DIÁRIO DE UM CANTOR SERTANEJO – GRAÇA NEM DE GRAÇA

Hoje eu achei, por alguns momentos, que tinha perdido o blog. O site Noembalo.com ficou fora do ar por um tempo e, consequentemente, o blog também. Graças a Deus, meu amigo e parceirão Glauber Duarte mais uma vez salvou o dia. Valeu, Glauber.

Vou contar hoje dois fatos que aconteceram conosco este mês e que servem para ilustrar algo que eu nem lembro se já disse ou não: o trabalho de uma dupla sertaneja em início de carreira é tão valorizado quanto um saquinho de pão velho.

Primeiro Caso:

Uberlândia é um cidade com grande número de universitários. Fomos convidados para tocar numa festa para esse tipo de público. Esperávamos, é claro, poder pelo menos cobrar um preço justo pelo nosso show, haja vista que a festa foi organizada e patrocinada por uma grande empresa de eventos daqui. Que nada!!! Na hora de fecharmos um valor, a organizadora do evento me fala a seguinte frase: “Tem uma dupla que faz pra mim de graça, quer fazer por XXX?”

Agora eu pergunto, como é possível para uma dupla que quer mostrar um trabalho decente se sobressair numa situação dessas?

Segundo Caso:

Pior foi o que aconteceu essa semana. Há um mês fomos convidados para tocar em praça pública na festa do centenário das lojas Pernambucanas, uma das maiores redes varejistas do Brasil. Conseguimos fechar um valor. Baixo, mas conseguimos. A festa será no dia 16/11, em praça pública. Acontece que a mesma pessoa que havia fechado o contrato conosco nos ligou essa semana dizendo que a direção da filial não liberou o valor solicitado e exigiu que os artistas que quiserem se apresentar deverão fazê-lo sem cobrar nada. Isso mesmo. NADA!!! Eles alegam que, por estarem divulgando o evento e os nomes das bandas em vários veículos de comunicação, não precisam pagar os artistas. Não é absurdo? Agora me respondam rápido. Será que se eu chegar na loja pra comprar uma cueca que seja, eu vou conseguir levá-la de graça?

Isso serve pra mostrar um pouquinho da situação atual, pra quem ainda acha que cantor ganha dinheiro fácil. O pessoal precisa entender que isto é um trabalho, como qualquer outro. E, como tal, precisa ser pago. A escravidão já foi abolida há 120 anos e tem gente que ainda insiste em burlar a lei Áurea…