BLOGNEJO NA ESTRADA – Jorge & Mateus – Gravação do novo DVD

BLOGNEJO NA ESTRADA – Jorge & Mateus – Gravação do novo DVD

Hoje não teremos vídeo, assim como expliquei há dois posts atrás. Desta vez, assim como nas próximas gravações de DVD, preferi interagir mais com o restante dos convidados e agir de fato como um deles, afinal é o que eu sou. Ficar preocupado em colher imagens e depoimentos só me faz perder o melhor da festa. Além disso, horas depois das gravações já é possível encontrar dezenas de vídeos no Youtube feitos de celulares ou máquinas fotográficas pelas pessoas que participaram da festa. Sendo assim, o que eu costumava postar não era nenhuma novidade. Enfim, vamos aos detalhes acerca da gravação.

Deixando de lado o hotel cujo quintal é o próprio mar, o fato de eu ter feito check-in no hotel errado fazendo com que um chará meu tivesse que procurar outro hotel (também, quem mandou ter o mesmo nome que o meu?), o fato de eu ter inundado meu quarto depois de encher a banheira além da conta e usar todas as toalhas disponíveis pra secar a bagunça, e as três pulseiras que tivemos que usar durante todo o fim de semana (pulseira do hotel, pulseira do almoço e pulseira do evento), vamos aos fatos acerca do evento.

A última sexta-feira foi de feriado na cidade de Florianópolis. O fim de semana prolongado foi de festividades em comemoração ao aniversário da cidade (entre as quais está a gravação do DVD da dupla Victor & Leo na próxima quarta) e de shows no Costão do Santinho. O Sertanejo Weekend, evento que aconteceu no P12 em Jurerê e trouxe shows do Gusttavo Lima na quinta e de Humberto & Ronaldo na sexta, além da gravação do DVD no sábado, era mais um dos grandes eventos que aconteciam em Florianópolis durante o período.

Diferentemente dos outros eventos, no entanto, este era dirigido a um público altamente seleto. É sabido que Jurerê Internacional costuma reunir apenas a nata da nata, os mais ricos entre os ricos. A julgar pelos carros que circulavam pela área e pelo valor dos apartamentos na região, é compreensível que somente um público de um padrão mais alto pudesse comparecer. É claro, no entanto, que boa parte dos convidados era composta de familiares e amigos trazidos de várias regiões do Brasil, além do tradicional time de radialistas e contratantes costumeiramente convidados para este tipo de ocasião.

Talvez por estar em uma região de valor turístico elevado, a preocupação com os turistas ainda era evidente. Pra começar, o horário dos shows na quinta e na sexta não era dos mais favoráveis. Não assisti ao do Gusttavo Lima, mas o do Humberto & Ronaldo acabou antes das 22:00 hs. Quando começou, aliás, o P12 ainda estava um tanto vazio. O público foi chegando na medida em que o show acontecia.

A gravação do DVD estava programada para começar às 17:30 hs em ponto. Mas, para variar, o acomodado público (que parece só mudar de cidade, mas continua o mesmo em essência) foi chegando aos poucos. Quando a gravação começou, o local armado para a gravação estava com cerca de 1/3 da capacidade preenchida apenas, e foi enchendo aos poucos até o fim da festa. Da metade pra frente já estava lotado, mas não abarrotado, o que era um alívio na verdade.

Os shows dos dias anteriores aconteceram em uma pequena área coberta com tendas. A gravação, no entanto, aconteceu na área externa, num local preparado com tapumes, para que ninguém precisasse pisar na areia, mas completamente descoberto, o que seria necessário para atingir o objetivo da gravação que era dividir o DVD entre o dia e a noite, numa clara referência ao hit “Amo noite e dia”.

Um problema, no entanto, acabou fazendo com que se perdesse o anoitecer nas filmagens. Assim como nos dias anteriores, uma chuva (na verdade uma garoa, mas chatinha o suficiente para obrigar a equipe a cobrir todos os equipamentos) ocorreu por volta das 19:00 hs, precedida de ameaças durante pelo menos toda a hora anterior. A gravação começou no horário programado, mas a chuva fez com que a gravação fosse interrompida durante praticamente duas horas.

