Luiz Claudio & Giuliano – Ao Vivo na Balada

O pessoal que acompanha o blog já deve ter notado que eu admiro muito o trabalho de Luiz Claudio & Giuliano. O Luiz Claudio é um dos pouquíssimos cantores sertanejos que dominam a técnica vocal com imensa precisão. Tamanho dom já proporcionou a ele trabalhar como backing vocal de artistas como Bruno & Marrone e o grupo Só Pra Contrariar. Fora o seu talento como compositor, também já citado aqui. Da cabecinha dele já saíram canções incríveis como “Te amar foi ilusão” (Bruno & Marrone), “Pra que chorar” (Guilherme & Santiago), “Amor Verdadeiro” (Só Pra Contrariar) e “Momentos de nós dois” (Chrystian & Ralf). Aqui em Uberlândia, o cara é a referência para TODOS os cantores iniciantes. Sempre que alguém daqui quer falar de um bom cantor, fala do Luiz Cláudio. O Giuliano também é um artista muito talentoso. É um p… músico, multi-instrumentista, já tendo trabalhado com Matogrosso & Mathias e Bruno & Marrone, além de ser um grande produtor e compositor também.

Devido a isso, muito se especula sobre os motivos que levam Luiz Cláudio & Giuliano a permanecer no mesmo patamar, isto é, não chegar no nível de sucesso que se espera de uma dupla tão bem preparada. Alguns dizem que um dos motivos é a falta de humildade do Luiz Cláudio. Outros alegam que é a falta de carisma da dupla, que, por mais que tente, não consegue criar aquela empatia com o público, extremamente necessária pra quem sonha em alcançar o topo.

O fato é que provavelmente eles próprios se sintam pressionados. É muita expectativa, de todos os lados, pra que os dois estourem de vez. Eu já disse certa vez que o Bruno e o Edson andaram profetizando que o dia em que o Luiz Claudio chegasse ao topo seria o dia em que a música sertaneja mudaria. Parece muita pretensão, mas isso realmente foi dito. Então, entre um lançamento e outro, nada de efetivamente concreto aconteceu. Já tiveram música em novela, na qual fizeram até uma cena cantando, cantaram no Faustão e tudo mais. Mas o estouro meeeesmo nunca aconteceu.

Penso eu que eles sentaram com os empresários e traçaram um plano pra chegar ao sucesso de uma vez por todas. Como? Cantando o que eles julgam que o povo anda querendo ouvir. Nos últimos trabalhos, haviam muitas canções marcantes, bem escritas e interpretadas. Grande detalhismo nos arranjos era outra das marcas da dupla. Mas agora, nada. Luiz Claudio & Giuliano mudaram radicalmente o estilo numa evidente e desesperada tentativa de finalmente estourar e, quem sabe, chegar ao topo. O fato é que exageraram um pouco na dose.

Expliquemos. Na cabeça deles, o povo quer ouvir discos ao vivo. Então fizeram um disco normal e inseriram a ambiência do “ao vivo” da forma mais caricatural possível, com o povo cantando todas as músicas durante todo o tempo. Ora, quando é que se vai num show e o povo canta todas as músicas durante o tempo todo, ainda mais se tratando de músicas inéditas? É um método muito forçado de se inserir a ambiência. Torna o disco muito falso.

Pensaram também que o povo quer ouvir atualmente discos com metade das músicas dançantes e metade em ritmo de balada “universitária”. Foi exatamente isso que fizeram. Alternaram as faixas entre músicas dançantes e baladas universitárias. Se fossem músicas boas, no entanto, udo bem. Mas parece que eles pensaram também que o povo só quer saber de letras idiotas e sem sentido. A música de trabalho tem um refrãozinho que fala “seu jardineiro, eu pulei esse muro não foi para roubar, seu jardineiro, eu pulei esse muro somente para beijar e bla bla bla.” Provavelmente alguém pensou que se uma música onde um cara que dormiu no banco da praça se explica para o “seu” guarda fez sucesso, uma música onde um cara se explica para o “seu” jardineiro também o faria. Dentre as dançantes, tem uma onde o refrão só tem um verso que se repete o tempo todo: “é no boteco, é no boteco, é no boteco da Maria”. Aquelas músicas com letras incríveis e excelente interpretação foram deixadas pra trás.

Das 17 faixas do disco, as 15 primeiras são ao vivo. Dentre elas, um regravação de “Espuma da Cerveja”. O fato, no entanto, é que as de estúdio são as melhores canções do disco. A 17 é a regravação de “Entre a serpente e a estrela”, com a participação de Zé Ramalho. A outra é a melhor do disco disparada. Talvez a única que realmente valha a pena voltar para ouvir de novo. Chama-se “Mentes tão bem”. Essa sim lembra as boas canções da dupla.

No mais, é isso mesmo. Depois de um disco quase perfeito como foi o álbum “Dois Apaixonados” e um CD Ao Vivo bastante agradável, eu esperava algo no mesmo nível. Acabaram lançando um disco feito aparentemente “pelas coxas” e que fugiu totalmente do sempre tão bem executado estilo da dupla. Ah, Marcus, mas e as músicas inéditas que você tanto defende? Se fossem boas, eu falaria. Mas o repertório realmente foi muito mal escolhido. Eu, como fã que sou, sinceramente não entendi.

Nota: 6