DIÁRIO DE UM CANTOR SERTANEJO

Antes de prosseguir com a nossa saga, quero agradecer aos comentários sempre inteligentes dos nossos amigos Rafael e Fabinho. Respondendo a algumas das dúvidas dos nossos amigos:
1) A minha dupla participou da primeira etapa do concurso Country Star, mas infelizmente não fomos classificados. Nossa apresentação também não foi transmitida pela Band. Mas tudo bem, outras chances virão.
2) A dupla Theo Ferreira & Mancine, daqui de Uberlândia, está com CD novo, produzido por Tiago Carvalho, sanfoneiro da dupla Luiz Cláudio & Giuliano. Mas, diferentemente de algum tempo atrás, eles não estão realizando mais aquela divulgação fortíssima na rádio Paranaíba FM. Conforme boatos que ouvi há um tempo atrás, o antigo diretor artístico da rádio e atual empresário da dupla Victor & Léo, Luiz Antônio, cortou qualquer divulgação maciça de outra dupla da região, exceto de Victor & Léo, que ele trouxera para Uberlândia e que agora estão nadando de braçada graças a ele. O mesmo Luiz Antônio já se desligou da rádio Paranaíba FM para se dedicar à carreira da dupla mais popular da atualidade. E, coincidência ou não, as duplas daqui passaram a ter um espaço maior na programação da rádio, que é, definitivamente, crucial pra quem quer se destacar no universo sertanejo.
Sem mais esclarecimentos, passemos à nossa saga.
Com a equipe formada, passamos a nos apresentar de maneira consistente nos bares e casas noturnas da região. Na verdade, o nosso estilo era peculiar, já que não havia outra dupla que realizava apresentações simples de maneira tão completa aqui na cidade. Só a gente se apresentava com tantos membros onde quer que fosse. O pessoal às vezes estranhava esse fato, dizendo que isso atrapalhava quem se apresentava sozinho. Ora, o que a q]gente queria era apenas mostrar um trabalho de qualidade, sem se preocupar muito com o retorno financeiro, que nunca é o suficiente mesmo.
Com essa formação, a gente cantou nos mais diversos locais da cidade, chegando a cantar em bares e casas noturnas de outras cidades, como Cristalina – GO, Campina Verde – MG, e outras. Mas uma coisa nunca deixei de fazer: um tour semanal nas casas apenas para entregar nosso “portifólio” e verificar se havia data disponível para a nossa apresentação. Éramos crus ainda nesse quesito. Hoje, muita gente que abriu espaço para nós no início fala na maior cara dura que a gente evoluiu muito. Mesmo assim, foi no início que eu consegui marcar uma apresentação na casa de shows mais importante da cidade: O Coliseu.
Quem estava organizando a agenda sertaneja da casa era o Dino Guedes, da dupla Geraldo Viola & Dino Guedes. Ele, por incrível que pareça, havia gostado do nosso humilde CD e resolveu nos dar aquela chance de mostrar o nosso trabalho. Tocar no Coliseu era como realizar um sonho pra qualquer artista daqui. Foi a partir daquela casa que cantores como Alexandre Pires e Bruno & Marrone despontaram para o Brasil inteiro. E eu havia conseguido marcar uma apresentação. Seria apenas a abertura de um show oara outra dupla que já tocava na casa há mais tempo, mas já era muita coisa pra gente.
Fizemos nosso humilde show da melhor maneira possível. Nosso público compareceu em peso, porque sabia que aquele seria um momento importante de nossa carreira. Todos os meninos (digo, a banda) ficaram muito satisfeitos. O momento era muito especial pra todos, inclusive pra eles. O Dino Guedes me deu uns toques alguns dias depois sobre coisas que, na opinião dele, deveriam ser corrigidas, mas, fora isso, tudo transcorreu muito bem.
Realizamos o nosso sonho de cantar no Coliseu. Mas, como eu já esperava, ficaríamos um tempo sem tocar ali depois disso. Afinal, tínhamos muito pouca experiência no palco. Mas isso era uma coisa que melhoraria com o tempo.
Até mais…