Cerca de 5 músicas foram gravadas durante o dia. Todo o restante das 16 canções durante a noite, além de algumas repetições. Diferente dos outros DVDs da dupla, desta vez a banda foi toda montada entre os profissionais de confiança do produtor do disco, o Dudu Borges. O mais bacana foi a colocação de dois bateristas no palco, se alternando entre os batidões e as outras canções. O Anderson Nogueira por conta das agitadas e o Big Rabello nas baladas e demais canções. Todas as músicas inéditas, exceto a música “Cartaz”, do Fagner, que a dupla incluiu naquele primeiro CD pirata gravado por eles na garagem da casa do Mateus em Itumbiara, ocasião relembrada pela dupla durante a gravação. A banda de estrada da dupla subiu ao palco para gravar as canções já conhecidas e as duas que foram liberadas desde o lançamento do “Aí Já Era”, quais sejam “Eu quero só você” e “Pra que entender”.

O cenário, montado sem cobertura, era composto de uma estrutura central com o LED formando uma parede circular na parte de baixo do que parecia uma torre em cuja ponta havia uma estrura que imitava (e muito bem) uma lua cheia. Ao fundo, vários sinais de positivo (+) em tamanhos variados, formando vários painéis brancos que recebiam as projeções de duas torres localizadas no meio da galera, uma de cada lado, justamente para que as projeções não fizessem sombra com a estrutura central do palco. O ajuste do posicionamento das projeções do lado esquerdo foi praticamente perdido durante a correria para cobrir os equipamentos, o que aumentou mais ainda a demora no recomeço da gravação. Mas no fim das contas, tudo perfeito e o DVD pôde prosseguir.

A sacada do disco, no entanto, sem tirar a importância do cenário paradisíaco e do público maravilhoso, foi mais uma vez o repertório. Cientes da função que têm atualmente de ditar as regras do mercado, as músicas do disco foram todas arranjadas e produzidas de forma totalmente fora do convencional. É provavelmente o mais gringo de todos os discos sertanejos já produzidos. Até os mais simples batidões foram produzidos de uma forma diferente, com partes em reggae (no caso da excelente “Flor”, composta pelo Zé Henrique) por exemplo. As baladas receberam tratamento com alta influência da música estrangeira. A abertura sensacional remete aos rocks britânicos. Dentro do atual “padrão sertanejo”, a pegada de arrocha no fim de uma das músicas (composta pelo Maurício Melo) mostra que até Jorge & Mateus estão aderindo ao novo ritmo carro-chefe do segmento.

É diferente. O repertório selecionado para este trabalho e as grandes idéias aplicadas à gravação só ajudam a mostrar mais ainda por que Jorge & Mateus são a principal dupla sertaneja do mercado. E a qualidade da dupla salta aos olhos. Aquele disquinho de Itumbiara mencionado durante a gravação é um átomo do substrato da poeira de tudo o que a dupla é hoje. O Jorge é o mais carismático dos artistas sertanejos da atualidade. Todos querem ser ele. Como eu mencionei semanas atrás, ele é hoje o que o Bruno foi na década passada e o que o Zezé foi nos anos 90. E o Mateus o parceiro ideal, com alta qualidade vocal , inclusive na primeira voz, e incrível consciência da segunda, além de um músico excepcional.

Jorge & Mateus provavelmente só vão provar com esse disco que não têm mais nada pra provar. Como eu já mencionei algumas vezes no Twitter, são eles à frente de todos por pelo menos uma légua de distância. Talvez alguém os alcance, mas a julgar pelo que esse disco aparentemente vai ser, acho bem difícil. Vejam algumas das imagens da gravação. Algumas das fotos eu mesmo tirei. Outras foram tiradas pelo Rubens Cerqueira. É fácil diferenciar: as ruins são as minhas. Enjoy.