BLOGNEJO NA ESTRADA – João Lucas & Marcelo – Gravação do DVD

A semana passada foi intensa. Na segunda-feira, estive em Goiânia para o aniversário do Gusttavo Lima, num evento só para convidados no Villa Mix. Mas como se tratava de uma festa informal, sem necessidade de divulgação ou de cobertura (não havia nenhum veículo de imprensa no local), não escreverei nada a respeito. Na terça, voltei de carona para Uberlândia para evitar nervosismo por parte da patroa, afinal de contas já na quarta-feira eu voltaria a pegar a estrada e só voltaria depois de 3 dias, o que na cabeça da Dona Onça significa “3 meses”. O primeiro evento, na quarta-feira, era a gravação do DVD da dupla João Lucas & Marcelo. Eles mesmos, os caras do tchu tcha tcha.

Na verdade tratava-se de um evento cercado de incertezas. Para começar, assim que chegamos a Goiânia, por volta do horário do almoço, a dupla estava dando uma entrevista para o jornal local da TV Anhanguera, retransmissora da Globo. Durante a entrevista, os próprios já adiantaram que a dupla Bruno & Marrone, principal participação divulgada, não poderia mais comparecer à gravação do DVD, o que já causou uma certa preocupação entre os convidados do evento. A segunda incerteza se relacionava ao público, afinal de contas é sabido que a dupla João Lucas & Marcelo não faz parte dos tradicionais círculos de amizade (para não dizer “máfia”, hehe) da cidade de Goiânia. E quando isso acontece, todo mundo sabe que acaba ocorrendo uma certa disputa pelo público, o que inclui possíveis tramóias com o intuito de atrapalhar um evento concorrente. Essas incertezas, entretanto, só poderiam ser eliminadas na hora do evento.

Antes do show, durante todo o dia, a logística foi muito bem conduzida. Bons hotéis para os convidados, uma série de presentes (eu inclusive deixei de ganhar um gravador porque não fui à coletiva de imprensa. Como sou burro!!!), almoço num dos restaurantes de comida “de roça” mais conhecidos da cidade, o Chão Nativo… Enfim, a preocupação com o bem-estar dos convidados foi evidente. Comigo aconteceram alguns entraves, mas é claro que é culpa da minha já conhecida má-sorte. É que fui conduzido para três hotéis diferentes porque não havia reserva em meu nome em nenhum dos hotéis que me informaram por e-mail, apenas num terceiro. Mas como eu não me importo de ficar zanzando pra lá e pra cá, tudo bem, hehe.

À noite, durante a gravação, outra preocupação da equipe da dupla parecia ser explícita em vista de alguns dos convidados, que inclusive também foram anunciados no release da gravação: a de não deixar o nome da dupla sumir dos holofotes. Vários Ex-BBBs, atores da Malhação, da novela das 8, Ex-Fazenda, assistentes de palco, gatas do Brasileirão, etc, etc, etc, enfim, pessoas que pudessem gerar algum tipo de repercussão junto a revistas de fofoca e sites do gênero. Esse tipo de preocupação é bastante compreensível (é o tema de um dos próximos textos do Blognejo, inclusive), afinal trata-se de uma dupla que conquistou espaço na mídia devido à explosão de uma única música mas que ainda batalha para conquistar de fato uma posição e não perder o que foi conquistado até agora.

As incertezas apontadas mais acima ficaram para trás durante a gravação. O show estava lotado e, enquanto evento, foi um sucesso. O nome do DVD “A vida é uma festa” foi levado ao pé da letra pela equipe de produção, que espalhou artistas circenses por todo o recinto de gravação. Tirando Bruno & Marrone, que não compareceram, todas as outras participações foram de MCs, DJs e performers de dance music ou algo parecido, o que ia de encontro à temática da gravação durante a primeira metade das músicas. Todas elas na mesma linha do tchu tcha tcha, ou seja, refrões chicletes, se possível com coreografias, e a repetição exaustiva do nome da dupla durante quase todas as músicas dessa linha. Enfim, para quem esperava de João Lucas & Marcelo apenas a continuação do efeito tchu tcha tcha, a primeira metade das músicas disse a que veio.

Uma coisa que acabou sendo mal vista pelos convidados foi o fato de tanto o diretor de vídeo quanto o produtor Guilherme Bicalho se comunicarem com microfone aberto ao invés de usar apenas o ponto eletrônico. Apesar de evidentemente a intenção ter sido mostrar o máximo de transparência durante o processo de gravação, para muitos isso acabou soando como amadorismo, o que surpreende em se tratando de um produtor como o Bicalho, que foi um dos responsáveis pela explosão do gênero universitário quando assinou produções como a da dupla João Neto & Frederico e do grupo Nechivile.

Agora, para quem esperava ver algo diferente e mais interessante, a segunda metade das músicas é que foi o ponto alto da gravação. Canções românticas, que exigiram da dupla, principalmente do Marcelo, o máximo de interpretação. E convenhamos, esse Marcelo caaaaaaanta. Muito. Passado. Fora de base. Apesar da falta de mais músicas compostas por ele (ele é um dos compositores de “Incondicional”, do Luan Santana, e de “Lágrimas”, da dupla Victor & Leo), quando se exige dele a intepretação que pouca gente sabe que ele tem, o negócio fica incrível. Fiquei assustado com o quanto ele cantou, principalmente na música “Se quer a verdade”, do Mário (Marco & Mário). Está mais do que claro que é nesse absurdo talento vocal do Marcelo e nas suas composições que se deve basear os próximos anos de trabalho com a dupla. O Tchu tcha tcha passa, mas um talento assim costuma ficar para sempre. Isto se a equipe enxergar isso e souber aproveitar.