Esta viola vermelha cor de bandeira de guerra…

A estrela do sertanejo, a viola caipira, é cercada de lendas, mitos e histórias de todas as naturezas. Violeiro que se preze sempre conta lá seus causos envolvendo seu instrumento e a danada por muitas vezes parece deixar de ser uma peça de madeira e acaba por tomar considerações quase humanas.

É interessante, por exemplo, rever vídeos do grandioso Renato Andrade que afirmava ter encontrado com o diabo e lhe ganhado a viola de ouro em um desafio. Há ainda uma série de simpatias que seriam uma forma de aprender tocar a danada, que falando por experiência própria, não é nada simples. Coisas como por a mão no formigueiro, dormir sobre o tumulo de um grande violeiro, segurar um filhote de cobra coral verdadeira nos dedos da mão esquerda, entre outros métodos milagrosos já deixaram muita gente apavorado ou encorajado. Há ainda a cultura de colocar um guizo de cascavel para melhorar o som, enfim, uma série de recomendações por vezes engraçadas (mas a do guizo eu recomendo rsrsrsrs) que desfilam nas bocas dos violeiros mais místicos é que tornaram a viola quase uma entidade.

Mas essas informações são só alguns comentários para tratar de uma viola do causo real que foi eternizada na canção de Tião Carreiro. Alias, são incontáveis canções no repertório sertanejo que exaltam a viola. A famosa moda da Viola Vermelha que o pai do pagode caipira gravou em 1984 juntamente com Pardinho foi em homenagem a outro gigante violeiro. João Batista Pinto, o Florêncio, de uma das primeiras duplas do sertanejo, Raul Torres e Florêncio.

Tião Carreiro era um grande admirador da dupla que tem entre suas obras a Moda da Mula Preta e a belíssima interpretação da música de João pacifico, Pingo d”™Ãgua. Há quem pense que a moda é por conta da cor da viola utilizada pelo Tião, contudo, o instrumento que ele usava era mesmo uma viola natural. A viola vermelha era na verdade de Florêncio e foi dada a Tião como um valioso presente de um ídolo. É engraçado parar para pensar o que pode inspirar um gênio como foi o criador do pagode caipira, mas o fato é que Florêncio foi a grande inspiração do violeiro mais afamado do Brasil.

Há ainda um equívoco quando pensam que a viola foi dada a Tião pelo próprio Florêncio pouco antes do falecimento dele em 1978. De acordo com informações do Portal Oficial de Tião Carreiro, a viola vermelha foi cedida pelo Moreninho, da dupla Moreno e Moreninho. O violão que pertencia a Raul Torres também foi dado á Tião em 1992 por um amigo.

A moda foi escrita em uma parceria entre Tião Carreiro e Jesus Belmiro. A letra trata de uma forma bastante profunda sobre o sofrimento da viola pela perda do canhoteiro que lhe foi parceiro e considerado pela canção como exemplo de violeiro. Por fim, é fácil perceber a relação entre homem e instrumento que considera não apenas Florêncio, mas todo e qualquer tocador que coloca no instrumento o que sente, o que pensa e o que sonha.

De melodia lamentosa, ponteio sagrado e cantoria emocionada, a canção se tornou um clássico que integra a lista de causadoras de lendas. É mais uma pérola do repertório nacional, mais especificamente, de Tião Carreiro.

Confira a letra da música:

Esta viola vermelha cor de bandeira de guerra
Cor de sangue de caboclo cor de poeira de terra
Foi a fiel companheira numa longa trajetória
De um artista tão querido que deixou o nome na história
Um canhoteiro de fibra um exemplo de violeiro
Com talento e traquejo do progresso sertanejo ele foi o pioneiro
Esta viola vermelha já fez tristeza acabar
Fez muitos lábios sorrir fez platéia delirar
Mas um dia entristeceu no silêncio da saudade
Quando pra sempre seu dono partiu para eternidade
Ela chora apaixonada que até meu corpo arrepia
Dá uma gemido em cada corda quando comigo recorda está imortal melodia
Esta viola vermelha que tanto alegrou o povo
Defendendo o que é nosso está na luta de novo
Voltou a ser aplaudida como foi antigamente
O seu passado de glória revivendo no presente
Florêncio descanse em paz por que está viola sua
Voltou pro pé do eito encostada no meu peito sua luta continua
Esta viola vermelha
Está chorando comigo
Ela perdeu seu dono
Eu perdi um grande amigo

Confira a canção:

Neste outro vídeo, uma relíquia por sinal, Tião Carreiro interpreta a Mão do Tempo com a viola vermelha:

Quem se interessar a conhecer uma das primeiras, se não a primeira dupla caipira do Brasil, pode conferir o seguinte vídeo que é uma interpretação do clássico Pingo D”™água, letra de João Pacífico na ocasião de uma terrível seca que judiou do interior de São Paulo na década de 40. A melodia foi feita por Raul Torres que em dupla com Florêncio eternizou quase que historicamente.

