Entrevista Exclusiva – César Augusto

É bom ver como o mundo dá voltas. Dia desses postamos aqui no Blognejo uma entrevista com o maestro Pinnochio, mesmo depois de eu ter, há uns 2 anos, dado como impossível esse bate-papo por conta de um descontentamento causado  no maestro por alguns textos postados aqui no blog. A ocasião hoje é mais ou menos a mesma.

Por diversas vezes falamos aqui no blog sobre o trabalho do César Augusto. Numa época em que o blog tinha um perfil mais “de guerrilha”, algumas de nossas críticas eram um pouco pesadas, inclusive. Com o tempo, no entanto, fomos amenizando o teor das nossas palavras e passei a escrever textos que exaltavam o trabalho dos grandes profissionais da música ao invés de criticá-los, tentando defender o que é novo. Por conta dessa postura de antigamente, eu também achava que jamais me sentaria com o César para gravar uma entrevista e que ele me receberia com tamanha humildade e respeito.

Pois esta entrevista aconteceu e a conversa foi de fato fantástica. O vídeo abaixo traz um ótimo bate-papo com ele, que é sem sombra de dúvida uma das figuras mais importantes da história da música sertaneja. Mesmo que a humildade dele não permita que ele aceite essa alcunha, ele foi o responsável pela consolidação da música sertaneja como música urbana durante os anos 90, num movimento que havia começado nos anos 80 com Chitãozinho & Xororó e o produtor José Homero.

Na entrevista, falamos sobre este período e sobre como as coisas funcionavam de uma forma diferente, inclusive com curiosidades como o fato de ele ter produzido 38 discos em um único ano. Ele chegou a detalhar também como se dava o pagamento de uma produção musical na época em que os artistas ainda vendiam milhões de cópias. E falamos também sobre sua obra como compositor, uma das mais extensas e importantes da história do segmento.

Conversamos também sobre a importância das parcerias que ele fez ao longo da vida, principalmente com o César Rossini e com o Piska, e sobre a sua estreita relação com as duplas Leandro & Leonardo (foram eles que o tornaram um produtor musical, inclusive) e Zezé di Camargo & Luciano e como esse relacionamento refletia no segmento sertanejo.

Assim como a entrevista com o Pinnochio, esta de hoje também vai acabar ficando para a posteridade como um documento histórico. E não pensem que aquelas críticas que eu mencionei no começo deste texto não foram abordadas. O César aproveitou para fazer um desabafo a respeito delas e nós, como espaço amplamente democrático que somos, não cortamos nenhuma vírgula das suas palavras.

Só um aviso: a entrevista foi gravada durante uma semana na qual eu me encontrava em tratamento contra uma sinusite fortíssima, resquício de uma gripe não tratada. Por isso é que tem tanta tosse e tantos ruídos nasais no áudio, hehe. Infelizmente não dava pra cortar isso na edição.

Assistam abaixo.