I.U.O. – Teodoro & Sampaio – Pitoco

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Em que ponto chegamos, minha gente… Estamos passando por uma fase na música sertaneja em que prospera a falta de criatividade. Até antes da “explosão universitária”, ainda podíamos dividir com uma certa facilidade os diversos “segmentos” dentro da música sertaneja. Tínhamos as duplas românticas, as duplas de bailão sem duplo sentido, as duplas de bailão com duplo sentido, as duplas raízes, etc. Hoje, diante da universalização do estilo, fica difícil saber o que é ou o que não é “universitário”. Até DVDs com títulos de “explosão universitária” e tal são lançados com cenas de DVDs de artistas consagrados que nada tem a ver com o segmento. Tem gente que de universitário não tem nada, mas faz de tudo pra ser encaixado no estilo só pra se aproveitar do rótulo.

É diante dessa incógnita que Teodoro & Sampaio lançam seu novo trabalho, intitulado “Pitoco”. Mas por que esses questionamentos no parágrafo anterior? Ora, as três músicas selecionadas pela dupla como carro-chefe desse novo trabalho mostram que há uma indefinição quanto ao estilo em que querem se encaixar. Vejam bem, há muito tempo Teodoro & Sampaio abraçaram o estilo escrachado, marcado por canções de duplo sentido, ou simplesmente animadas. Mas como a realidade da música sertaneja hoje é outra, resolveram incluir nesse novo disco canções que pouco ou nada tem a ver com os dois.

Uma dessas canções é a bizaaaaaaaarra “Festa no CA”. “Fim de semana rola festa no CA, stop de estudar, stop de estudar”. Poxa, gente. Como dois compositores da estirpe do Teodoro & Sampaio se permitem gravar versos tão toscos? O Sampaio, pra quem não sabe, compôs “As Andorinhas”, só pra citar um exemplo. O mínimo que se espera dessa dupla é bom senso na hora de escolher uma canção para gravar. Mas deixando a bizarrice da canção de lado, ela é um exemplo dessa vontade da dupla em aproveitar um pouco o rótulo universitário. Outra canção que segue essa linha é a música “Safada”, que abre o disco. A letra não é tosca como a da primeira canção citada, mas também passa longe do estilo de todas as canções já gravadas por Teodoro & Sampaio. Seria mais sensato procurar, entre as canções da dupla, músicas que pudessem receber arranjos no estilo universitário.

Continuando nessa indefinição quanto ao estilo adotado nesse trabalho, Teodoro & Sampaio gravaram várias canções no já tradicional estilo debochado. A música que dá nome ao disco, “Pitoco”, conta a história de um cachorro que sabe atender o telefone, utilizando a habilidade para avisar o dono das eventuais puladas de cerca da esposa. Meio forçada a canção, na verdade, já que durante mais da metade da música o que se ouve é o cachorro latindo, arfando, e coisas do gênero. Tudo bem se houvesse algum sentido nos versos do cachorro. O problema é que não há. Outra canção estranha é a regravação “Machão DVD”. A música em si é legal, só não dá pra entender o título. Porque “Machão DVD”?

Junto com essas, outras canções no tradicional batidão escrachado, como as músicas “Doideira”, “Ela Chora, Chora” (não é a do Chitãozinho & Xororó), “Linguaruda” (já gravada por Di Paulo & Paulino), “Aqui só tem filé”. “Seu Redondo”, “A crise tá feia” e “Homem que bate em mulher”. Essas são as canções que descem sem problema pela garganta. De outras canções, infelizmente não se pode dizer o mesmo, dado o gosto duvidoso das letras. Uma delas se chama “Ela quer cortar meu saco”, e conta a história de um homem que morre de medo de ter seu saco (isso mesmo, sem duplo sentido) cortado pela esposa. Pior que a letra totalmente de mal gosto são os gemidos do Teodoro durante a canção. A outra música é “Pegou fogo na zona”. O problema desta é que fala de um atentado à bomba na zona que matou todas as “moças” e frequentadores, inclusive o delegado da cidade e o sanfoneiro que tocava. Isso tudo em ritmo de forró. Com certeza foi o enterro mais animado que já se viu.

Mudando de novo de estilo, gravaram duas canções que não são nem universitárias, nem de bailão. “Estava Escrito” e Vôo 155″ são os nomes das músicas, uma romântica e uma guarânia, respectivamente. Como no último álbum, que ganhou disco de ouro inclusive, a masterização fica um pouco a desejar. Aparentemente falta “peso” nesse disco, assim como faltava no anterior. O que não impede a dupla de continuar bombando nas festas pelo Brasil. Prova disso são os 50 mil discos vendidos no último lançamento e o sempre vivo programa “Amigos do Teodoro & Sampaio”, que continua de vento em pôpa em diversas regiões do Brasil.

Estranho mesmo, no caso do CD “Pitoco”, é a indefinição quanto ao estilo que desejam adotar. Se a vontade é agradar o público universitário, sugiro, sem querer parecer maldoso, que a dupla rejuvenesça. O público que segue esse rótulo é um tanto quanto impiedoso nesse sentido. Digam-me o nome de uma única dupla tradicional que faça um enorme sucesso com esse público cantando músicas no estilo universitário… As duplas tradicionais que fazem sucesso com esse público o fazem justamente por cantarem no seu consagrado estilo e não no estilo da modinha.

Nota: 6,0