Dois ou mais artistas dividindo o mesmo palco: a mágicas dos shows em conjunto

Dois ou mais artistas dividindo o mesmo palco: a mágicas dos shows em conjunto

Aproximando-se do fim de 2015, já é notório que um dos grandes acertos comerciais do ano e dos últimos tempos foi mesmo o espetáculo “Cabaré”. Leonardo e Eduardo Costa iniciaram no ano passado, com um DVD, um projeto no qual dividem os vocais em grandes clássicos da música sertaneja, numa pegada bem adulta e com muitas piadas e palavrões entre uma música e outra. O show originado ali acabou sendo um dos mais pedidos e de maior sucesso nas feiras e em grandes casas de espetáculos. Em um ano no qual não se falou em outra coisa a não ser em crise, este acabou se tornando, logicamente, um fenômeno a ser “copiado”.

As aspas são por conta da dúvida que o termo “copiado” suscita. É que, se um projeto dá certo, o que tem de mais tentar se valer de elementos desta fórmula para também usufruir um pouco do sucesso que ela pode proporcionar? E é o que se tem visto no decorrer deste ano, com alguns projetos de peso se desenhando para, assim como o “Cabaré”, quem sabe, ocupar um grande espaço nas festas de 2016. Além da parceria entre Eduardo Costa e Leonardo, temos acompanhado o surgimento de projetos como o FS Loop 360º, com Fernando & Sorocaba e Marcos & Belutti (e futuramente outros nomes da FS), o “Chitãozinho & Xororó + Bruno & Marrone no mesmo palco” e o recém anunciado show “Lendas”, que trará, juntos, Milionário e Marciano cantando clássicos de suas duplas originais.

A proliferação deste tipo de espetáculo é fruto, principalmente, da popularização maciça dos grandes festivais. Caldas Country, Curitiba Country Festival, Festeja e Villa Mix, entre diversos outros, levaram para os quatro cantos do país estruturas gigantescas e grandes grades de shows, sempre com inúmeros artistas tocando no mesmo dia, em ocasiões que superaram, muitas vezes, mais de doze horas de apresentação. Mas na medida em que estes festivais foram ficando mais e mais numerosos e atingindo cada vez mais cidades, a novidade acabou passando e, aparentemente, o público começou a ansiar por algo diferente.

Fora as tradicionais canjas de artistas nos shows uns dos outros durante estes festivais, não se via em nenhuma ocasião shows em que os artistas de fato tocavam juntos, trocavam de parceiros, ou faziam outras coisas além do básico. O “Cabaré” acabou preenchendo essa lacuna. Há, na verdade, um “quê” de “AMIGOS” no Cabaré e nos demais projetos desta natureza que vêm se desenhando. O encontro mais celebrado da história da música sertaneja, que em 2015 fez 20 anos, aconteceu apenas em algumas poucas ocasiões, sempre como especial da Globo, dando origem a um programa dominical que durou algum tempo. Mas não chegou a se tornar uma turnê.

A sensação que este tipo de encontro produz no público, a de ter a oportunidade de assistir a dois ou mais ídolos se apresentando juntos em um show diferente e que provavelmente não poderá ser visto novamente na mesma cidade (pelo menos em teoria), é um dos principais motivos que nos faz entender o sucesso deste tipo de empreitada. Afinal, o povo gosta de novidade. É por isso que tantos artistas novos surgem com tanto sucesso ano após ano. Ver algo novo com artistas já consagrados acaba sendo uma pedida e tanto.

Este ano, consegui assistir a 3 destes shows, que foram realizados, de forma inédita, numa mesma feira: o CAMARU, em Uberlândia, que completou 50 anos. Abaixo, trago um breve relato sobre o que vi em cada um e o que penso a respeito do show “Lendas”, cujo DVD será gravado dia 11/11.

* Cabaré

leonardo e eduardo costa

A versão ao vivo do show traz o mesmíssimo repertório do DVD. Mas se a ideia no DVD era glamourizar o sertanejo de “puteiro”, de onde surgiram vários artistas do nosso segmento, o show parece funcionar tanto para um público mais selecionado, dispostos em mesas, quanto para o povão, que já é fã dos artistas Eduardo Costa e Leonardo e, obviamente, gostaria de vê-los juntos em um palco. Aqui, foi o recorde da feira este ano. Mas teve o mesmo sucesso quando realizado de forma mais “elitizada” em São Paulo há algumas semanas, por exemplo. O repertório é estritamente o do DVD, bem como o cenário e as bailarinas. Nenhum dos dois artistas apresenta músicas próprias, o que reforça a ideia de que este é um projeto totalmente paralelo às carreiras dos dois. tanto que o Eduardo Costa já lançou um novo disco, algo que também está sendo preparado pelo Leonardo. Mesmo assim, já é dada como certa a segunda edição do projeto ou, pelo menos, a continuidade dos shows no ano que vem.

