Diário de um cantor sertanejo – A escolha de um produtor

Como eu disse semana passada, o orçamento, apesar de alto para nossos padrões, era baixo para os padrões do mercado. Então, precisávamos procurar um estúdio que se adequasse ao que procurávamos: preço, herrr, acessível, qualidade técnica e criaividade.

Pesquisamos em vários estúdios daqui da cidade. Os músicos daqui têm um problema sério de achar que somente fulano ou beltrano são capazes de desenvolver determinados trabalhos. Eu sempre fiquei naquela de pensar que deve-se dar uma chance a quem queira desenvolver um bom trabalho e demonstre capacidade para tal.

Em Uberlândia, os estúdios podem ser divididos em “alto nível”, “nível médio, mas com grandes chances de crescer” e “tranqueira”. O fato é que são pouquíssimos os estúdios de alto nível aqui na cidade de Uberlândia. Pra não ficar enrolando, citarei nomes, sem medo de represálias posteriores. O melhor estúdio de Uberlândia em termos técnicos é o Digital Studio, de propriedade do “Porfa”. O cara é um mestre na arte da mixagem, tendo sido responsável por um bom tempo pela parte técnica da dupla Rionegro & Solimões. É um estúdio de alto nível, para os padrões daqui. Mas, não sei se por implicância minha, nunca me agradou o fato de a grande maioria dos músicos da cidade lamberem o saco desse estúdio, dizendo coisas do tipo: “ah, tem que ser no Porfa”, “Ah, o Porfa isso, o Porfa aquilo”. Eu não sou desses. O estúdio cobra o dobro do que os outros bons estúdios costumam cobrar. Pode até valer a pena, mas preferi tentar outro estúdio, mais barato e com um produtor que falasse a minha língua. Não que o Porfa não fale, mas eu quis procurar alguém que percebesse que eu faço pate de uma dupla como sonhos e tudo mais, que precisamos de toda a garra possível para a realização desses sonhos.

No fim das contas, fechei com um estúdio “iniciante”. Expliquemos: O Jaiminho, dinossauro da música sertaneja a nível nacional, já tendo trabalhado com o Zezé no início da carreira e com vários outros artistas, tem um home studio chamado “A cor do Som”. Seu filho, o Newtinho, sempre o auxiliou no estúdio, tendo se aperfeiçoado cada vez mais na produção. O Newtinho é o produtor da banda da dupla João Victor & Raphael. Surgiu uma oportunidade legal e o Newtinho resolveu montar o próprio estúdio, com bem mais recursos que o estúdio do pai. Como eu já conhecia as produções dos dois, resolvi fechar com o Newtinho e o recém inaugurado “Wave Studios”. na verdade, fomos os primeiros artistas a gravarem um disco completo com eles.

Mas o estúdio estava mesmo no começo. Inclusive os monitores que eles utilizam hoje pertenceram a mim. Eu que vendi as malditas caixinhas pra ele (o pior é que sinto uma falta delas, hehehe). No entanto, era visível a vontade dos produtores em mostrar um bom trabalho e tudo mais. Mesmo estando no começo, já tinha capacidade técnica para a gravação de trabalhos de alto nível. Enfim, foi o estúdio que mais se adequou à nossa vontade de chegar em algum lugar.

Escolhido o estúdio, começava a correria. Mas só na semana que vem…