Diário de um cantor sertanejo – patrocínios

A história de hoje foi vivida pelo meu irmão. Estou reproduzindo o relato dele, hehehe.

Desde sempre nós contamos com o apoio de pessoas interessadas em nos ajudar. Sempre temos um projeto de patrocínio para mostrar. A música é uma amante muito exigente. É dinheiro pra gravar CD, pra comprar instrumento, pra prensar o CD gravado, pra confeccionar o material de divulgação, enfim, pra muuuuuuitas coisas. Sem dinheiro não se faz absolutamente nada na música. Na-da. N-A-D-A. Por isso sempre fomos atrás de alguém pra nos auxiliar nessa parte.

O diferencial é que nunca chegamos para um empresário já abrindo o verbo e pedindo cem mil reais. De jeito nenhum. Ele ajuda no que puder. Às vezes cenzinho aqui, duzentinho acolá, mas nunca tivemos a cara-de-pau de chegar num mega-empresário pedindo uma grana preta (talvez por isso estejamos até hoje nessa pasmaceira).

Aconteceu recentemente uma situação engraçada com meu irmão. Por indicação de um amigo, fui informado que provavelmente eu conseguiria alguma coisa de um dono de uma loja de venda de madeira aqui da cidade. Como eu não tenho tempo durante o dia, meu irmão se encarregou de tentar conseguir uma ajuda ($$$) do pessoal de lá.

Lá chegando, meu irmão foi posto numa sala de espera, ao lado da sala do cara que coordenava essa parte de grana. Acontece que dessa sala dava pra ouvir toda a conversa lá dentro. O cara estava batendo papo com um amigo. Aqui vou reproduzir o que, segundo o meu irmão, foi o diálogo dos dois. PP é o possível patrocinador e APP é o amigo do possível patrocinador:

PP: Ah, cara, num gosto muito dessa camionete sua não. A minha Pajero é melhor.

APP: Ah, fi, mas a minha Hilux é boa demais, e não sei o que, e blablabla.

PP: Eu sei, cara. Dessa sua eu compro a hora que eu quiser, pra mim não é difícil nem um pouco. Acontece que a minha Pajero é assim e assado, ela é blablabla, e blebleble, e bliblibli. Dessa sua, eu posso comprar hoje se eu quiser.

Ouvindo a conversa meu irmão ficou até meio empolgado, pensando que ia ser fácil conseguir alguma coisa do cara. Depois que o APP saiu da sala e meu irmão entrou, parece que o cara mudou automaticamente de classe social:

PP: Ah, rapaz, esse mês foi ruim demais aqui na loja, acho que não consigo te ajudar dessa vez não. Num vai dar nem pra pagar as dívidas desse mês, snif snif snif.

Detalhe: meu irmão pediu a quantia de 300 reais. Ou seja, uma Hilux provavelmente custe por volta de 100 reais. Afinal, se o cara pode comprar uma na hora que ele quer mas não pode ajudar com 300 reais… Já estou ligando na autorizada da Mitsubishi pra reservar a minha. Cenzinho é uma pechincha. E um viva para a crise econômica. VIVAAAAAAAAAAA!!!