* FS Loop 360º

fsloop

Se os demais escritórios se voltaram à realização de festivais em formato padrão, a FS realiza uma experiência diferente. O FS Loop 360º é, sim, um festival, mas as duas duplas que se apresentam em cada um deles (atualmente encabeçam o projeto Fernando & Sorocaba e Marcos & Belutti) dividem os vocais, realizam as mesmas brincadeiras, enfim, participam ativamente do show uma da outra. Em boa parte do show, inclusive, as duplas se alternam, com o Belutti cantando com o Fernando e o Marcos com o Sorocaba. São 3 horas de apresentação ao todo.

Mas o grande diferencial é mesmo a estrutura. Ao invés de um palco comum, a ideia do FS Loop 360º é um palco central, com o show podendo ser acompanhado de forma igual pelo público, qualquer que seja o lado em que ele se encontra. As grandes “maluquices” do show de Fernando & Sorocaba foram trazidas para este projeto, com os artistas fazendo a abertura nas bolhas por cima do público e o “disco voador”, que é basicamente a mesma coisa, mas em cima de um colchão inflável e com muito mais risco para quem está em cima.

Parte da área reservada ao público é destinada ao Open Bar e Open Food, o que garante a experiência de “backstage” ou camarote extra master vip premium mega blaster comum aos grandes festivais.

O projeto deve virar um DVD em breve, só não se sabe se apenas com Fernando & Sorocaba e Marcos & Belutti ou também com os demais artistas do escritório. Acredito que a segunda opção seria mais vantajosa, já que abriria um bom precedente para a realização deste evento em um número maior de festas e cidades do que se fosse vinculado a apenas duas duplas.

Abaixo, uma galeria de fotos do show realizado em Uberlândia.

* Chitãozinho & Xororó + Bruno & Marrone No Mesmo Palco

chbmcamaruf

Diferente dos outros projetos citados aqui, este não parece ter vindo de um planejamento prévio, até porque as duas duplas são de diferentes escritórios. Em 2013, elas haviam se apresentado juntas em Barretos. Em março deste ano, decidiram repetir a experiência no Espaço das Américas, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo Multishow. A repercussão foi tão positiva que as duplas acabaram se vendo “obrigadas” a atender aos pedidos de contratantes para levar o show a mais lugares. E o resultado, obviamente, tem sido incrível.

Além da oportunidade única de testemunhar um “duelo” ao vivo entre o Xororó e o Bruno, apesar de Bruno & Marrone sempre se colocarem na condição de aprendizes e fãs, o show traz um repertório absolutamente sensacional. Ainda não há, no entanto, tantas oportunidades durante o show quanto os fãs gostariam em que uma dupla canta as músicas da outra, exceto na abertura montada pela HIT Music e em outros momentos da apresentação, até mesmo pela falta de tempo para os ensaios de uma turnê que teoricamente ainda nem existe. Isso deve mudar com o DVD que já está sendo preparado. O projeto deve trazer, além de mais hits das respectivas carreiras com as duas duplas cantando juntas, canções inéditas. A produção ficará a cargo do Dudu Borges.

* Lendas

milionário e marciano

A grande sacada de colocar no mesmo palco o Milionário e o Marciano, cantando juntos grandes sucessos de Milionário & José Rico e João Mineiro & Marciano, deve render outro grande êxito em 2016. Desta vez para a FS, que idealizou o projeto. O DVD que será gravado no dia 11/11, em São Paulo, contará com a produção do Fernando Zor.

Além da tal oportunidade de ver um encontro entre duas lendas, de fato, este projeto permitirá não só que o Milionário continue o legado da dupla Milionário & José Rico, interrompido bruscamente com a morte do José Rico no começo do ano, como também trará de volta ao mainstream o Marciano, que desde o fim da parceria com o João Mineiro mantém uma carreira estável, porém afastada das grandes festas.

Sobre o andamento do projeto daí em diante, até mesmo por conta da saúde do Milionário, creio que a resposta virá quando os shows começarem a ser realizados.


Quando se fala em “festival”, geralmente temos um escritório tomando conta e, muitas vezes, bancando o cachê como simples contratante quando o festival tem algum artista de fora do seu casting. No caso dos shows em conjunto, o que temos é uma divisão total de despesas e lucros, independente de quem fique com a fatia maior. Em um ano de inúmeros cancelamentos e de uma grave crise econômica, “rachar” as despesas dos eventos acaba sendo uma boa saída para que os shows possam continuar sendo realizados. Isso já é um hábito comum no mercado da música, mas transferir isso até para o palco, com os artistas dividindo até mesmo os próprios shows, mostra que, em momentos difíceis, até mesmo o ego pode acabar dando espaço para proveitosas parcerias.

Talvez este seja o começo de um movimento interessante, afinal a música sertaneja apresenta diversas possibilidades de união. A Work Show já está vendendo shows de uma turnê intitulada “Festa das Patroas”, que trará Marília Mendonça e Maiara & Maraísa na versão feminina do “Cabaré”. E outros diversos projetos podem surgir. Daniel e Rick, por exemplo? O Rick já demonstrou interesse. Ou quem sabe uma releitura do projeto AMIGOS? Independente do que o sucesso destas empreitadas possa originar, quem ganha com esse tipo de novidade e de oportunidade é o público. Que isso seja o início de algo grandioso pela frente.