E o dinheiro? Cabô?

E o dinheiro? Cabô?

Parece ser um consenso geral no meio sertanejo que 2013 anda estranho. Depois da avalanche de investimentos nos últimos dois anos (principalmente no ano passado) em cima dos mais diversos artistas, em 2013 parece que a realidade mudou um pouco. A imensa maioria dos escritórios pisou no freio, fechou o velcro da carteira e preferiu deixar de gastar tanto quanto havia gastado nas temporadas anteriores.

Já ouvi em alguns lugares a palavra “crise”, mas não acho que seja esse o caso. Acredito na verdade que estamos passado por uma fase de conscientização, que se reflete em várias vertentes. O mercado já não parece estar engolindo mais tão facilmente o mesmo tipo de artista e de música que abraçou no ano passado. E os investidores parecem estar percebendo aos poucos que não adianta derramar caminhões de ouro (que valem mais do que dinheiro) em cima de um artista se não tiver como recuperar esse investimento depois. Consequentemente, o que se observa é um investimento mais bem pensado, ao invés daquele tradicional investimento a rodo e sem fundamento que testemunhamos em 2012.

Para vocês terem uma ideia, só em 2012 o Blognejo acompanhou como convidado nada menos que TRINTA E DOIS eventos, a maioria gravações de DVDs. Isso dá mais de dois eventos por mês. Fora aqueles dos quais o Blognejo não participou. A título de comparação, já estamos no final do mês de maio de 2013 e participamos de 4 eventos até agora, sendo que apenas dois foram gravações de DVD, e de artistas que não haviam gravado no ano passado. As gravações de DVDs previstas para os próximos meses, inclusive, são quase todas de artistas que não gravaram em 2012, ou seja, que teoricamente não realizaram um investimento tão pesado e portanto não precisam “pisar no freio” em 2013.

Ao que parece, a farra dos gastos multimilionários cessou, sim, o que não significa necessariamente algo negativo. Se no ano passado o sertanejo estava em absoluta alta, o que atraiu investidores de todos os lados, em 2013 boa parte deles parece finalmente ter aprendido como trabalhar. Um artista que quer gravar um DVD com uma grande estrutura, ainda que intimista, e convidar profissionais do meio sertanejo de todas as partes do país, vai gastar algo perto da casa do milhão de reais, no mínimo. Como fazer para recuperar todo esse dinheiro de volta?

A única alternativa possível é justamente diminuir o ritmo de investimento e concentrar as atenções em atividades que gerem renda e não apenas nas que gerem gastos. Um exemplo básico é o do maior escritório do país na atualidade, a Audiomix. Em 2012 todos os artistas do escritório gravaram DVDs de grande porte, exceto Guilherme & Santiago, que gravaram no final de 2011, e Matheus & Kauan, que gravaram agora no início de 2013. Jorge & Mateus gravaram dois DVDs. Para todos os eventos do escritório, incluindo o Villa Mix de Goiânia, vários profissionais do meio sertanejo, entre radialistas, contratantes, etc, foram convidados. Dá pra se ter uma ideia da quantidade de dinheiro investido em 2012, portanto.

Agora em 2013, entretanto, o foco de ação do grupo mudou. A prioridade tem sido a realização de grandes eventos, como o Villamix, que ganhou edições em 19 capitais e mais uma especial durante a festa de Barretos. Essa é uma festa realizada pelo próprio escritório, sem intermediários, ou seja, o lucro é todo da Audiomix, praticamente. Todo o investimento realizado em 2012, portanto, reverte-se em lucro no ano de 2013 através da realização de eventos e da agenda consistente dos artistas, possibilitada justamente pelos trabalhos lançados a partir dos investimentos feitos.

Por coisas assim é que não vejo por que chamar de “crise” uma mera diminuição do volume de investimentos. Ora, se tanto dinheiro já foi gasto em 2012 pelos mais diversos escritórios, é mais do que plausível que em 2013 eles diminuam o ritmo. Gasta-se dinheiro em um ano para se ganhar em outro, para depois gastar no seguinte e ganhar no próximo e por aí vai.

E como eu disse lá no começo, isso acaba refletindo até no tipo de artista que acaba sendo lançado no mercado. Se a fase de altos investimentos passou, o dinheiro agora vai começar a ser gasto então em produtos menos arriscados, daqueles que costumam contar naturalmente com o apoio de rádios, por exemplo. Digo, artistas com um trabalho mais sério e não tão exageradamente comercial como boa parte dos que apareceram no ano passado. Estes sim costumam precisar de um pouco mais de e$$$tímulo para que o trabalho possa de fato funcionar.

É provável que testemunhemos esse ritmo lento nos investimentos pelo menos durante todo o decorrer desse ano. No ano que vem, com a copa do Mundo e tudo mais, creio que o investimento nos artistas voltem quase ao mesmo patamar do ano de 2012, para aproveitar a presença maciça de turistas e tudo mais. Crise seria se os artistas simplesmente sumissem das rádios e da grande mídia. Mas a mídia continua explorando os artistas sertanejos tanto quanto podem. O sertanejo continua dominando todo tipo de festa, exceto as Viradas Culturais e Rock in Rio’s da vida, claro. Mas aí já é um outro assunto.