Gino & Geno – Pode Chamar Nóis

Um jejum de dois anos sem lançar nenhum álbum com inéditas. Todo esse tempo de hiato acabou gerando alguns boatos, como o de que o relacionamento da dupla com o produtor Rick já não era mais o mesmo. Graças a Deus, não passavam de especulações. E enfim Gino & Geno retornam com tudo, ainda sob a tutela do Rick.

Sabem aquela velha história, né? Em time que está ganhando não se mexe. Gino & Geno parecem levar essa expressão ao pé da letra. Já é normal aos discos da dupla o mesmo estilão, o mesmo batidão, a mesma pegada. Claro que não dá pra discordar dessa estratégia, já que a dupla é uma das que mais faz shows pelo país. Tocando à exaustão, tanto no rádio como em festas, é de se esperar uma manutenção do estilo. Aliás, se o Rick é o maior compositor do Brasil há 4 anos consecutivos, muito se deve ao sucesso de Gino & Geno.

A dupla só deve tomar cuidado, evidentemente, com a eventual repetição exagerada. A fórmula é fácil. Uma moda de duplo sentido como carro-chefe, um punhado de músicas de batidão com praticamente um assunto só (cachaça) e a sanfona comendo solta. Não que o público não goste. A verdade é que aos poucos o povão vai “enjoando” das mesmas músicas, mesmas batidas, mesmas letras. E já é mais que evidente que a música sertaneja mudou completamente nos últimos dois anos.

Dentre as faixas “repetidas” do disco, algumas interessantes como a faixa 01 (“Tô voltando”), inserida com a intenção de ilustrar o retorno da dupla e a faixa título, “Pode chamar nóis”. A faixa de trabalho, “Com dinheiro é mole”, com um arranjo genial de viola caipira e sanfona, também chama bastante a atenção, ainda mais pela letra de duplo sentido. Duas regravações do cantor Kadu Ferraz (“Tá no papo” e “Tá na Mão”), parceiro de composições do Rick e uma do Eduardo Costa (“Cachaceiro”). Claro que algumas das letras de duplo sentido da dupla quase sempre descambam para o total MAL sentido. Não que seja ruim. Ao contrário. Mas não chega a ser muito aconselhável para ouvidos mais sensíveis a esses tipos de expressões.

Claro que o disco traz uma ou duas canções um pouco diferentes e que, por isso, chamam a atenção. Uma delas é a música “Fica Nervoso Não”, com uma pegada “funk” em alguns trechos (Isso mesmo, funk). Se a intenção é fazer graça, vale a iniciativa, claro. Outra inusitada é a música “Sina”, que parece ter sido feita pra ser trilha de novela, graças à bela e saudosista letra e aos arranjos com violoncelo, violinos e tudo mais, além da viola caipira.

Enfim, é mais um álbum de Gino & Geno. Não inova, mas também não perde a mão. Se a intenção da dupla é apenas manter a fidelidade dos fãs de sempre, o álbum acerta. Agora, se a intenção é conquistar novos fãs, já não podemos dizer que atinge o objetivo. Mas convenhamos, precisa?

Nota: 8,0