Barretos, a festa do peão?

Entra ano e sai ano, por mais que entrem no circuito festas que ditam tendências a nível de Brasil, Barretos permanece imbatível. É o evento mais importante do circuito sertanejo, sem sombra de dúvida. A programação das festas de Barretos costumam refletir a exata realidade do mercado. Nos palcos principais, é claro, e a despeito do que possam pensar os conservadores.

Acontece que esse ano a festa de Barretos parece servir definitivamente como um termômetro da realidade da música sertaneja. Em primeiro lugar, Luan Santana é o embaixador oficial da festa. E recebendo pra isso. Em segundo lugar, shows de grandes nomes entre os veteranos da música sertaneja simplesmente não aparecem na programação. E em terceiro lugar, a festa obedece a tendência dos grandes eventos ao redor do Brasil e traz uma das programações mais ecléticas de todos os tempos.

A festa começou ontem, dia 19/08, e o show de estréia foi o da sempre excelente Ana Carolina. Hoje tem show da dupla Victor & Leo e do grupo Exaltasamba. Sábado tem Restart, Alexandre Peixe e Mariah Carey (!!!). Daí pra frente, somente shows sertanejos, praticamente, mas nada de AMIGOS e similares, exceto pelas presenças de Sérgio Reis, Gian & Giovani, Matogrosso & Mathias e Matão & Matias. Ou seja, um retrato do mercado atual por assim dizer.

Mas o que me preocupa ano após ano é o exagero nas reclamações quanto ao caráter eclético da festa. As pessoas que costumam reclamar do pouco espaço dado à música sertaneja em determinados eventos são as mesmas que reclamam da inclusão de artistas que não tem nada a ver com o segmento numa festa sertaneja por essência como é a de Barrretos. Ora, qual o problema, afinal?

Nada mais saudável que uma troca de favores, não acham? Se o sertanejo luta por espaço em lugares como o Rio de Janeiro, porque não ceder espaço a artistas de outros segmentos em festas sertanejas. Ora, o axé não cedeu espaço ao sertanejo nos últimos dois carnavais, pelo menos? E quem é que garante que o público não vai ser até maior? Ora, pode ser que sim, pode ser que não. Para assitir Bruno & Marrone, por exemplo, o que se espera são casais, grupos de amigos e por aí vai. Para o Restart, se esperam crianças, adolescentes e, consequentemente, pais preocupados e com as carteiras cheias de dinheiro para comprar refrigerante pra garotada toda. Não é uma sacada genial, afinal de contas?

O que fica evidente junto à organização do evento é que a péééééssima experiência do ano passado (principalmente por conta da gripe suína) foi a principal responsável pela mudança de panorama. Não dá para correr riscos. Levar artistas em evidência na mídia, ainda que de segmentos diferentes do sertanejo, é a forma mais segura de agir. Uma atração internacional ultra conhecida (Mariah Carey), grupos como o Exaltasamba, Restart e outro, são alguns dos exemplos de artistas em evidência. E não adianta tapar o sol com a peneira. Os veteranos sertanejos já não estão em evidência como antes. Para os que ainda não aceitam a mistura, o festival de violeiros Rosa Abraão continua acontecendo dentro da festa e os shows nos palcos menores são todos de artistas sertanejos. Fora o rodeio, que continua indo de vento em popa.

Barretos continua forte, esse ano o lucro e o público com certeza vai ser absurdamente superior ao do ano passado, mas não se deve atacar a programação com tanto ódio e preconceito. É um bate e volta. Se hoje temos Mariah Carey em Barretos, quem não garante que amanhã não teremos Luan Santana no Maracanã? Pèrde-se de um lado, ganha-se de outro. O Triângulo Music e o Planeta Atlântida, por exemplo, dois dos principais festivais de Pop Rock do Brasil, já se renderam ao sertanejo. Barretos precisa de dinheiro para continuar acontecendo. E se essa forma é a mais viável, não entendo o motivo para tanta reclamação.

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Estou partindo de viagem para Curitiba para a gravação do novo DVD da dupla Fernando & Sorocaba. Aguardem novidades fresquinhas em breve…