Blognejo na Estrad… ops, na Europa – Jorge & Mateus Live in London – Parte 1

Blognejo na Estrad… ops, na Europa – Jorge & Mateus Live in London – Parte 1

O Blognejo atravessou o Oceano Atlântico pra acompanhar, em Londres, a gravação do DVD “Jorge & Mateus Live In London”, gravado no Royal Albert Hall na noite desta quinta-feira. A viagem começou no dia 17 e vai acabar no dia 25. É claro que até lá muita coisa bacana ainda vai rolar. Hoje vou escrever apenas o que rolou na gravação do DVD. Na parte 2 vou escrever sobre a viagem de uma forma geral, principalmente no que diz respeito às já tradicionais aventuras do Marcão em Contrapartida, aquele com quem acontecem as coisas mais improváveis. E vou postar junto com o próximo texto um vídeo com cenas da gravação e dos meus passeios pela Europa. Ora, tá achando que eu vou ficar só aqui em Londres? Nananinanão, rsrs. Enquanto isso, fiquem abaixo com o texto do Blognejo sobre a gravação.

Sabe aquela história da pontualidade britânica? Pois é. Acontece que ela, pelo jeito, é bem verdadeira. A gravação, marcada para começar exatamente às 20:00 hs, acabou atrasando apenas 10 ou 15 minutos, devidamente justificados por conta de um probleminha no case de efeitos da guitarra do Mateus. Mesmo assim, começou bem cedo e quase na hora, principalmente se compararmos com as gravações de DVD no Brasil, que não costumam ter hora pra começar e muito menos pra acabar. E esse curtíssimo atraso de 15 minutos ocorria ainda sobre os protestos do público e dos produtores do Royal Albert Hall.

Aliás, o espetáculo começa pela casa em si. Um palco lendário numa casa com uma estrutura invejável. Diversos camarotes, onde os convidados foram colocados. Os grandes como eu, aliás, sofreram um bocado com as cadeirinhas apertadas, mas enfim, ninguém manda ser gordo. Bem feito pra mim. O show se dividiu em duas partes, com um intervalo de 25 minutos entre elas, para que o público pudesse eventualmente consumir alguma coisa nos bares espalhados no interior da casa.

Apesar de ser uma gravação e por conta das inúmeras exigências dos responsáveis pelo local, a gravação tinha hora definida pra acabar. Por isso, Jorge & Mateus não repetiram nenhuma música. No repertório, alguns dos maiores sucessos de todos os discos da dupla, mas principalmente dos dois mais recentes, incluindo o disco que ainda não foi oficialmente lançado. Além da banda que já acompanha a dupla em shows, o produtor do disco, Dudu Borges, tocou o piano de calda e 8 músicos de orquestra fizeram as vezes nas cordas e na flauta transversal.

Isso mesmo, boa parte das músicas ganhou o acompanhamento de cordas. Algumas delas, inclusive, teve o arranjo de sanfona substituído pelas cordas, o que fez com que as referidas músicas crescessem ainda mais no que diz respeito à sonoridade. Foi o caso das músicas “Prisão sem grade” e “Pra ter o seu amor”, que ficaram ainda mais encorpadas. Sensacionais, diga-se de passagem. Aliás, o uso de cordas ou de orquestras completas em discos sertanejos já deveria ter virado lei, sei lá. Incrível como TUDO fica melhor com orquestra. TUDO.

A maioria do público presente era obviamente de brasileiros. Todas as músicas foram cantadas pelo público durante toda a apresentação e praticamente em uníssono, incluindo as músicas do disco mais recente, o que chega a ser até surpreendente. Nem tanto quando lembramos que a divulgação do evento na cidade de Londres incluía a distribuição de milhares de discos promocionais. Diversas bandeiras do Brasil carregadas nos ombros por várias pessoas, com o Jorge toda hora pegando alguma delas na platéia e beijando ou fazendo alguma graça para o delírio do público.

