Léo Magalhães – Ao Vivo em Goiânia

Léo Magalhães é um artista com uma carreira de sucesso no nordeste. O segmento cuja bandeira ele sempre defendeu, o arrocha, é um estilo restrito àquela região. Aliás, quase todos os ritmos nordestinos ficam lá enclausurados. Vez ou outra surgem alguns artistas que atravessam a fronteira do nordeste e acabam conquistando o restante do público brasileiro. Exceto as bandas de axé, que se propagam com mais rapidez que a gripe suína.

Acontece que Léo Magalhães sempre pareceu ser um artista talhado para essa missão, a de atravessar as fronteiras do nordeste. A absurdamente incrível semelhança de sua voz com a do Zezé di Camargo era um dos fatores que geravam uma ponta de dúvida. Afinal, se o Eduardo Costa fez sucesso em todo o Brasil, por que não Léo Magalhães?

Parecia inevitável que o Léo Magalhães embarcasse de uma vez no sertanejo. O arrocha é, de certa forma, uma vertente da música regional, o que garante ao estilo um, digamos, parentesco com a música sertaneja. A transição, portanto, seria fácil.

Mas a equipe de produção em torno do artista Léo Magalhães resolveu encarar essa parada com bastante seriedade e empenho. Em primeiro lugar, chamaram o maior produtor sertanejo da atualidade, Pinocchio. Caberia ao maestro a função de integrar o estilo do Léo Magalhães ao que o mercado consumidor da música sertaneja procura. O resultado são músicas com letras fáceis, às vezes até meio bobinhas pra se falar a verdade (o que já era natural ao estilo do Léo), conduzidas predominantemente em ritmo de balada universitária, que é o que o domina o mercado atual mesmo quando o artista repudia o termo “universitário”.

Não que o arrocha tenha sido completamente abandonado, mas nesse disco pouquíssimas músicas remetem ao ritmo. As que o fazem ganharam acompanhamento de sanfona, o que fez com que as canções ficassem mais parecidas com um forrozinho. O Pinocchio aliás, é provavelmente o produtor que mais saiba captar a essência de cada artista. São poucos os trabalhos dele que parecem ter sido feitos apenas copiando outro trabalho. No caso do Léo, o Pinocchio, como fodástico produtor que é, apenas permitiu a incorporação do artista no segmento sertanejo de uma forma que agradasse o mercado.

Outra jogada bem pensada foi a gravação do DVD na eterna capital da música sertaneja, Goiânia. A cidade é o palco ideal para artistas com interpretação mais rasgada. Basta lembrar que lá são estouradas duplas como Carlos & Jader, que conseguem cantar mais alto que o Chrystian & Ralf em início de carreira. Ou seja, público acostumado com o jeito do Léo Magalhães de cantar. Aliás, como canta fácil. Em momentos onde é exigido um pouco mais de garganta, ele nem faz força. Canta alto por natureza mesmo. E consegue manter o belo timbre vocal.

O disco conta com a participação da dupla João Neto & Frederico nas músicas “O cara errado” e “É pra valer”. No restante do repertório, algumas regravações e algumas adaptações de outras canções do Léo Magalhães ao sertanejo. Tomou-se o cuidado de não inserir no disco nenhuma canção que remetesse ao Zezé di Camargo, como o Léo costumava fazer em todos os seus discos. Mais um exemplo tirado de Eduardo Costa, que só alcançou o defintivo prestígio quando abandonou a carapuça de cover do Zezé. O Léo ainda parece ter uma certa resistência quanto a abandonar a alcunha, mas o DVD já dá indícios de que esse também será o caminho que ele vai seguir.

Sobre o vídeo, uma grata surpresa. Apesar dos tradicionais painéis de LED, o técnico de iluminação soube muito bem criar temas inéditos, com ilustrações bonitas e interessantes, e de certa forma diferentes do que a gente está acostumado a ver. Quem pecou foi o editor, que em certos momentos não prestou a devida atenção aos detalhes.

É comum aproveitar cenas de duas gravações, montando uma só, nos casos em que as músicas tiveram que ser gravadas novamente, devido a um erro ou outro. O editor, no entanto, não prestou atenção em detalhes como a mão com que o Léo segurava o microfone, ou até que ponto ele estendia a voz durante uma canção. Então, em alguns pequenos trechos, o Léo Magalhães pareceu ter trocado o microfone de mão em milionésimos de segundo, já que num plano ele pegava o microfone com a mão direita, e no outro com a mão esquerda. Em outro caso, a imagem focalizava o cantor com a boca fechada, sendo que ele ainda estava cantando (?!?!?). Mas são coisas pequenas, que passam despercebidas aos olhos da maioria.

No mais, acredito que este seja, sim, um trabalho digno de tornar Léo Magalhães um artista de renome nacional, dentro da música sertaneja. Apesar não ter aqueeeeeela música no disco, a com cara de sucessããããããão, é um disco agradável e interessante. Bonito, inclusive. O DVD ainda não foi lançado, mas a maioria dos vídeos das músicas já estão no youtube. Um novo Eduardo Costa? Não creio. As comparações são inevitáveis, sem sombra de dúvida. Mas a verdade é que Léo Magalhães já chega com a vantagem de seguir um estilo próprio, coisa que o Eduardo Costa demorou a encontrar.

Nota: 8,5