Diário de um cantor setanejo – Ao vivo ou em estúdio?

Quando decidimos gravar esse CD, sabíamos que gravar em estúdio seria mais fácil e menos trabalhoso (leia-se menos caro). Mas ficava aquela dúvida na nossa cabeça. Parecia que uma vozinha ficava dizendo para mim e para o meu irmão que deveríamos gravar ao vivo.

Por que? Ora, se formos parar para pensar, a quantidade de CDs em estúdio que deram certo nos últimos tempos é infinitamente inferior à quantidade de CDs Ao Vivo que deram. Como então gravar ao vivo o CD sem aumentar os custos de produção? A gente resolveu fazer o seguinte: gravar todo o instrumental em estúdio e apenas as vozes e a ambiência ao vivo. “Ah, mas aí não é ao vivo”, com certeza alguns de vocês podem até dizer. Mas o fato é que o sistema utilizado preserva a essência do “ao vivo”. Daqui a alguns parágrafos eu explico melhor.

Quanto ao instrumental, permiti que o Newtinho (produtor) trabalhasse com músicos que ele considerava bons. Não quis impor ninguém, nem o pessoal da minha banda, por algumas razões simples: o cara com certeza se dedicaria mais na gravação e na captação se estivesse trabalhando com pessoas em quem ele confiasse e o pessoal da minha banda ainda não tem a manha do estúdio, a pegada necessária para deixar a gravação perfeita, tanto em questão de tempo (clique) quanto de habilidade (detalhes semana que vem).

Voltando ao assunto anterior, como manter a essência do “ao vivo” sendo que apenas a voz e a ambiência seriam captadas ao vivo? É simples: depende de quem você convida pra assistir o show. Quando definimos o dia e o local da gravação, passamos a ligar pra todos os parentes e amigos mais chegados, porque sabíamos que eles agiriam de acordo com a necessidade, isto é, gritariam quando pedíssemos, aplaudiriam quando pedíssemos e agiriam como se fôssemos a melhor dupla do mundo, o que é essencial em um disco ao vivo.

Pra captar a ambiência, utilizamos três microfones tipo “shotgun” dispostos ao redor das cadeiras, todos ligadas a uma mesa digital de última geração, que estava ligada à placa de som, que estava ligada ao computador. Na verdade, a ambiência foi gravada com no máximo umas 40 pessoas, durante um churrasco realizado em nossa própria casa. As vozes, primeira e segunda, foram gravadas com dois microfones de mão, justamente pra captar ainda melhor a essência do ao vivo. Não ficaria legal se gravássemos as vozes em estúdio pra depois captar ambiência.

Mas não pensem que gravamos tudo roboticamente. Nananinanão. Depois de instruirmos o público, o que fizemos foi soltar as trilhas de gravação e gravarmos tudo direto, sem parar, como num show mesmo.

Enfim, a única coisa que não tinha na hora relacionada a um show de verdade era a banda. O resto estava tudo lá. E creio que por isso o resultado tenha ficado bastante satisfatório. É claro que voltamos algumas vezes, corrigindo erros, mas foram pouquíssimos, graças a Deus. A última faixa gravamos no estúdio dias depois. E logo em seguida já estávamos indo pra São Paulo masterizar.