DIÁRIO DE UM CANTOR SERTANEJO

Hoje é o primeiro dia do “diário” de um cantor sertanejo em início de carreira. É muito provável que eu me empolgue ao contar essa história e ela acabe ficando um pouco extensa. Por causa disso, as primeiras quintas servirão para contar um pouco de tudo o que já passei desde que resolvi começar a cantar. Espero que se divirtam…

Desde pequeno, meu pai me pressionou a aprender a tocar e cantar música sertaneja. Nem lembro quantos anos eu tinha quando ganhei meu primeiro violão. Era um “Tonante” pequenininho, mesmo assim maior que eu. Na verdade, ele tinha comprado o violão com a intenção de ele mesmo aprender a tocar. Ele, então, matriculou nós dois nas aulas de violão do SESI. Não se passaram nem três meses e ele desistiu de tentar aprender. Eu, por insistência dele, continuei freqüentando as aulas. Nessa época eu tinha dez anos de idade.

Na medida em que eu ia me aperfeiçoando no violão, tocava nas reuniões de família, de amigos, etc. E era daquele jeito: tocava ou apanhava. Pode até parecer meio radical, mas não tem meio melhor de fazer um filho se interessar por música do que obrigá-lo a isso.

Quando eu tinha mais ou menos catorze anos, meu pai comprou uma viola caipira, também com intenção de aprender a tocar. E quem disse que ele teve força de vontade? Lá fui eu novamente pra aula, dessa vez de viola. Dessa vez meu pai resolveu matricular o meu irmão nas aulas também. Eu fazia viola e ele, violão. Ele estava, na época, com 10 anos de idade.

Durante mais ou menos um ano, freqüentamos as aulas. Nas reuniões de família e de amigos, então, já não era mais sozinho que eu me apresentava obrigado. O meu irmão me acompanhava. O ruim é que a gente só sabia cantar duas músicas: “Menino da Porteira” e “O Campeão”, do Bruno e Marrone. Nessa época, Bruno e Marrone só eram conhecidos aqui em Uberlândia.

Por muito tempo a gente só tocava essas duas músicas em todos os lugares em que a gente se apresentava. Aos poucos, no entanto, a gente foi aprendendo novas canções, montando repertório e perdendo a timidez. Nós cantávamos em encontros de violeiros, festivais regionais e coisas do gênero. E o pessoal começou a se interessar de verdade. Muitos perguntavam porque a gente não fazia carreira e gravava um CD. Na medida em que isso foi ficando constante, a gente resolveu que era hora de dar um passo adiante.

O restante da história vai ficar pras próximas quintas. É só pra vocês manterem o interesse. Um abraço a todos!!!