BLOGNEJO NA ESTRADA – Chitãozinho & Xororó 40 Anos Sinfônico

Demorei uma semana para escrever sobre este projeto. Isto porque a única coisa relacionada a este evento que interessava à mídia de uma forma geral era o que a Sandy, seu irmãozinho Junior, o marido dela Lucas, o pai dela Xororó, o tio Chitão, a prima Aline, a mãe Noeli, os convidados do DVD e os bichinhos de estimação que todos eles têm em casa tinham a dizer sobre o que a Sandy disse em uma entrevista que ela cedeu à revista Playboy. Como eu esperava, a última semana foi um alvoroço de notinhas com declarações de todos os que estavam lá no dia da gravação. Tudo sobre a frase da Sandy e nada sobre o bendito DVD.

Também pudera. Entre os profissionais de “imprensa” credenciados para a cobertura do DVD, somente eu era de um site de música e somente eu estava lá interessado apenas no DVD. Os demais profissionais eram todos de veículos como o site “Ego”, revista Contigo, Caras e as colunas de fofoca da Folha de São Paulo e de outros jornais. Todos, obviamente, interessados apenas no que a Sandy faz com o marido dentro de quatro paredes.

Na última gravação, do DVD “Entre Amigos”, fui extremamente criticado por alguns profissionais de imprensa que ficaram indignados com as críticas que fiz à postura dos mesmos. Mas como não fazer uma crítica a profissionais de “imprensa” como esses? Sério, a pessoa faz um curso de 5 anos para alimentar a ânsia do público pela fofoca e pela frivolidade? Fiquei me sentindo (como sempre me sinto nesse tipo de evento) um peixe fora d”™água. O que mais me deixa indignado é ver que alguns artistas se sentem inclusive mais à vontade falando sobre o que estão vestindo e o que acham da versão devassa da Sandy do que falando sobre música. É triste.

Mas enfim, depois da via crúcis de ficar aturando esse comportamento por parte de jornalistas de veículos renomados de “imprensa” (atenção às aspas), ainda por cima vendo os mesmos descumprirem tudo o que combinaram com a assessoria de imprensa da dupla Chitãozinho & Xororó, que se esforçou para manter o mínimo de organização durante a entrevista coletiva (pediram para fazermos duas perguntas cada, mas quando os artistas entraram ninguém lembrou disso, só o babacão aqui), pude conferir o evento em sua totalidade.

Em termos de música, não adianta nem ficar com redundância. Como um evento na Sala São Paulo com a maior dupla sertaneja de todos os tempos embalada por uma das melhores orquestras do mundo com direção executiva do Fernando Meirelles, o maior diretor de cinema brasileiro da atualidade, pode ser ruim? Impossível. Ouso dizer que eu talvez assisti à gravação do melhor DVD sertanejo já feito. Quem entende de música sabe o que significa uma harmonia de uma orquestra como essa. E pra deixar o disco ainda mais absurdo (de tão bom), Chitãozinho & Xororó escolheram para o repertório algumas das músicas da carreira da dupla que mais exigem interpretação, como “A minha vida”, “Malagueña”, “Lágrimas”, “Se Deus me ouvisse” e outras.

Legal foi ver também a reação do Xororó com a participação de seus filhos, reeditando a parceria apenas para essa ocasião. Sandy & Junior cantaram a música “Se Deus me ouvisse” junto com o pai e o tio e foram, pasmem, a melhor participação da noite, tanto a Sandy quanto o Junior. Sério. O suficiente para os parentes (eu estava sentado num camarote ao lado da família ““ Noely, Lucas Lima e seus parentes) vibrarem como se aquela parceria fosse tudo o que eles queriam que voltasse a acontecer. O Xororó no palco chegou até a deixar os filhos sem graça (eu acho, hehe) gritando a frase “Sandy & Junior, Sandy & Junior: como eu queria gritar isso, estava entalado na garganta há quatro anos!!!”.

Maria Gadú cantou “No Rancho Fundo”, Jair Rodrigues cantou “A Majestade, o Sabiᔝ, Alexandre Pires cantou “Vez em quando vem me ver”, Fábio Jr cantou “Fogão de Lenha”, Fafá de Belém cantou “Nuvem de Lágrimas” e Caetano Veloso cantou “Céu de Santo Amaro”, de Villa Lobos. Aliás, no repertório haviam duas ou três canções que Chitãozinho & Xororó cantaram durante as apresentações com a Orquestra Bachiana Filarmônica do Maestro João Carlos Martins, que regeu as 3 primeiras e as 3 últimas canções do disco. Estava prevista também a participação do Djavan na canção “Sorri”, mas ela não aconteceu.

Como se tratava do último DVD da tríade dos 40 anos, ficou a sensação, claro, de que algumas músicas infelizmente não foram lembradas em nenhum dos discos, como “Pago Dobrado”, “Fotografia”, “Ela Chora, chora”, “Feito Eu”, “Sorriso Mudo”, “Palavras” (aliás, ouvi o boato de que os Bee Gees participariam deste disco, o que não aconteceu) e outras váááárias. Algumas canções acabaram sendo gravadas duas vezes, uma em cada projeto. Os dois primeiros discos não tinham repetido nenhuma música, entretanto.

Entre as participações, assim como nos outros discos, esperava-se que fosse um convidado para cada canção. Mas foram apenas 6 participações. Já que Jair Rodrigues e a Fafá de Belém reeditaram a parceria que haviam feito com a dupla, esperava-se que talvez fossem reeditadas as parcerias com o Roupa Nova, com o Ney Matogrosso, Fagner, Zé Ramalho e outros. Infelizmente elas não ocorreram, assim como a de artistas como a Paula Fernandes no primeiro DVD e Chrystian & Ralf no segundo. Aliás, a participação do eterno “amigo” e compositor da principal música da dupla, o Marciano, também não aconteceu em nenhuma das ocasiões, o que sem dúvida é uma falha grave.

Fiz alguns vídeos, que editei junto com as poucas perguntas que pude fazer aos convidados. Infelizmente não fomos autorizados a filmar algumas das cenas, somente as primeiras músicas e a última. Apesar disso, um dos veículos de imprensa lá presentes filmou a participação da Sandy e do Junior e jogou no Youtube, o que eu respeitosamente não fiz. Afinal a assessoria da dupla pediu encarecidamente que não fizéssemos. Mas a “imprensa”, sabe como é, né?

Ao findar a gravação, encontrei nos corredores a dupla João Neto & Frederico. Cada um deles levou a esposa (ou namorada, sei lá) e se sentou nas primeiras fileiras para humildemente assistir à aula dos mestres. Estranhei, aliás, como não havia mais nenhum artista sertanejo por lá assistindo. O DVD foi numa segunda-feira, em São Paulo. Era fácil demais para a classe sertaneja comparecer em peso, o que não ocorreu. Perderam uma puta de uma aula de música. E eu perdi uma boa oportunidade de ver um bom time de jornalistas trabalhando. Saí de lá extasiado com o que ouvi, mas envergonhado com o péssimo “jornalismo” que vi. E algumas pessoas ainda querem me chamar de jornalista. Pffffff. Prefiro continuar sendo o mesmo blogueiro mequetrefe de sempre. Pelo menos minha dignidade fica intacta.

Assistam abaixo o vídeo da cobertura do evento.