Sobre o Jorge, inclusive, o fato de ele dominar o próprio repertório permitiu com que ele improvisasse e muito na grande maioria das músicas, seja mudando a linha de interpretação, seja entrando um pouquinho atrasado, naquele “meio” beat que cantores como ele dominam tão bem. Difícil deve ser para o segundeiro acompanhar, mas enfim, hehe. O que parece um erro acaba se tornando uma marca.

Por falar em segundeiro, é notável o bom gosto do Mateus na escolha dos timbres da guitarra. Boa parte das músicas que originalmente contavam com arranjos de violão tiveram os arranjos subsitutídos pela guitarra. E em cada uma delas um som diferente e agradável, explorando bem todas as possibilidades de seus instrumentos, haja vista que foram usadas várias guitaras durante a gravação.

No repertório, como eu já disse acima, alguns dos maiores sucessos da dupla e apenas uma que não fazia parte do repertório deles: “Amor pra remomeçar”, do Frejat. Foram gravadas, além desta, as seguintes canções: “Amo Noite e Dia”, “Flor”, “”¨Seu Astral”, “”¨Querendo Te Amar”, “Fogueira”, “Prisão sem Grade”, “”¨De Tanto Te querer”, “”¨Enquanto Houver Razões”, “Amor Covarde”, “O que é que tem”, “”¨Voa, Beija Flor”, “Pode Chorar”, “Vestígios”, “”¨Um dia te levo comigo”, “”¨Por Que”, “Aí Já Era”, “Invasões”, “Se eu chorar”, “”¨Mistérios”, “Tempo ao Tempo”,””¨O Mundo é tão pequeno”, “Pra ter o seu amor”, “Duas Metades”¨”, “Traz Ela De volta Pra mim”, “”¨Mil Anos”, “”¨A gente nem ficou”, “Onde haja sol”, “Chove” e “Eu quero só você”.

Além da troca do violão pela guitarra em alguns arranjos e da sanfona pelas orquestra em outras, algumas músicas receberam um tratamento um pouco mais cuidadoso, com uma mudança visível na harmonia. Foi o caso de “Fogueira” e “Onde haja sol”. Outras foram gravadas em pout pourri: “Mistérios” com “Tempo ao tempo” e “Voa beija-flor” com “Pode chorar”. A música “Prisão sem grade” foi gravada na sequência de “Fogueira”, sem nenhuma parada entre as duas, mas ambas foram gravadas por inteiro.

Toda a parte visual ficou por conta dos gringos, cujos nomes infelizmente eu não anotei, mas assim que eu me lembrar eu coloco aqui, hehe. Um cenário, aliás, que trabalhou muito bem em conjunto com todo o recinto do Royal Albert Hall. Várias fileiras de LED foram espalhadas pela casa e em cada música elas tinham uma cor diferente. Acima do palco, aproveitando a decoração da casa, projeções de luz foram feitas de forma a dar ainda mais amplitude ao palco. Além, claro, dos dois painéis de altíssima resolução que transmitiam o tempo todo imagens do Jorge à esquerda e do Mateus à direita.

O que deu pra ver de perto foi a satisfação dos brasileiros em recordar, ainda que por apenas duas horas, parte do que eles deixaram pra trás para trabalhar na Inglaterra. Brinquei hoje inclusive que se a Imigração resolvesse fazer uma blitz na porta do Royal Albert Hall, o que ia ter de brasileiro voltando pra casa não está escrito. Aliás, eles ficaram ainda mais empolgados quando o Mateus cantarolou um trecho do “Camaro Amarelo” e quando o Guilherme subiu no palco ao fim da gravação e cantou “Bolo Doido” no improviso. O Jorge permaneceu no palco por pelo menos mais uns 20 minutos, abraçando os fãs, tirando fotos.

Como eu disse, ainda vou trazer aqui no Blognejo um vídeo com trechos da gravação e das minhas aventuras em Londres além de um texto com a saga do Marcão em Contrapartida na Europa. Sobre o show, não tem nem o que falar. Perfeito. Sensacional. Por ser em Londres, por ser Jorge & Mateus cantando o melhor do seu repertório, por ser com orquestra e por ser para um público ávido por qualquer pedacinho de casa. Sem palavras.