João Bosco & Vinícius – Curtição

CAPA OFICIAL AINDA NÃO LANÇADA


Ando meio com receio de escrever esses reviews semanais. Algumas pessoas têm levado a sério demais o que eu escrevo. A partir de hoje, todos os posts que possam conter alguma crítica serão acompanhados de avisos. Quem sabe assim o povo entenda de uma vez que o objetivo do blog NÃO é causar polêmica, mas apenas divulgar a música sertaneja com a dignidade e imparcialidade que ela merece.

Vamos ao review…

João Bosco & Vinícius começaram o ano de 2009 com tudo. Eles foram os pioneiros do esquemão universitário, mas sempre tiveram que assistir à ascensão de artistas que não eram eles. Mesmo que tivessem um enorme sucesso, sempre ficaram de fora da patota que ia em grandes programas de TV e tudo mais.

Juntamente com Eduardo Costa, eles são a prova de que um artista pode fazer sucesso sem seguir o tradicional caminho da via sacra televisiva. Tudo porque eles sempre foram bem conscientes do público que queriam atingir. Poxa, os jovens que alçaram João Bosco & Vinícius ao status de grandes artistas não assistem TV nos domingos à tarde. Então, enquanto uma oportunidade de se chegar ao topo não aparecia, eles aproveitaram muito bem o espaço que conquistaram, com uma média de quase 200 shows por ano.

É claro que eles teriam, eventualmente, que pensar numa forma de se sobressair, já que o público jovem é extremamente instável. Depois de lançarem uns quatro discos para esse público, finalmente viram que era hora de baixar a guarda e fazer um trabalho mais, digamos, pessoal e popularesco, mais voltado para o povão. O novo CD é exatamente isso, apesar de possuir basicamente apenas os elementos que agradam ao mesmo público jovem e instável. Mesmo assim, é mais sertanejão que os outros da dupla.

Antes, João Bosco & Vinícius gostavam de usar violões de nylon. Aliás, eles ajudaram a popularizar o violão de nylon vazado (aquele sem corpo, só com o braço e a armação) junto às duplas novas que foram surgindo. Praticamente todo o show se concentrava no violonista, que era o que mais trabalhava. Há alguns anos, em Uberlândia, aconteceu um evento com um show deles e César Menotti & Fabiano juntos. Naquele dia, ficou bem evidente a diferença entre um esquema completão, com violões de aço e acordeon, e um esquema mais, digamos, simples, com aquele violão de nylon que eles gostavam e uma escaleta no lugar do acordeon.

No novo CD, no entanto, dando continuidade a um modelo que começou no último CD e DVD, eles parecem ter abraçado de vez a fórmula de sucesso dos violões de aço e acordeons. Será que foi ruim? Evidente que não. Ao contrário. Creio eu que este é o trabalho mais maduro da dupla na questão instrumental. Simplicidade ditando o ritmo, com arranjos simples, bem de encontro ao mercado.

Com relação ao repertório, todos sabem que João Bosco & Vinícius sempre foram mestres em escolher boas canções…. para regravar. Nunca foram muito bons em escolher músicas inéditas nas quais eles acreditavam. O sucesso da dupla praticamente foi construído em cima das regravações, desde “Magia e Mistério”, da dupla Bob & Joe, até “Falando Sério”, já gravada anteriormente por Luan Santana. No entanto, algo esperado há muito finalmente aconteceu: o novo CD é praticamente formado só por excelentes canções inéditas. Dentre as regravações, só quatro faixas, sendo duas de pout pourrie. Todas as outras são aparentemente inéditas, incluindo a ótima nova música de trabalho “Chora, me liga” e outras incríveis, como “Terremoto”, “Larguei de ser besta”, “Proprietário”. A maioria dos compositores, aliás, da nata da editora Panttanal, quais sejam Elizandra Santos, Daniel Damasceno, Euler Coelho, Teófilo Teló, Ivan Miyazato e a própria dupla João Bosco & Vinícius.

Com distribuição da Sony BMG, não exagero ao dizer que considero esse trabalho o melhor da dupla até então. Ironicamente, é o primeiro trabalho que segue fielmente um padrão conhecido e consagrado (acústico, com inéditas em larga escala). Nada daquela loucura (genial, aliás) de se gravar em vários locais, com um punhado de participações. Nesse novo trabalho, João Bosco & Vinícius estão entregues, de corpo e alma, finalmente mostrando um trabalho próprio e quase 100% inédito. A Sony, aliás, está dedicando muito espaço para duplas sertanejas. Tomara que não deixem nenhuma delas relegada a segundo plano enquanto trabalham apenas uma.

Pelo menos com João Bosco & Vinícius, o projeto da Sony parece ser para alcançar o topo. Basta ver o show que a dupla deu no Faustão no último domingo. Somente as duplas da Sony permanecem por tanto tempo no ar logo na estréia, ousando ainda por cima cortar um playback na cara dura só pra fazer uma moda ao vivo. O Faustão que me desculpe, mas se todas as duplas tivessem a mesma destreza que João Bosco & Vinícius no seu palco, ele estaria num mato sem cachorro, e isso seria ótimo. Eles são assim mesmo. Talvez a dupla sertaneja que melhor saiba dominar um palco, na minha opinião. E agora finalmente mostrando que podem, sim, dominar o mercado com um ótimo disco.



Nota: 9,0