BLOGNEJO NA ESTRADA – Kleo Dibah & Rafael – Gravação do DVD

BLOGNEJO NA ESTRADA – Kleo Dibah & Rafael – Gravação do DVD

Na última segunda-feira, parti novamente rumo a mais um evento. Desta vez, o evento seria realizado a aproximadamente 200 km de Uberlândia, então fui por conta própria, às minhas expensas, de carro. Aproveitei e levei a patroa pra compensar todas as últimas viagens nas quais ela infelizmente não pôde me acompanhar. O evento em questão era a gravação do primeiro DVD da dupla Kleo Dibah & Rafael, intitulado “É dus mais bão”, que seria gravado na cidade de Patos de Minas. Bom, pelo menos era isso que eu achava.

Não sei porque cargas d’água eu presumi que o evento seria no entorno de Patos de Minas. O convite virtual continha um mapa que não especificava a cidade na qual se localizava a fazenda na qual seria gravado o DVD. E por conhecer mais ou menos a região (meus pais são de uma cidade situada a 50 km dali), deduzi que sabia exatamente como chegar no referido local. Que bobagem a minha. Do hotel de beira de estrada onde me hospedei (achando que seria perto) até o local, dava mais ou menos uns 40 km pra mais.

Fiquei desnorteado durante todo o caminho até o evento, achando que jamais iria encontrar a tal fazenda. A minha sorte é que lá pelas tantas, quando eu tinha a absoluta certeza que estava perdido numa estrada que eu tinha certeza que não estava no mapa, encontrei um grupo de carros estacionado num posto de gasolina. Aproveitei a útima chance que Deus me concedeu e perguntei se eles estavam indo para a gravação. Bingo!!! Daí em diante foi só seguir os caras.

Na entrada da fazenda, uma fila gigantesca de carros. É que, como se tratava de um evento apenas para convidados, a fiscalização de documentos e placas dos veículos era intensa. Tudo muito organizado, diga-se de passagem, afinal era uma gravação intimista, com os convidados e artistas à vontade no meio do público, nada de cercamentos, camarotes, áreas exclusivas (exceto os camarins). A idéia era que todos estivessem bem à vontade.

O cenário era, como eu já disse, uma fazenda. O palco foi montado de forma que a entrada da fazenda, formada por eucaliptos, ficasse ao fundo e os efeitos de luz pudessem ser utilizados de forma mais interessante. Uma camionete antiga ainda compunha o cenário, dando um aspecto ainda mais rústico. O palco, de madeira, não recebeu cobertura de tapetes ou carpetes.

A idéia, pelo jeito, era valorizar o DVD como de fato sertanejo, como não se costuma mais ver hoje em dia, sem pender para o lado caipira. A dupla ganhou admiradores, principalmente entre os profissionais do meio sertanejo, justamente por valorizar um lado que anda meio apagado no mercado. São sertanejos como poucos que vemos atualmente, com letras inteligentes e românticas, um grande dueto vocal, e a valorização de elementos acústicos que já estão começando a ficar esquecidos.

O repertório do disco, produzido pelo Dudu Borges, foi pensado de forma a valorizar ainda mais esse lado. Já é sabido que os dois (principalmente o Rafael) figuram atualmente entre os melhores compositores do gênero. A música “Se eu me entregar” é tida por muitos profissionais da música sertaneja como talvez a melhor lançada no ano passado. As músicas inéditas do novo disco seguiram todas essa mesma linha de composição.

Dentre as regravações, fora as músicas do disco anterior (não muitas, diga-se de passagem), chamaram a atenção um medley de músicas na viola, com uma homenagem merecida à dupla Di Paulo & Paulino (com as músicas “Tô indo embora” e “Tô por aí”), e a releitura da música “Um Degrau na escada”, composição do Zé Henrique gravada por Chico Rey & Paraná.

Apesar de eu ter feito um pacto comigo mesmo de não mais encher a bola deste ou daquele produtor para evitar aborrecimentos como os que tive por elogiar o trabalho do Dudu Borges (pelo jeito meus elogios foram infundados, né, já que ele chegou aonde chegou), é importante aqui observar um determinado aspecto de suas recentes produções. Em um intervalo de cerca de dois meses, ele produziu cerca de 5 DVDs, o que seria um prato cheio para aqueles que adoram apontar defeitos como “ah, ele está se repetindo, o som tá igual, bla bla bla“. Acontece que em cada disco ele tem procurado trabalhar com uma turma diferente de músicos, para assim garantir que cada trabalho tenha a própria identidade e que os falastrões não tenham do que reclamar. O DVD da dupla Kleo Dibah & Rafael contou com alguns músicos que eu nunca tinha visto em trabalhos anteriores produzidos pelo Dudu Borges. A banda que vai aparecer no vídeo, aliás, é bem reduzida: apenas bateria, percussão, um violão, baixo e teclado, além da dupla tocando apenas em uma música ou outra.

O disco contou com a participação da dupla João Bosco & Vinícius, repetindo o dueto da música “Me Beija”. Estavam programadas ainda as participações do Leonardo (que por conta do acidente do Pedro acabou não acontecendo), Michel Teló (que também não aconteceu por conta de mais uma turnê internacional) e do Cristiano Araújo (que não compareceu por conta de um compromisso). A dupla Jorge & Mateus também vai participar do DVD, mas vai gravar a participação numa outra ocasião, e o vídeo será inserido depois, na edição.

Durante toda a gravação, apenas duas músicas foram repetidas. Tudo fluiu perfeitamente, apesar de um problema sempre comum aos discos com gravação apenas para convidados. Sempre se presume que os convidados vão colaborar mais facilmente do que numa gravação aberta ao público, o que quase sempre mostra-se uma inverdade. É uma dificuldade fazer com que o público presente obedeça às solicitações, se posicione de forma a preencher os espaços vazios, etc, etc, etc. A maioria só quer saber da bebida de graça.

No fim das contas, a dupla comprovou a competência que o mercado sertanejo já sabe que eles têm. O nome do disco, segundo eles, faz uma alusão a uma expressão comum em Patos de Minas, “É dus mais bão”. No disco anterior, aliás, havia uma música intitulada “E o tanto que é bão”, que não foi gravada no DVD. De um jeito ou de outro, ambas as expressões podem também servir para a própria dupla. Ótimos como a música sertaneja merece e, convenhamos, anda precisando.