacional. Porém, inexplicavelmente o grupo deu uma sumida e acabou  2010 meio apagado. Com o caminho aberto e em condição de igualdade entre si, novos grupos começaram a surgir, e aos poucos passaram a assumir o vazio deixado pelos dois primeiros. Eles são “a nova cara dos grupos sertanejos”.

O grande diferencial destes artistas está, além no fato de serem grupos e não duplas, trazerem uma pegada rítmica bastante regional.  Em tempos em que  está tudo muito igual e um pouco cansativo na nossa música, fazer um som diferente e cair no gosto popular é o grande sonho de qualquer um.  É interessante observar que este tipo de formação tem uma grande força no sul do Brasil, muito pela influência de grupos gaudérios mais tradicionais. Mas estes também sofreram influências diretas de Michel Teló e seus ex-companheiros de Tradição. Com um pé no dançante “vanerão”, mas também antenados com o sertanejo “pop” e até nas tradicionais modas de viola, alguns deles são novidade em muitos lugares, mas realidade em suas regiões de origem.

Entre as bandas com maior projeção para 2011, o Grupo Kanoa sai na frente. Uma das indicações do Blognejo para brilhar nos próximos anos, o grupo é quase que totalmente formado por pessoas da mesma família. Aliás, essa parece ser uma regra em boa parte das bandas sertanejas oriundas do Sul do Brasil. A grande sacada do Kanoa é o seu pouco tempo de estrada, apenas 2 anos, o mais novo da turma. Porém, apesar da pouca idade, o grupo já desperta atenção de muita gente graúda pelo som diferenciado e carisma de seus integrantes. A nova música de trabalho, “Perigo”, já estrapolou as fronteiras de Santa Catarina e Paraná e é tocada espontâneamente por DJ´s sertanejos em casas noturnas paulistanas.

Outro que promete dar o que falar é o Rhaas. Formado em 2007, o grupo é bastante conhecido no sul e agrada muito por onde passa.  Sua mistura de sons que vai da vaneira ao axé, sem deixar de lado o sertanejo, promete arrebatar o Brasil. A mais nova música de trabalho do grupo, “Vaneration”, é uma mistura  que já gerou as mais diversas reações no público, desde total aprovação até os sentimentos mais confusos. Difícil será alguém ficar indiferente ao som do Rhaas.

Mas nem só de grupos novos vive a nova cena sul-sertaneja: os já tradicionais Talagaço e Herança tem histórias para contar e experiência de estrada. O Grupo Talagaço, natural de Ponta Grossa, no Paraná, tem quase 10 anos de estrada e já teve entre seus integrantes o excelente compositor Jairinho Delgado, conhecido pelos sucessos “Alô, tô no Bar” e “Pó Pegá”. Alíás, essa é outra característica dos novos grupos do sul, o grande número de trabalhos autorais. Jairinho assinou durante muito tempo as composições, fazendo do Talagaço um dos mais brilhantes grupos sertanejos dessa nova safra.

Ainda no sul, talvez você não tenha ouvido falar, mas é bom guardar esse nome: Herança. O grupo é um dos mais respeitados do sul do país, tendo influenciado inclusive os grupos mais novos. O som dançante  que mescla novo e tradicional, costuma lotar os shows por onde passa. Depois de vários anos batalhando, tudo indica que em 2011 o Brasil todo vai dançar ao som do Grupo Herança.

Se as bandas do Sul tem a pegada forte da vanera e influência da música gaúcha, o nordeste tem no grupo baiano Seu Maxixe seu maior representante.  A influencia do axé, forró e pagode misturado com o sertanejo tradicional tem trazido bons frutos para o Seu Maxixe. Não é difícil ver a banda com a agenda lotada durante o carnaval, mostrando o seu som em cima dos trios elétricos. O tempo de estrada dos músicos ao lado de grandes  grupos como  Harmonia do Samba, Banda Eva e Durval Lelis, entre outros, ajudou a “maturar” a equipe que é a principal referência em matéria de grupo sertanejo no nordeste.

Claro, lembrando novamente que muitos desses grupos já são realidade em suas regiões e costumam fazer muito sucesso por lá. Se o Brasil está carente de grupos sertanejos e se os grupos sertanejos estão aí, prontos para ocupar os espaços, o que falta? Oras, eles só precisam ser apresentados, talvez apenas juntar os dois.  Aí  é que entra a nossa parte, com um leve empurrãozinho.  E se depender da gente, está feito, não é mesmo?