Léo Chaves: a grande festa de seus 40 anos e os louváveis motivos de sua realização

No começo do mês passado, o cantor Léo Chaves, da dupla com o irmão Victor, comemorou seus 40 anos com uma mega festa em Uberlândia, cidade onde reside. Em um jantar de gala com mesas a R$ 10000,00 cada e um show com diversas personalidades da música, ele celebrou, na verdade, mais do que apenas as suas 4 décadas de vida. O jantar e a festa marcaram o começo de uma nova fase profissional na carreira do Léo, que envolve, agora, devolver ao mundo o que o mundo lhe ofereceu através da fama.

O lado negativo da fama, aliás, parece ter sido o estopim inicial da epifania que o próprio Léo contou ter tido, em uma coletiva de imprensa realizada antes do evento. A festa não tinha qualquer intuito lucrativo. Toda a renda foi revertida para duas instituições: o Hospital do Câncer de Uberlândia e o Instituto Hortense, fundado pelo próprio Léo para promover a capacitação de professores (inicialmente da rede pública) através de um novo método de ensino, focado principalmente na educação socioemocional. A epifania a que me refiro e sobre a qual ele falou durante a coletiva foi um puxão de orelha que ele levou do próprio filho Mateus, de 7 anos, que cobrou dele, tempos atrás, a mesma atenção que ele dava a terceiros ligados a assuntos profissionais.

Foi, desde a coletiva, um evento diferente dos quais costumo participar. A festa em si utilizou-se basicamente do glamour para atrair doações, mesmo que, talvez, boa parte dos doadores não tivessem real noção do que aquilo tudo representava. Além de Victor & Léo, cantaram, acompanhados pela banda da dupla, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Zezé di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone, Jads & Jadson, Alexandre Pires e as crianças do The Voice Kids. Murilo Rosa e Juliana Paes apresentaram o evento. Ainda assim, o que importava ali não era o show, mas a honrosa e louvável intenção do Léo.

Com base na Escola da Inteligência, método criado pelo professor Augusto Cury, que inclusive discursou durante o evento, o Instituto Hortense pretende melhorar o método de ensino em escolas cujas oportunidades são mais escassas. O próprio Léo ressaltou durante a coletiva a consciência de que o problema está no fato de que os professores querem dar o melhor de si mas não possuem os recursos e ferramentas necessárias. A intenção é, inclusive, focar primeiro em escolas rurais ou de comunidades mais carentes, justamente por serem essas as mais negligenciadas.

Léo Chaves conversou com jornalistas durante um bom tempo, mostrando uma grande paixão pela bandeira que passou a defender. O nome do Instituto, Hortense, foi dado em homenagem a uma pessoa que ele conheceu durante um período ruim da carreira profissional, quando ele e o irmão ainda cantavam na noite paulistana. Convencido por um amigo, foi até Atibaia para encontrar a irmã Hortense, com quem desabafou sobre os problemas que enfrentava na época. Logo depois da primeira visita, a carreira da dupla começou a decolar e, a partir de então, as visitas à irmã Hortense se tornaram mais frequentes, já que o próprio Léo atribuía a ela a sabedoria adquirida para enfrentar o período difícil.

A bronca do filho parece ter acendido no Léo a vontade de reverter o que de negativo a fama trouxe na sua vida. Por diversas vezes, ele ressaltou o quanto o artista se torna escravo do sucesso, da necessidade de buscar sempre mais e do quanto isso se torna uma armadilha perigosa com o passar dos anos. Abrir o Instituto foi a forma mais imediata encontrada pelo Léo para corrigir esse problema e tirar da fama o que de mais positivo ela pode oferecer a essa altura da sua carreira.

E, convenhamos, é um patamar e tanto. Além das personalidades da política presentes ou que contribuíram (o prefeito eleito de São Paulo, João Dória, comprou 3 mesas), do empresariado (as três maiores empresas da cidade de Uberlândia estavam com mesas nas primeiras filas), Léo Chaves soube usar muito bem o seu networking para realizar um grande show, com grandes artistas. E a intenção dele é tornar este um evento anual, a ser realizado não só em Uberlândia.

A nova faceta do Léo Chaves também começou a ser mostrada através de palestras. Recentemente, ele palestrou em um evento na cidade de São Paulo, falando justamente sobre alguns destes tópicos que eu destaquei mais acima. O Música Popular Sertaneja, blog da minha amiga Cris Bonfim, trouxe mais detalhes da palestra. Confira AQUI.

É, na verdade, fascinante que um artista no patamar do Léo Chaves reconheça a importância de devolver ao mundo, de alguma forma, os benefícios que a fama lhe trouxe, até mesmo para corrigir s pontos negativos da mesma. Não apenas através de doações, mas através de atitudes concretas, como o próprio Instituto Hortense. Algo que é comum a artistas de outros países, mas que no Brasil não é tão costumeiro. Quem sabe o bom exemplo não possa começar a ser seguido, pelo menos pela classe sertaneja.

Abaixo, fotos do evento.