A estrela do sertanejo, a viola caipira, é cercada de lendas, mitos e histórias de todas as naturezas. Violeiro que se preze sempre conta lá seus causos envolvendo seu instrumento e a danada por muitas vezes parece deixar de ser uma peça de madeira e acaba por tomar considerações quase humanas.

É interessante, por exemplo, rever vídeos do grandioso Renato Andrade que afirmava ter encontrado com o diabo e lhe ganhado a viola de ouro em um desafio. Há ainda uma série de simpatias que seriam uma forma de aprender tocar a danada, que falando por experiência própria, não é nada simples. Coisas como por a mão no formigueiro, dormir sobre o tumulo de um grande violeiro, segurar um filhote de cobra coral verdadeira nos dedos da mão esquerda, entre outros métodos milagrosos já deixaram muita gente apavorado ou encorajado. Há ainda a cultura de colocar um guizo de cascavel para melhorar o som, enfim, uma série de recomendações por vezes engraçadas (mas a do guizo eu recomendo rsrsrsrs) que desfilam nas bocas dos violeiros mais místicos é que tornaram a viola quase uma entidade.

Mas essas informações são só alguns comentários para tratar de uma viola do causo real que foi eternizada na canção de Tião Carreiro. Alias, são incontáveis canções no repertório sertanejo que exaltam a viola. A famosa moda da Viola Vermelha que o pai do pagode caipira gravou em 1984 juntamente com Pardinho foi em homenagem a outro gigante violeiro. João Batista Pinto, o Florêncio, de uma das primeiras duplas do sertanejo, Raul Torres e Florêncio.

Tião Carreiro era um grande admirador da dupla que tem entre suas obras a Moda da Mula Preta e a belíssima interpretação da música de João pacifico, Pingo d”™Ãgua. Há quem pense que a moda é por conta da cor da viola utilizada pelo Tião, contudo, o instrumento que ele usava era mesmo uma viola natural. A viola vermelha era na verdade de Florêncio e foi dada a Tião como um valioso presente de um ídolo. É engraçado parar para pensar o que pode inspirar um gênio como foi o criador do pagode caipira, mas o fato é que Florêncio foi a grande inspiração do violeiro mais afamado do Brasil.

Há ainda um equívoco quando pensam que a viola foi dada a Tião pelo próprio Florêncio pouco antes do falecimento dele em 1978. De acordo com informações do Portal Oficial de Tião Carreiro, a viola vermelha foi cedida pelo Moreninho, da dupla Moreno e Moreninho. O violão que pertencia a Raul Torres também foi dado á Tião em 1992 por um amigo.

A moda foi escrita em uma parceria entre Tião Carreiro e Jesus Belmiro. A letra trata de uma forma bastante profunda sobre o sofrimento da viola pela perda do canhoteiro que lhe foi parceiro e considerado pela canção como exemplo de violeiro. Por fim, é fácil perceber a relação entre homem e instrumento que considera não apenas Florêncio, mas todo e qualquer tocador que coloca no instrumento o que sente, o que pensa e o que sonha.

De melodia lamentosa, ponteio sagrado e cantoria emocionada, a canção se tornou um clássico que integra a lista de causadoras de lendas. É mais uma pérola do repertório nacional, mais especificamente, de Tião CarreiroNeste outro vídeo, uma relíquia por sinal, Tião Carreiro interpreta a Mão do Tempo com a viola vermelha:Quem se interessar a conhecer uma das primeiras, se não a primeira dupla caipira do Brasil, pode conferir o seguinte vídeo que é uma interpretação do clássico Pingo D”™água, letra de João Pacífico na ocasião de uma terrível seca que judiou do interior de São Paulo na década de 40. A melodia foi feita por Raul Torres que em dupla com Florêncio eternizou quase que historicamente.